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Correio Braziliense

Mulher é presa em Taguatinga por maus-tratos contra a própria mãe

Idosa foi encontrada acamada, sem dentes, desnutrida e com feridas abertas pelo corpo


postado em 15/01/2020 16:35 / atualizado em 15/01/2020 18:36

(foto: Divulgação / PCDF)
(foto: Divulgação / PCDF)
Uma idosa de 69 anos foi encontrada por policiais civis em situação de maus-tratos, em uma residência em Taguatinga Sul, na QSC 1. Segundo investigações, a mulher estava em estado vegetativo, sem dentes e desnutrida. A denúncia partiu do médico chefe da equipe do Núcleo de Atendimento Domiciliar (NRAD) do Hospital Regional de Taguatinga (HRT). O caso ocorreu nesta terça-feira (14/1).

Ao chegar no endereço, a equipe da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual, ou Contra a Pessoa Idosa, ou com Deficiência (Decrin) encontrou a idosa acamada, trajando apenas uma fralda, que estava suja de urina e fezes, coberta com um lençol velho. No corpo da mulher, haviam várias feridas abertas, inclusive uma delas com exposição do pulmão. 

(foto: Divulgação / PCDF)
(foto: Divulgação / PCDF)
Em decorrência do estado da vítima, agentes a encaminharam ao HRT, na qual foi submetida a uma cirurgia devido à grave ferida. Até a última atualização desta reportagem, a idosa permanecia no HRT entubada e em estado grave. 

"A residência estava em péssimas condições de higiene, com lixo espalhado pelo ambiente e forte odor de urina e fezes. Não havia ventilação no ambiente. A idosa estava há 10 anos em estado vegetativo. Ela sofreu um acidente automobilístico e começou a ter problemas físicos e psicológicos, chegando a desenvolver depressão", explicou a delegada-chefe da Decrin,  ngela Maria dos Santos.

Acusada

A responsável pelos cuidados com a idosa é a própria filha, Flávia Cristina Marçal, 38 anos,  que foi identificada e conduzida à delegacia para prestar esclarecimentos. Durante o depoimento, a autora do crime informou que, pelo fato da mãe ser alimentada por sonda, não tinha gastos com ela. "A acusada confessou que, quando a mãe sofreu o acidente, ela tinha 18 anos e abriu mão do ensino superior para cuidar da idosa", detalhou a delegada. 

De acordo com as investigações, a filha utilizava da aposentadoria da mãe,  no valor de R$ 3.900, para comprar roupas, utensílios para a casa e até para guardar na poupança. "A mulher disse que queria juntar dinheiro para fazer um funeral digno à mãe. Mas que só tinha conseguido reservar R$ 50", esclareceu  ngela Maria. 

Flávia Cristina prestou depoimento na Decrin nesta terça-feira. A suspeita foi autuada pelos crimes de omissão de socorro, exposição ao perigo e apropriação de bens, mas  foi liberada em seguida, após pagar fiança de R$ 2.500. "As penas, infelizmente, são muito curtas. Cada uma entre seis meses e um ano. Todas sujeitas a financiáveis. Agora, encaminhamos a denúncia para o Ministério Público e o caso segue em investigação. Caso a idosa venha a falecer, as penas podem se agravar", ressaltou a delegada. 

O crime é investigado pela Decrin e pela Seção de Investigação de Crimes Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (SID) e faz parte da Operação SOS Idoso, que tem por objetivo coibir crimes previstos no Estatuto do Idoso.



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