Publicidade

Correio Braziliense

Saúde mental: rede pública do DF oferece grupos de terapia comunitária

A ideia é quebrar o tabu que envolve as questões da vida, os relacionamentos e o autoconhecimento


postado em 25/01/2020 07:00

A aposentada Isabel Monton aprendeu a valorizar a vida após experiência traumática na juventude(foto: Vinicius Cardoso/Esp. CB/D.A Press)
A aposentada Isabel Monton aprendeu a valorizar a vida após experiência traumática na juventude (foto: Vinicius Cardoso/Esp. CB/D.A Press)
O primeiro mês do ano é marcado pela campanha Janeiro Branco, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da saúde mental. A ideia é quebrar o tabu que envolve as questões da vida, os relacionamentos e o autoconhecimento. No Distrito Federal, existem grupos de ajuda e de terapias comunitárias ligados ao sistema público de saúde.

“É cada vez mais importante fomentar uma cultura de prevenção ao adoecimento”, diz o psicólogo Daniel Cordeiro. Por isso, é importante atentar para alguns sinais. “Normalmente, sintomas como irritabilidade, insônia, hiperatividade e procrastinação indicam que o paciente não está bem. Se isso acontecer durante quatro semanas ou mais, é necessário procurar ajuda”, indica. “A psicoterapia leva ao autoconhecimento, e os indivíduos podem se prevenir antes de apresentar os sintomas. Devemos cada vez mais sair dos consultórios e fazer campanhas, não apenas em janeiro, mas ao longo do ano”, acrescenta.

De acordo com a Secretaria de Saúde do DF, de janeiro a outubro, 70.841 atendimentos ambulatoriais psicossociais foram registrados em 2019. O psicólogo e professor titular do Centro Universitário de Brasília (Uniceub) Daniel Goulart alerta para a necessidade de ampliar a rede de atenção psicossocial. “E deve vir acompanhada de qualidade no serviço. Uma das soluções é a busca por residências terapêuticas. Pensar como desenvolver instituições não para medicar, e sim reintroduzir a pessoa na sociedade”, sugere.

Para o especialista, as doenças da mente estão relacionadas a variáveis externas. “O ritmo de vida acelerado, a maquinização das relações e a fragilidade dos laços pessoais afetam a vida das pessoas”, opina. O contexto social também gera vulnerabilidades, segundo Goulart. “Questões relativas à cultura e à educação e a fragilização da perspectiva previdenciária geram um efeito emocional. As pessoas se sentem mais inseguras com o futuro, e isso intensifica os sofrimentos” avalia.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a capacidade do indivíduo para se recuperar do estresse rotineiro, ser produtivo e contribuir com a sociedade são os principais elementos que levam à saúde mental. O termo vai além de doenças. “Diz respeito à qualidade dos processos de vida, que incluem as relações, o trabalho, as oportunidades sociais e as questões relativas aos direitos humanos”, explica o psicólogo Daniel Goulart.

Relações sadias

Os relacionamentos afetivos afetam a qualidade de vida, acredita o especialista em inteligência espiritual Fabrício Nogueira, para quem uma boa interatividade e sociabilidade são essenciais à saúde. “Relações sadias geram pessoas sadias.” Além disso, a busca por um propósito de vida é essencial para os indivíduos. “Cada um tem uma função. Grande parte das pessoas que tem sofrido com depressão e ansiedade não estão sintonizadas com elas, por isso, não têm motivação para acordar. A pessoa tem que ter um propósito e uma missão”, defende.

A aposentada Isabel Monton, 75 anos, percebeu que ter uma vida ativa, fazer terapia e estar rodeada de pessoas são atitudes que geram bem-estar para ela. “A vida é bela”, diz. Mas nem sempre a carioca pensou assim. Aos 23 anos, após uma separação difícil, ela tentou tirar a própria vida. “Cheguei ao meu limite. Estava sentindo muita dor emocional e resolvi desistir de tudo.”

A tentativa, felizmente, não deu certo, e ela teve que aprender a lidar com as frustrações para recomeçar. “Logo após o ocorrido, descobri que estava grávida. A partir daí, refleti que outro ser necessitava de mim e resolvi me cuidar”, conta. Ao se mudar para Brasília, novos desafios vieram. “Fiz terapia para conseguir me adaptar. Ficou tudo bem.” Hoje, ela é exemplo de superação. “Todos os dias, saio para dançar e estou sempre rodeada de pessoas que me fazem bem”, comemora Isabel.

