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Confira dicas para começar 2020 com o pé direito e com as contas no azul

Especialistas destacam que o controle de gastos exige fórmulas tradicionais, como registrar, analisar e comparar a fonte das receitas e o destino do dinheiro periodicamente

Jéssica Eufrásio
postado em 05/01/2020 08:00
Após cinco anos de aperto, o advogado Leonardo Conte livrou-se de todas as contas em atraso: planejamento e alívio financeiro Passar réveillon com dívidas não é a melhor forma de iniciar o ano com o pé direito, especialmente porque, em breve, novas cobranças chegarão. Para muita gente, o 13; salário e a liberação de parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para saque ajudaram a sair do vermelho em 2019. No entanto, quem continua endividado terá de analisar como abrir mão de gastos supérfluos, negociar com credores e até recorrer à reserva de emergência para quitar as contas em atraso.

Especialistas destacam que o controle de gastos exige fórmulas tradicionais, como registrar, analisar e comparar a fonte das receitas e o destino do dinheiro periodicamente. Contudo, nem todo modelo é válido, pois é preciso avaliar as variáveis por trás de cada dívida. Serviços de auxílio oferecidos por planejadores financeiros e aulas gratuitas sobre o assunto pela internet têm ficado cada vez mais populares. Além disso, bancos e aplicativos que oferecem aos consumidores meios de controlar o orçamento doméstico e serviços financeiros sem cobrança de taxas também se tornaram acessíveis.

A partir deste ano, algumas dessas opções passarão a fazer parte da vida da empresária e maquiadora Rhany Holanda, 32 anos. Em setembro de 2019, ela viu, pela primeira vez, a empresa de festas infantis que administra há 10 anos chegar a um patamar preocupante. ;Foi o nosso pior ano. O movimento caiu muito. A desculpa de todos que ligavam e pediam descontos era a crise;, lamenta. Com o marido desempregado e sem o retorno financeiro esperado, a moradora do Guará viu as faturas de casa se acumularem. ;Recebo semanalmente. Se alugarem uma cama elástica neste fim de semana, por exemplo, eu consigo pagar uma conta;, afirma.

Uma das alternativas de Rhany para complementar a renda foi investir em um curso de maquiagem. A demanda por esse tipo de serviço, porém, não está boa, segundo ela. ;As pessoas ainda não me conhecem, e o movimento foi muito pequeno em 2019;, diz. A empresária, que precisou zerar as economias para saldar débitos e colocar os dois filhos na escola pública, passou a recorrer a aulas no YouTube para aprender a se planejar. ;Sou uma gastadora de primeira. Mas tomei um susto com tudo e vi que as coisas estavam ficando bem difíceis. Eu não anotava nada. Agora, estou começando a me organizar;, garante.
A maquiadora e empresária Rhany Holanda recorrerá a vídeos no YouTube e planilhas para equilibrar as finanças: início da organização

Cautela


Apesar da ligeira melhora do cenário econômico do país e do otimismo, especialistas recomendam parcimônia e pés no chão na hora de investir e de gastar. Para quem está pendurado, Cesar Caselani, professor de finanças da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-Eaesp), recomenda pensar bastante antes de contrair novas dívidas. ;Às vezes, o otimismo exacerbado com a economia faz com que as pessoas exagerem na projeção e acabem se descontrolando nos gastos;, observa.
Para quem estiver disposto a aumentar o patrimônio, as recomendações de Cesar são: guardar dinheiro, registrar gastos e evitar ficar em deficit. ;Vamos ser racionais no uso do dinheiro. Se (o consumidor) adotar essa postura, tem muito mais condições de passar por esse quadro de fraco crescimento e do desemprego alto ; bastante perigoso ; de forma tranquila e evita entrar no buraco do endividamento. O dinheiro que você ganha será mais precioso hoje, pois não consegue rentabilizá-lo da mesma forma que fazia no passado, pois os juros caíram muito;, alerta Caselani.


; As cinco principais metas para o ano


49% dos brasileiros querem juntar dinheiro em 2020
30% desejam fazer uma viagem
28% pretendem comprar ou reformar a casa
27% querem tirar as finanças do vermelho
26,2% almejam adquirir bens eletrônicos, eletrodomésticos e móveis

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