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Moradores da Candangolândia pedem justiça para o caso de Larissa Maciel

A comunidade organizou uma caminhada pelas ruas da cidade em protesto ao caso que pode ser o primeiro feminicídio do DF em 2020. Até o momento ninguém foi preso

Agatha Gonzaga
postado em 12/01/2020 22:32
A comunidade organizou uma caminhada pelas ruas da cidade em protesto ao caso que pode ser o primeiro feminicídio do DF em 2020. Até o momento ninguém foi presoMoradores da Candangolândia caminharam na tarde de hoje (12/01) pelas ruas da região administrativa como ato e pedido de justiça para o caso de Larissa Maciel, 23 anos, encontrada em um templo religioso, na manhã de segunda-feira (7/01). A passeata marcou os sete dias após a morte da jovem. O caso é investigado como feminicídio pela Polícia Civil e caso confirmado será o primeiro de 2020.

O grupo se reuniu em frente a Igreja evangélica Templo Liberdade onde Larissa foi encontrada e seguiu pela Av. dos Transportes convidando a comunidade para participar do ato.

A bancária Elen Regina Camelo, 46 anos, foi uma das organizadoras. Ela não conhecia Larissa, mas tem familiares que moram próximos ao local do crime. ;Eu fiquei estarrecida com essa situação porque foi um crime brutal. Resolvi me unir a outras mulheres da comunidade e fazer esse ato para tentar conscientizar a população para dar um basta nisso. Nós mulheres merecemos viver! Nós temos esse direito;, protestou.

O filho de Elen, o cabelereiro Daniel Camelo, 25 anos também caminhou ao lado da mãe. Foi ele quem soube do acontecido em frente a casa da avó, e levou a notícia para a bancária. ;Eu nunca vi um crime como esse aqui na Candangolândia, tanto que surpreendeu pela brutalidade. Foi uma atrocidade. Pelo o que soubemos tudo começou a partir de uma discussão sobre um relacionamento que terminou nisso. E pelo visto é muito fácil você tirar a vida de uma pessoa e ficar impune, e nada acontecer;, lamentou.

O crime é investigado pela 11; Delegacia de Polícia (Núcleo Bandeirante). Até a última atualização, nenhum suspeito havia sido preso. A polícia justifica a linha de investigação como feminicídio também por acreditar que as características do crime enquadram-se nos padrões de mortes violentas de mulheres.

O personal trainer Marcos dos Prazeres, 46 anos, destacou a importância da presença masculina em lutas denominada das mulheres. ;Eu moro no Núcleo Bandeirante, mas tenho vínculo com alguns amigos e conhecidos da Larissa. Eu não poderia deixar de participar desse ato solidário. Todo homem tem que pensar que ele tem vínculo afetivo com alguma mulher. Com a mãe, com a irmã, com a sobrinha, com a filha... Então essa não é só uma luta da mulher. É uma luta de todos. Nós temos que acabar com essa injustiça, essa covardia que fazem com as mulheres;, disse.

Moradora da Candangolândia, a diarista Benilde Maria Mota, 32 anos, também fez questão de marcar presença. Ela contou ao Correio que conhecia a vítima de vista, mas nunca tinham conversado. Mesmo assim, estava solidária com a família. ;Isso que aconteceu com ela é muito triste e revoltante. A gente não merece passar por esse tipo de coisa e ser exposta como ela foi. É muito triste. Não só pelo fato de ela ser uma mulher, mas porque ela é um ser humano. Eu acho que ninguém merece passar pelo o que ela passou, pelo o que a mãe dela está passando agora;, afirmou.
Na terça, o corpo de Larissa foi levado para Cabeceiras (MG) para ser enterrado no cemitério da cidade. Apesar de a jovem ser brasiliense, parte dos familiares dela vive no município mineiro. Em entrevista ao Correio, a mãe da vítima, de 38 anos, que preferiu não se identificar, disse que não consegue entender o que pode ter acontecido com a filha. ;Estou em estado de choque. Precisei resolver toda a documentação para levar o corpo da minha filha para Minas e estou deixando tudo nas mãos da polícia. O que posso dizer é que não está fácil;, lamentou. A mulher também afirmou que não tem ideia de quem possa ter cometido o crime. ;A gente, que é pai e mãe, não espera que isso possa ocorrer com os filhos, ainda mais quando são tão novos;, emocionou-se.

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