Cidades

Religioso é preso suspeito de abusar de, ao menos, quatro mulheres

Entre as vítimas, há uma adolescente, frequentadora do templo. O homem foi detido em Ceilândia

Mariana Machado, Darcianne Diogo
postado em 14/01/2020 18:19
Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) investiga o casoUm religioso de 31 anos foi preso na manhã desta terça-feira (14/1), acusado de abusar sexualmente de, ao menos, quatro mulheres, frequentadoras de um templo no Distrito Federal, cuja localização não foi divulgada. O homem foi detido em Ceilândia durante a Operação Veludo, deflagrada também nesta terça.
Segundo investigações, o homem também havia praticado o crime de aborto provocado por terceiro, com consentimento da gestante. As vítimas relataram que, com o pretexto de cometer os abusos, o suspeito "incorporava uma entidade" e dizia que seria "o amor da vida dele (entidade) em vidas passadas", induzindo-as à prática dos atos sexuais.
Entre as vítimas, há uma adolescente e uma mulher que relatou que os abusos iniciaram quando ela ainda menor de idade. Uma das moças chegou a engravidar. Ao saber da gestação, o religioso a induziu e a auxiliou a praticar o aborto, oferecendo remédios, apontou as investigações.
O caso é investigado pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam).

Religião

Depois de a polícia divulgar que o acusado seria um líder religioso, a Coordenadora de Políticas de Promoção e Proteção da Diversidade Religiosa da Subsecretaria de Direitos Humanos e Igualdade Racial, Adna Santos, a Mãe Baiana, informou que ele não é uma liderança nem pai de santo. Em realidade, trata-se de um Iaô, termo usado para pessoas iniciadas no candomblé. ;Ele se aproveitou do respeito que as pessoas têm pelos pais e mães de santo em Brasília para fazer o que fez.;
;Nossa comunidade está sempre de braços abertos. Todo mundo que chega é tratado com carinho. As pessoas se machucam lá fora e vêm para o terreiro cuidar das feridas. Assim como em todas as outras religiões, infelizmente, existem pessoas que chegam com má fé;, explica.
Membros da comunidade afro-religiosa do grupo Defensores do Axé no Distrito Federal assinaram juntos uma nota de esclarecimento, em que pedem a investigação do caso e esclarecem que a comunidade ;não coaduna com o errado e com atividades que afrontam os direitos individuais de cada indivíduo;.
;Esse ato, assim como se apoiar em religiões de matriz africana, dizendo que estava incorporado, isso não existe no nosso sagrado;, alerta o ;gan Luiz Alves. Ele explica ainda que, apenas ter ingressado no candomblé não torna a pessoa automaticamente um pai ou mãe de santo.
;Para a pessoa ser sacerdote, tem que ser iniciada, depois passa por, no mínimo, sete anos de aprendizado, e só então o orixá vai avaliar se ele tem o caminho para abrir uma casa. Existe um processo, uma hierarquia e, nós enquanto afro-religiosos comprometidos com a nossa fé, agimos de acordo com esses preceitos;, esclarece. ;Se ele praticou, se usou de má-fé das pessoas que o procuraram, é preciso que se investigue e que se apure realmente o fato. Sendo comprovada a culpabilidade, que ele pague nas formas da lei", acrescenta.

Confira a íntegra da nota:

"NOTA DA COMUNIDADE AFRO RELIGIOSA
Nós afroreligiosos que integramos o grupo ;DEFENSORES DO AXE; grupo constituído para a defesa de NOSSA RELIGIOSIDADE, COMUNIDADE E ANCESTRALIDADE, vimos a público esclarecer que NOSSO SAGRADO e NOSSA COMUNIDADE não coaduna com o errado e com atitudes que afrontam os direitos individuais de cada indivíduo. NOSSAS ENTIDADES, não utilizam de práticas abusivas a quem os procuram em busca de conforto espiritual. Apoiamos e pedimos que a investigação no caso de abuso sexual de mulheres, inclusive de uma adolescente por parte de uma pessoa que se diz ;pai de santo; seja apurada e caso se confirme sua culpabilidade que o mesmo seja punido na forma da lei.
Atenciosamente,
;gan Luiz Alves
Coordenador do Grupo Defensores do Axé
Assinam este documento:
Projeto Oníbodê
FOAFRO-DF
Mametu Zaze Leuacy - Abassá de Iansã
Coletivo Mulheres de Axé do Distrito Federal e Entorno.
Ilé A%u015Fé Jagun Onigbejá ti O%u015Fun.
Ilê Axé Oyá Bagan
CEN-DF
PSB - Valparaíso - Coordenadora dos Interesses de Raça e Etnia - Luanda Gabriela
Mestra Auaracyara - OICD-DF"

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação