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Criadora do MAB visita o local e se emociona com possível reabertura

Entre tantas contribuições da artista plástica e gravurista Lêda Watson para a capital federal, uma delas é a criação do Museu de Arte de Brasília. Depois de 12 anos, ela visita a obra e se emociona ao vislumbrar a possibilidade de reinauguração do espaço

ROBERTA PINHEIRO
Roberta Pinheiro
postado em 18/01/2020 07:00
Lêda Watson com o secretário Bartolomeu Rodrigues: criadora do museu está otimista com a retomada das atividades do espaçoEra 1985 e, em seis meses, a artista plástica e gravurista Lêda Watson abria as portas do Museu de Arte de Brasília (MAB), às margens do Lago Paranoá. O espaço está localizado no Setor de Hotéis e Turismo Norte, entre a Concha Acústica e o Palácio da Alvorada. Seduzida pelo Planalto Central e assumida brasiliense pela luta em favor das artes plásticas, Lêda reuniu ali um importante acervo.

Trinta e quatro anos depois, 12 deles em que o MAB está de portas fechadas, a artista volta ao local com o entusiasmo e a esperança da reabertura do museu, prometida pelo Governo do Distrito Federal. ;Quando a gente é brasileira e brasiliense, qualquer coisa que alguém venha fazer em prol do nosso país e da nossa cidade, só não fica satisfeito quem é mau-caráter, e eu não sou. Existem pessoas que não ligam para o deterioramento (do MAB);, comenta Lêda.

Ao lado do secretário de Cultura e Economia Criativa do DF, Bartolomeu Rodrigues, Lêda visitou as obras da instituição. Por recomendação do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), o espaço ficou fechado por 10 anos e, desde 2017, está em reforma. ;Criei esse museu. Foram seis meses de luta. A gente fica triste (com o fechamento), mas quando vem um gestor determinado a mudar (a situação), você fica emocionado. É um prêmio;, completa.
A previsão para a inauguração do MAB é setembro

Apesar do atraso devido à complexidade da reforma ; a entrega da obra estava prevista para o aniversário de 60 anos de Brasília ; Bartolomeu afirma que os trabalhos não estão parados e não vão parar e que a reforma está sendo feita para dar condições adequadas ao museu. ;Agora, vamos trabalhar na reinauguração. Para o artista, para quem faz arte em Brasília e as pessoas do mundo acadêmico, esse museu tem uma importância fundamental. Era o museu de Brasília, era a referência e, de repente, saiu de cena. A minha intenção é reunir esses (artistas) pioneiros que ainda estão vivos e dispostos a colaborar. Não vou fazer nenhuma exposição sem me reunir com eles. Quem vai desenhar inauguração desse museu será ela (Lêda), igual na inauguração. É algo deles (os pioneiros), serão os primeiros curadores dessa reinauguração;, assegurou o secretário.

Diante do pedido da gravurista para visitar o local, Bartolomeu conta que se sentiu lisonjeado e que não poderia perder a oportunidade. ;A Lêda é uma referência. A vendo tão empolgada com o museu, me lembrou até uma reportagem do Correio quando o espaço estava fechado. Fiquei entusiasmado. É uma pessoa muito comunicativa e alegre;, descreve. Entre tantas histórias e experiências ali vividas, a gravurista relembra com satisfação o dia da inauguração, mas lamenta quando não pode concretizar o projeto da reserva técnica que desenvolveu.

Arte brasileira

Formado por obras de arte moderna e contemporânea, que vão da década de 1950 ao ano de 2001, o acervo do MAB é composto por 1.370 peças. Atualmente, esse acervo está descentralizado: a maioria se encontra no Museu Nacional da República, mas tem obras em outros pontos da cidade, como a própria sala do secretário e a residência oficial do governador em Águas Claras.

O custo da obra de recuperação do MAB, orçada em R$ 7,6 milhões em outubro de 2017, quando foi retomada, subiu para R$ 9 milhões, com recursos do Banco do Brasil. Depois de um longo processo para refazer questões estruturais, a construção se encaminha para ajustes de acabamento. O projeto de iluminação fotovoltaica, para captar luz solar, está pronto, bem como o de climatização do espaço; estão finalizando a ventilação da área de acervo; estão refazendo a catalogação das obras para reuni-las; a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) se prontificou a ajudar no plano museológico e, em breve, sairá a licitação da cafeteria.

Pelo planejamento, o prédio fica pronto entre o fim de junho e o início de julho e a reabertura será em setembro. ;Mostraremos mostrar que o museu é recuperável e tem seu espaço dentro de uma cidade que respira arte. Vamos recuperar a ideia do museu, não como lugar que você vai ver o passado, não como puro lazer e entretenimento, mas como local para reflexão. Um ponto onde a gente pode promover o debate sem nenhum viés autoritário, onde a gente pode refletir sobre nós mesmos, sobre a nossa arte, sobre o futuro de Brasília. Qual futuro que nós queremos para Brasília? O MAB precisa ter esse papel se não faz sentido;, analisa Bartolomeu.

Mesmo com menos de um mês no cargo, o secretário demonstrou que a questão patrimonial será uma das linhas da gestão. Primeiro, Bartolomeu sinalizou negociações positivas para incluir (no projeto de recuperação) a sala Villa-Lobos do Teatro Nacional no convênio firmado com o Ministério da Justiça. Agora, está disposto a concluir a reforma do museu. ;Brasília é uma cidade praticamente toda tombada. O tempo está passando, a capital tem 60 anos, mas não é mais uma criança. Nosso patrimônio está deteriorando. Se não cuidar, vai desmoronar e não podemos esperar desmoronar para fazer algo;, concluiu.

Para seguir esse caminho, Rodrigues parece ter conquistado uma aliada de peso. ;Nesses 60 anos, dos quais 50 eu participei, era desilusão atrás de desilusão. A preservação de uma obra é essencial. A cultura é o que o povo faz, pensa e age desde que nasce. A cultura é a ação do povo e tem que ser preservada. Eu me orgulho de poder participar desse processo;, finaliza Lêda.

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