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Correio Braziliense

DF teve média de 60 motoristas flagrados alcoolizados por dia em 2019

Número de autuações por alcoolemia no DF passa de 21.727 em 2018 para 22.379 em 2019, um crescimento de 3%. Detran-DF garante que fiscalização será intensificada neste ano. Especialista alerta para a importância das medidas educativas


postado em 18/01/2020 07:00 / atualizado em 17/01/2020 23:57

Além de autuações na Lei Seca, número de mortos nas vias da capital cresceu em 1% de 2017 para 2018. Dados de 2019 ainda serão consolidados(foto: André Violatti/Esp. CB/D.A Press)
Além de autuações na Lei Seca, número de mortos nas vias da capital cresceu em 1% de 2017 para 2018. Dados de 2019 ainda serão consolidados (foto: André Violatti/Esp. CB/D.A Press)
O número de brasilienses flagrados dirigindo alcoolizados cresceu em 2019. Levantamento do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) mostra que ocorreram 22.379 autuações pela Lei Seca no ano passado. Comparado a igual período de 2018, quando houve 21.727 infrações, a quantidade de ocorrências cresceu cerca de 3%. Isso significa que, por dia, 61 moradores do Distrito Federal foram multados por alcoolemia. Com a proximidade do carnaval, os órgãos de fiscalização do trânsito da capital pretendem fechar ainda mais o cerco contra os motoristas irregulares.

O Detran atribui o crescimento das autuações à intensificação da fiscalização no DF. De acordo com o diretor de Policiamento e Fiscalização de Trânsito do departamento, Francisco Saraiva, a integração entre órgãos de fiscalização, como o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF) e a Polícia Militar, também impactou no aumento de autuações. “Passamos a fazer operações estratégicas, que exigem maior planejamento. Descobrimos roteiros por onde esses condutores costumam passar, como em eventos que envolvem bebida alcoólica, e montamos blitze”, informa.

Saraiva também considera que, apesar do aumento das infrações, o motorista brasiliense está mais “educado”. “Se analisarmos o número de notificações em relação ao universo de motoristas ou da frota do Distrito Federal, é perceptível que esse número está baixo”, ressalta. Segundo o diretor, a fiscalização será intensificada no restante do ano, principalmente no carnaval. “Teremos blitze inteligentes, com locais e horários. Serão várias operações simultâneas em áreas em que haverá blocos carnavalescos”, frisa.

Durante a operação Carnaval de 2019, o Detran montou pontos de fiscalização estratégicos para coibir motoristas a conduzirem veículos após ingerir bebidas alcoólicas. A ação ocorreu de 2 a 5 de março, período em que a folia foi comemorada no ano passado, e o órgão autuou 266 motoristas na Lei Seca, cerca de 66 condutores por dia.

Acidentes fatais

Além das autuações na Lei Seca, o número de pessoas mortas no trânsito do Distrito Federal cresceu em 2019. Dados preliminares do Detran mostram que ocorreram 279 óbitos no ano passado. Em 2018, o número registrado foi de 277, um aumento de 1% na comparação entre os dois períodos. Além disso, os dados de dezembro estão sendo calculados pelo órgão, e, até o fim de janeiro, a quantidade pode subir.

Desde 2017, a capital passou a registrar aumento no número de casos de óbitos no trânsito. Naquele ano, 254 pessoas morreram nas vias brasilienses. Em comparação com 2018, a quantidade de registros cresceu quase 10%. Do total de vítimas de 2017, 44% (121) apresentaram resultado positivo para álcool ou drogas. Entre janeiro e novembro de 2018, 42% (110) das pessoas que perderam a vida em acidentes haviam ingerido entorpecentes. Os dados de 2019 ainda não foram consolidados pelo Detran.

O especialista em mobilidade de sistema e transporte da Estácio Brasília, Artur Carlos de Morais, destaca que a educação é a peça-chave para que o trânsito se mantenha seguro. De acordo com ele, o aumento de autuações está atrelado à intensificação da fiscalização, e a quantidade de mortes se mantém sem grande crescimento justamente por causa desse trabalho. “Com aumento de fiscalização, teremos impacto nas autuações e, consequentemente, redução de pessoas sofrendo e causando acidentes.”

O estudioso alerta que as campanhas educativas no DF precisam acontecer de forma interrupta e não apenas em épocas com alguma data comemorativa. “Os problemas no trânsito acontecem o ano inteiro, por isso, a educação é tão importante”, afirma. Sobre a Lei Seca, Artur comenta que ela atende à necessidade dos órgãos de trânsito brasileiros. “Hoje, a pessoa pode responder criminalmente ou administrativamente. Todas as regras estão muito bem especificadas para a população. Para reduzir as estatísticas de morte, o ideal é investir em fiscalização e campanhas”, reforça.

O que diz a lei

» O Código de Trânsito Brasileiro prevê que dirigir sob influência de álcool é considerado infração gravíssima. Quem for pego com níveis acima de 0,3 mg/litro pode ser preso, ter o veículo retido e a Carteira Nacional de Habilitação suspensa por um ano. A multa para os motoristas que cometerem a infração é de R$ 2.934,70. Em caso de reincidência em até 12 meses, a multa é dobrada e alcança o valor de R$ 5.869,40. Em 2019, a Lei nº 11.705, conhecida como Lei Seca, completou 11 anos.

Autuados por alcoolemia

2018 - 21.727
2019 - 22.379
Variação – 3%

Mortes no trânsito

2018 – 277
2019 - 279
Variação - 1%

Conscientes a tempo 

O alerta dos perigos da alcoolemia chega de diferentes formas. Alguns precisam passar por problemas para depois encerrar a prática. Há seis meses, a estudante Mariana Costa, 22 anos, foi autuada durante uma blitz de madrugada. A jovem estava em um bar da Asa Norte. Ao sair de lá, foi parada em um ponto de fiscalização. “Me neguei a fazer o teste do bafômetro, mas precisei pagar a multa, que é de um valor muito alto”, relatou. Após o episódio, ela diz ter parado de misturar álcool e volante.

Na quinta-feira, Mariana estava acompanhada do amigo Gabriel Viana, 22, em um bar da Asa Sul. Agora, ela garante procurar estabelecimentos próximos ao trabalho para facilitar a ida a pé. “A gente sabe que não pode beber e dirigir, mas, às vezes, insistimos. Não pode mesmo. Eu poderia ter me machucado ou machucado alguém. Agora, o carro fica em casa”, reforça.

Para o engenheiro Michel Martins, 33, sair sem carro quando se consome bebida alcoólica gera sensação de tranquilidade. Morador do Guará, ele costuma ir a bares no Plano Piloto, principalmente na Asa Sul, aos fins de semana. No deslocamento, ele opta por transportes por aplicativo, e o automóvel fica na garagem. “Já me arrisquei dirigindo depois de beber, porém, percebi que isso não compensa e parei. Para sair, geralmente, gasto entre R$ 10 e R$ 15 chamando carros particulares.”

Michel acrescenta que, mesmo que a pessoa não tenha bebido tanto, não é possível ter segurança na hora de pegar no volante. “O problema maior não é ser pego na fiscalização, são os acidentes. Mesmo que você não tenha culpa, vai estar errado e sentir que poderia ter evitado”, afirma. De acordo com ele, outro benefício de sair sem carro é não se arriscar em estacionamentos durante a noite.

Colaboraram Ana Clara Avendaño e Marcos Braz (estagiários sob supervisão de Marina Mercante) 

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