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Correio Braziliense

Polícia Civil investiga empresas acusadas de fraudar pregões públicos do DF

Grupo é acusado de usar softwares durante os pregões e fazer conluios impedindo a competitividade. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos no DF e em mais dois estados


postado em 11/12/2019 12:50 / atualizado em 11/12/2019 12:51

Operação da Divisão Especial de Repressão a Corrupção cumpriu 27 mandados de busca e apreensão(foto: PCDF/Divulgação )
Operação da Divisão Especial de Repressão a Corrupção cumpriu 27 mandados de busca e apreensão (foto: PCDF/Divulgação )
A Polícia Civil do Distrito Federal investiga empresas acusadas de fraudar licitações de órgãos públicos do DF. Durante a manhã desta quarta-feira (11/12), policiais cumpriram 27 mandados de busca e apreensão, no DF, em São Paulo e no Goiás. Os mandados foram feitos em 10 empresas e na casa de 17 sócios. A suspeita é de que dois grandes grupos empresariais participem do esquema. 

A investigações da operação batizada de Decepticons - em alusão ao uso de tecnologias não permitidas - começaram há oitos meses, após a suspeita de fraude em um pregão de 2018, para compra de alimentos para restaurantes comunitários do DF.  “Foram identificados o uso, por parte das empresas que ganharam essa licitação, de robôs para lances automáticos. Isso inviabiliza que os outros participantes, que não usam dessas tecnologias, consigam competir”, explicou o delegado da Divisão Especial de Repressão à Corrupção (Decor/ Cecor) Ricardo Uchôa

De acordo com a nota técnica do pregão, os lances feitos pela empresa eram de menos de 2 segundos, algo impossível para um humano. Com o andar das investigações, os policiais ainda constataram possíveis formas de fraudes, como a combinação de lances. “Algumas coisas foram identificadas. Um sócio de uma empresa, por exemplo, era o contador de outra. Mas a investigação busca investigar como se dava o conluio”, explicou o delegado  Wenderson Teles, Decor/Cecor

Além do pregão dos restaurantes comunitários, um outro pregão de fornecimento de alimentos para presídios está sob investigação. A suspeita é de que o grupo atuava desde 2015. Durante a ação desta quarta-feira, a polícia prendeu aparelhos celulares, computadores, pen-drives e documentos. O material seguirá para perícia para se constatar o uso dos softwares.

"Vamos tentar preencher o tipo penal. Estamos buscando elementos que comprovem essas duas modalidades, o uso de tecnologia não permitida e o conluio, como também comprovar os ajustes que existem entre essas empresas e sócios, para que a gente possa vincular essa pessoas à associação criminosa ou organização criminosa", detalhou Uchôa. 

Os grupos são investigados por conluio, fraude ao caráter competitivo, o crime de associação criminosa e possivelmente o crime de organização. A polícia ainda não contatou a participação de servidores públicos no esquema no Distrito Federal. 

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