Exemplos de doenças mentais

Disfunções no funcionamento da mente podem afetar qualquer pessoa e em qualquer idade. As doenças estão relacionadas à alterações do sistema nervoso central:

» Depressão
» Ansiedade 
» Esquizofrenia
» Transtornos alimentares 
» Bipolaridade 
» Síndrome de Burnout

Onde obter ajuda 

Grupo de ajuda mútua

Cras de Taguatinga: QNG 27 A/E 4Contatos: 99235-9026 (Thiago), 98182-8406 (Marlei) e 9935-70989 (Brenda)

Terapia Comunitária
» CAPS III Riacho Fundo 1 
Antigo Instituto de Saúde Mental segundas, às 10h 

» CAPS III Samambaia
Quadra 302, Conjunto 5, Lote 1
sextas, às 8h

» CAPS AD II Sobradinho 2 
Área Rural 17, Chácara 14, antigo Centro de Saúde 3
aberto ao público

» CAPS II Taguatinga
QNF Área Especial 24
terças, às 9h

» CAPS III Riacho Fundo 1
antigo Instituto de Saúde Mental segundas, às 10h 

» UBS 2 Asa Norte
EQN 114/115
terças, às 8h30

» UBS 2 Brazlândia
Quadra 45, Área Especial 1
sextas, às 7h30

» UBS 8 Ceilândia
EQNP 13/17 Área Especial A/B/C/D
quintas, às 8h30  

» UBS 10 Ceilândia
QNN 12 Área Especial 1
quintas, às 8h  

» UBS 12 Ceilândia
QNQ 3/4 — quintas, às 8h30  

» UBS 1 Cruzeiro
SHCES Quadra 601, Lote 1, Cruzeiro Novo — terças, às 17h; e quintas, às 15h 

» UBS 6 Gama
EQ 12/16, Setor Oeste
terças, às 15h 

» UBS 1 Guará
QE 6, Lote C, Guará 1
terças, às 10h

» UBS 2 Guará
QE 23 Lote C, Guará 2
terças e quintas, às 8h

» UBS 1 Núcleo Bandeirante
Terceira Avenida, AE 3
quintas, às 9h30

» UBS 1 Paranoá
Quadra 21, Área Especial, Conjunto 15
terças, às 8h; e quintas, às 15h

» UBS 3 Paranoá
Quadra 2 Conjunto A, Área Especial 
quartas, às 14h30

» UBS 4 Planaltina 
Estância Nova Planaltina Quadra 2 Rua A, Área Especial
quartas (quinzenal), às 15h; e sextas (uma vez por mês)

» UBS 17 Planaltina
Condomínio Morumbi, Vale do Sol — Quadra N, Lote 15 BR-020
quartas, às 14h

» UBS 3 Recanto Das Emas 
Quadra 104/105 Área Especial 
quartas, às 14h 

» UBS 1 Riacho Fundo 1
QN 9, Área Especial 11
sextas, às 16h

» UBS 2 Riacho Fundo 1
QN 1, Área Especial 1, Conjunto 32
segundas, às 9h

» UBS 3 Samambaia
QN 429, Conjunto F Lote 1 Expansão
sextas, às 8h30

» UBS 5 Samambaia
QN 523, Área Especial 1
segundas, às 14h

» UBS 7 Samambaia
QD 302, Conjunto 5, Lote 1
sextas, às 14h

» UBS 9 Samambaia
CAPS AD III – QS 107 Conjunto 8, 
Lotes 3, 4 E 5
quintas, às 19h30

» UBS 5 São Sebatião
DF-140, KM 7,5, ao lado da Emater
quintas, às 15h30

» UBS 2 Sobradinho
Quadra 3, Área Especial, entre os conjuntos D/E
terças, às 9h; e sextas, às 14h

» UBS 5 Sobradinho 2
QNS 16, Rua 14, Casa 1
quintas, às 10h

» UBS 8 Taguatinga 
QNL 24, Área Especial, 
Taguatinga Norte, Nova QNL
segundas, às 9h 

» UBS 1 Vicente Pires 
— Rua 4C Chácara 12, Colônia Agrícola Samambaia
segundas, às 14h  

» UBS 3 Vila Planalto 
Rua Piauí, Área Especial
quartas, às 14h

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade