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Correio Braziliense

Religioso é preso suspeito de abusar de, ao menos, quatro mulheres

Entre as vítimas, há uma adolescente, frequentadora do templo. O homem foi detido em Ceilândia


postado em 14/01/2020 18:19 / atualizado em 15/01/2020 10:57

Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) investiga o caso(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) investiga o caso (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Um religioso de 31 anos foi preso na manhã desta terça-feira (14/1), acusado de abusar sexualmente de, ao menos, quatro mulheres, frequentadoras de um templo no Distrito Federal, cuja localização não foi divulgada. O homem foi detido em Ceilândia durante a Operação Veludo, deflagrada também nesta terça. 
 
Segundo investigações, o homem também havia praticado o crime de aborto provocado por terceiro, com consentimento da gestante. As vítimas relataram que, com o pretexto de cometer os abusos, o suspeito "incorporava uma entidade" e dizia que seria "o amor da vida dele (entidade) em vidas passadas", induzindo-as à prática dos atos sexuais. 
 
Entre as vítimas, há uma adolescente e uma mulher que relatou que os abusos iniciaram quando ela ainda menor de idade. Uma das moças chegou a engravidar. Ao saber da gestação, o religioso a induziu e a auxiliou a praticar o aborto, oferecendo remédios, apontou as investigações. 
 
O caso é investigado pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam).

Religião

Depois de a polícia divulgar que o acusado seria um líder religioso, a Coordenadora de Políticas de Promoção e Proteção da Diversidade Religiosa da Subsecretaria de Direitos Humanos e Igualdade Racial, Adna Santos, a Mãe Baiana, informou que ele não é uma liderança nem pai de santo. Em realidade, trata-se de um Iaô, termo usado para pessoas iniciadas no candomblé. “Ele se aproveitou do respeito que as pessoas têm pelos pais e mães de santo em Brasília para fazer o que fez.”
 
“Nossa comunidade está sempre de braços abertos. Todo mundo que chega é tratado com carinho. As pessoas se machucam lá fora e vêm para o terreiro cuidar das feridas. Assim como em todas as outras religiões, infelizmente, existem pessoas que chegam com má fé”, explica.
 
Membros da comunidade afro-religiosa do grupo Defensores do Axé no Distrito Federal assinaram juntos uma nota de esclarecimento, em que pedem a investigação do caso e esclarecem que a comunidade “não coaduna com o errado e com atividades que afrontam os direitos individuais de cada indivíduo”.
 
“Esse ato, assim como se apoiar em religiões de matriz africana, dizendo que estava incorporado, isso não existe no nosso sagrado”, alerta o Ògan Luiz Alves. Ele explica ainda que, apenas ter ingressado no candomblé não torna a pessoa automaticamente um pai ou mãe de santo.
 
“Para a pessoa ser sacerdote, tem que ser iniciada, depois passa por, no mínimo, sete anos de aprendizado, e só então o orixá vai avaliar se ele tem o caminho para abrir uma casa. Existe um processo, uma hierarquia e, nós enquanto afro-religiosos comprometidos com a nossa fé, agimos de acordo com esses preceitos”, esclarece. “Se ele praticou, se usou de má-fé das pessoas que o procuraram, é preciso que se investigue e que se apure realmente o fato. Sendo comprovada a culpabilidade, que ele pague nas formas da lei", acrescenta.
 

Confira a íntegra da nota:

"NOTA DA COMUNIDADE AFRO RELIGIOSA
 
Nós afroreligiosos que integramos o grupo “DEFENSORES DO AXE” grupo constituído para a defesa de NOSSA RELIGIOSIDADE, COMUNIDADE E ANCESTRALIDADE, vimos a público esclarecer que NOSSO SAGRADO e NOSSA COMUNIDADE não coaduna com o errado e com atitudes que afrontam os direitos individuais de cada indivíduo. NOSSAS ENTIDADES, não utilizam de práticas abusivas a quem os procuram em busca de conforto  espiritual. Apoiamos e pedimos que a investigação no caso de abuso sexual de mulheres, inclusive de uma adolescente por parte de uma pessoa que se diz “pai de santo” seja apurada e caso se confirme sua culpabilidade que o mesmo seja punido na forma da lei.
 
Atenciosamente,
 
Ògan Luiz Alves
Coordenador do Grupo Defensores do Axé
 
Assinam este documento:
Projeto Oníbodê
FOAFRO-DF
Mametu  Zaze Leuacy - Abassá de Iansã
Coletivo Mulheres de Axé do Distrito Federal e Entorno.
Ilé A%u015Fé Jagun Onigbejá ti O%u015Fun.
Ilê Axé Oyá Bagan
CEN-DF
PSB - Valparaíso - Coordenadora dos Interesses de Raça e Etnia - Luanda Gabriela
Mestra Auaracyara - OICD-DF" 

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