Cidades

Moradores do Cruzeiro relembram a Rua do Lazer e o projeto Canta Gavião

Ações foram realizados entre os anos de 1980 e 1990 e população sonha em reviver iniciativas em 2020

Cibele Moreira
postado em 17/01/2020 06:00
pessoas dançandoA década de 1980 é relembrada com carinho pelos moradores do Cruzeiro. O período que marcou a cena cultural de Brasília também foi o auge das ocupações de entretenimento na região. Um dos pontos de encontro era a Rua do Lazer, realizada aos finais de semana. A iniciativa, proposta pelos próprios habitantes, contava com atividades lúdicas para as crianças, além de espaço para a prática de esporte. Na parte da tarde, um palco era montado, e artistas locais se apresentavam no projeto Canta Gavião.

O aposentado Francisco de Assis Aquino, 61 anos, lembra da época com carinho. ;Foi um projeto muito bom e enriquecedor. A população se uniu para promover as atividades de lazer com jogos nas quadras, pintura de rosto para as crianças e ações regionalizadas;, conta Francisco, que sente falta do projeto. ;O movimento se iniciou no final da década de 1970 e seguiu como algo mais frequente até os anos de 1990. Depois, as pessoas começaram a se mudar, o projeto foi ficando cada vez mais espaçado. A gente tem um desejo de retomar, mas ainda falta recurso para isso;, relata. De acordo com ele, a Rua do Lazer ocorria de forma itinerante no Cruzeiro Novo, Cruzeiro Velho e na Octogonal.
pessoas andando de bicicleta

Nascido e criado no Cruzeiro, Rafael Fernandes de Souza, 42, tem uma memória afetiva da Rua do Lazer. ;Eu costumava ir quando era criança. Lembro que eles colocavam um rolo de papel para a gente desenhar. Tinha jogos e brincadeiras também, eu adorava ficar lá;, recorda. Inspirado nos momentos da infância e da mente criativa de quando era criança, ele criou uma série de livros de super-herói, um deles premiado. ;Eu gostava muito de desenhar e, aos 8 anos de idade, nasceu o personagem Dinâmico R, o super-herói do Cruzeiro, que fui amadurecendo a ideia depois;, explica o professor de história.

Moradora da região há mais de 40 anos, Josy Almeida, 53, conta que as atividades eram uma forma que a comunidade tinha de abraçar a cidade. ;É algo muito típico da época. Não tínhamos muitas opções de lazer, então criamos uma. Todo mundo conhecia todo mundo, a gente não tinha medo de ficar na rua. Era seguro;, relata a educadora. Para ela, foi a partir do projeto que se criou uma conscientização entre os jovens sobre uma convivência coletiva.

Origem

Precursor do projeto Canta Gavião e da Rua do Lazer, Robson Silva, 61, explica que a iniciativa surgiu de forma espontânea entre os jovens da época. ;Tudo começou em frente à igreja Nossa Senhora das Dores. A gente queria um espaço para expor nossas ideias, e as crianças precisavam de alguma atividade de lazer que pudesse entreter no período da manhã, enquanto ocorria a missa. À tarde, aconteciam os shows com bandas e artistas da cidade;, conta Robson.
De acordo com ele, grandes nomes da música nacional passaram pelo palco do Canta Gavião. ;Entre os artistas temos nomes como Cássia Eller, que era moradora do Cruzeiro, e o Renato Russo com a banda Aborto Elétrico.; O Canta Gavião era um dos pontos altos da cidade com uma diversidade cultural muito grande. A proposta cresceu tanto que se transformou no departamento cultural da Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (Aruc).

Além da Rua do Lazer e do Canta Gavião, o Cruzeiro contava com o Cine Clube Gavião ; uma parceria da Aruc com o Serviço Social do Comércio (Sesc) que promovia sessões de cinema ao ar livre. ;O movimento passou a ser da comunidade com um leque ampliado de opções culturais. No ano passado, tivemos duas edições especiais, e a nossa ideia é retomar o projeto este ano;, ressalta Robson.

O desejo para que essa iniciativa retorne é unânime entre aqueles que vivenciaram o período de ouro no Cruzeiro. ;Temos buscado apoio para que isso ocorra. A ideia é ter pelo menos quatro edições agora no ano de 2020;, expõe Rafael, que, desde 2007, integra a equipe do departamento cultural da Aruc.

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