Cidades

Livros didáticos usados são alternativa para economizar no material escolar

No ramo das papelarias, os preços devem ter reajuste de até 3,5%, e a estimativa de crescimento para o setor é de 5%

Walder Galvão
postado em 08/01/2020 06:00
Sebos compram e vendem material usado por estudantes em anos anterioresO início do ano letivo costuma movimentar o comércio do Distrito Federal. Desde o fim de 2019, o número de clientes cresce em papelarias e livrarias. Entretanto, o preço, principalmente dos livros didáticos, intimida o brasiliense. Aqueles que procuram economizar um pouco mais encontram nos livros usados uma saída para poupar dinheiro e reaproveitar o material. Por isso, os sebos são alvo de muitos consumidores.

Segundo Aritana Rodrigues, vendedora de um sebo em Taguatinga, conta que, por causa do pagamento do 13; salário, a movimentação de pessoas no estabelecimento cresceu desde novembro. ;Temos procura o ano inteiro, não apenas dos didáticos, mas dos literários também. Porém, até março, os clientes devem vir mais;, afirma. O lugar recebe doações das obras, além de comprar e vender os itens usados por estudantes em anos anteriores.

De acordo com Aritana, um livro de segunda mão pode custar até menos da metade do valor de mercado. ;Neste ano, por exemplo, temos didáticos que custam R$ 200 nas livrarias. Aqui, você encontra por R$ 80. É uma grande economia;, garante. De acordo com ela, a clientela adepta a itens usados cresce a cada ano e é de regiões diversas. ;Temos clientes que vêm de Sobradinho, Brazlândia e até do Entorno, como Valparaíso (GO) e Cidade Ocidental (GO);, exemplifica.

Na tentativa de economizar, a pedagoga Gislene Batista, 45 anos, comenta que, neste ano, vai à procura de livros usados para a filha. ;Minha menina saiu do sétimo para o oitavo ano. Conseguimos comprar três obras, mas ainda estamos tentando vender as do ano passado. Já temos a de gramática, um livro paradidático e um dicionário;, detalha. Ela ressalta que os didáticos são os mais difíceis de encontrar, mas que geram uma boa economia. ;Se eu fosse comprar tudo novo, gastaria cerca de R$ 2,5 mil. Até agora, comprei três livros por R$ 100, e o restante que falta deve sair por bem menos do que o orçamento padrão;, prevê. Ela opina que os pais devem incentivar os filhos a conservarem os livros, para que outras pessoas possam usar.

Ressalvas

O Sindicato de Papelarias e Livrarias do DF (Sindipel) recomenda os sebos como uma alternativa para economizar. Entretanto, o presidente da entidade, José Aparecido da Costa Freire, destaca que os consumidores devem ficar atentos para não comprarem o material errado. ;A edição sempre deve ser verificada. Os livros podem ser reformulados, e capítulos são inseridos. Quem opta por livros antigos corre o risco de ter de comprar novamente.;

Outra dica é os pais olharem a capa, porque ela sempre é atualizada quando ocorrem reformulações. Quem compra na internet deve dobrar a atenção, porque os sites podem não mudar o material. ;São cuidados necessários que os pais precisam ter. Livros didáticos são produtos caros, e o pai ter que comprar duas vezes é muito doloroso;, informa José Aparecido.

Quem trabalha em sebos também precisa ficar alerta na hora da comercialização do material. Helena Alves é dona de um quiosque de livros usados em Taguatinga. De acordo com ela, na hora da compra e das doações, a edição do livro sempre é verificada para que não ocorram erros. ;Já temos muita gente procurando nosso comércio desde dezembro. A expectativa é de que as vendas aumentem ainda mais até março;, diz.

Incremento no ramo de papelarias

Em 2020, o Sindipel destaca que um dos grandes incrementos no comércio de papelarias do Distrito Federal será ocasionado pelo Cartão Material Escolar. O benefício deve injetar cerca de
R$ 20 milhões nos estabelecimentos da capital. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do DF, responsável pelo benefício, o número de pais contemplados com o item passou de 65 mil em 2019 para 80 mil neste ano. ;Isso simboliza que, apenas com esse recurso, ocorrerá o crescimento de 21% no valor gasto com material escolar;, informa José Aparecido.

Além do cartão, o presidente do Sindipel estima que o crescimento real do mercado de materiais escolares no Distrito Federal deve ser de 5% em 2020. ;Fizemos pesquisas e avaliamos o mês anterior, que é quando começa o período de compra letiva. Ele termina em fevereiro, e a expectativa de crescimento até a data está muito positiva;, acredita.

Sobre os preços dos materiais neste ano, o sindicato esclarece que, como a inflação estava baixa, os valores terão reajuste de 3% a 3,5%. ;É uma correção muito baixa. Porém, alguns produtos importados, em função da variação cambial, podem ficar um pouco mais caros, principalmente para quem comprou no fim do ano;, afirma. Para economizar, José Aparecido orienta que os pais façam ao menos três orçamentos e não deixem para a última hora, porque o excesso de demanda pode impactar nos preços.

Gerente de uma papelaria em Taguatinga, Zenaide Pereira Silva, 61, também conta com o incremento do Cartão Material Escolar para aquecer as vendas. De acordo com ela, mesmo que o benefício ainda não tenha sido pago, os pais já começaram as compras desde novembro, após o pagamento da primeira parcela do 13; salário. ;Algumas pessoas que viajam preferem já deixar as compras adiantadas. A nossa expectativa é positiva, e a tendência é de que o movimento cresça ainda mais;, garante.

Até R$ 320

Estudantes de famílias atendidas pelo programa Bolsa Família têm direito a um cartão para compra de material escolar de até R$ 320, a depender do nível de ensino. Empresários que desejam se habilitar no programa devem se registrar até esta sexta-feira. O credenciamento é feito no Simplifica PJ, QI 19, Lotes 28 a 32, em Taguatinga.

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