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Correio Braziliense

Paralisação da Sanoli ameaça funcionamento de setores do HRAN

Em carta enviada nesta quinta-feira (16/1) à Secretaria de Saúde, o diretor-geral da Sanoli, Pedro Mattos, admitiu que o abastecimento da alimentação para servidores e acompanhantes desses hospitais está suspenso


postado em 17/01/2020 06:00

Paralisação no setor coloca sob risco recém-nascidos do Hran(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Paralisação no setor coloca sob risco recém-nascidos do Hran (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
O fornecimento de mamadeiras especializadas para recém-nascidos do lactário do Hospital Regional da Asa Norte (Hran) está comprometido. Por atraso de salários, as funcionárias da Sanoli responsáveis pelo preparo e pela distribuição das fórmulas infantis cruzaram os braços na tarde desta quinta-feira (16/1). Copeiras, cozinheiros e ajudantes de cozinha de outros cinco hospitais também entraram em greve. Eles não receberam o vencimento de janeiro, que deveria ter sido creditado no dia 8.

Em carta enviada nesta quinta-feira (16/1) à Secretaria de Saúde, o diretor-geral da Sanoli, Pedro Mattos, admitiu que o abastecimento da alimentação para servidores e acompanhantes desses hospitais está suspenso. São eles: Hospital de Base, Hospital Materno-Infantil (Hmib), além dos hospitais regionais da Asa Norte, de Ceilândia, do Gama e do Guará.

No total, há 2,2 mil funcionários que trabalham nas cozinhas de todas as unidades da rede pública de saúde, sendo que 1,8 mil estão ligados a contratos com o GDF. Segundo ressaltou a empresa, 540 empregados — ou seja, 30% do quadro — trabalham para “preservar o atendimento exclusivo dos pacientes”. O restante — 1.260 — continua com a paralisação.

Fontes da Sanoli informaram ao Correio que a greve das funcionárias no lactário do Hran é a situação mais grave no momento. No caso, três copeiras responsáveis pelo preparo das mamadeiras não compareceram nesta quinta-feira (16/1) à unidade de saúde. Por isso, foi preciso remanejar uma funcionária de outro hospital para fazer o procedimento. “O nosso medo é de que a interrupção dos serviços perdurem, e o problema se agrave, como um óbito, por exemplo. A situação é delicada, porque, se a criança ficar sem a manipulação, acaba tendo complicações de saúde”, alertou.

Carlos Augusto Dittrich, advogado do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Refeições Coletivas, Refeições Convênio, Refeições a Bordo de Aeronaves de Brasília (Sinterc), ressaltou que a Sanoli aguarda o repasse da Secretaria de Saúde e que se, o dinheiro não for depositado na conta dos trabalhadores, a greve continuará. “Esperamos que, até no início da semana que vem, o dinheiro caia na conta. Caso o pagamento não seja feito, nos reuniremos com o secretário para que os atrasos não ocorram nos próximos meses. Se precisar, acionaremos o Ministério Público do Trabalho”, adiantou.

Impasse

A Sanoli alega que há pendência de dívidas desde 2014 em relação ao repasse da Secretaria de Saúde à fornecedora. O valor do débito, segundo a empresa, chega a mais de R$ 62 milhões. Em nota oficial, a pasta informou que não há atraso nos pagamentos à companhia e que “a nota referente aos serviços prestados em dezembro foi entregue pela empresa em 2 de janeiro”. Ainda de acordo com a Secretaria de Saúde, o prazo para o GDF efetuar o pagamento é de 30 dias após a apresentação do comprovante de pagamento.

O órgão acrescentou que toma providências jurídicas contra a Sanoli. “Em reunião nesta manhã na Secretaria de Saúde, os diretores administrativos das Superintendências Regionais de Saúde foram orientados a notificar a empresa pelo não cumprimento do contrato”, detalhou a pasta.

* Estagiária sob supervisão de Guilherme Goulart

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