Cidades

O adeus ao segundo motorista de app assassinado em 2020

Correio Braziliense
Correio Braziliense
postado em 26/01/2020 04:06
Jovem de 29 anos foi enterrado no Gama. Cerca de 200 pessoas compareceram


Indignação e revolta marcaram o enterro do motorista de aplicativo assassinado na Granja do Torto. Familiares, amigos e outros condutores estiveram presentes ontem no adeus a Maurício Cuquejo, 29 anos, no Cemitério Campo da Esperança, no Gama. O jovem é a segunda vítima de latrocínio (roubo com morte) entre motoristas de aplicativo de 2020. Ele foi norto na madrugada de quinta-feira, no Núcleo Rural Boa Esperança 2.

;Essa morte brutal foi tão injusta. Ele era um guerreiro e morreu como tal, trabalhando. Que haja justiça e que as leis mudem a fim de amparar e dar mais segurança aos motoristas de aplicativo;, pede Shirley Sodré, tia de Maurício. O corpo do jovem foi encontrado em uma poça d;água por moradores da região. O carro dele, um Renault Logan branco, estava próximo ao corpo. Três homens e um adolescente foram detidos pelo crime.

Maurício tinha se graduado em gastronomia recentemente e tinha planos de abrir o próprio negócio por meio da renda adquirida nas corridas. Por ter hemofilia, um distúrbio na coagulação do sangue, não conseguia trabalhar muito tempo em pé. ;Ele tinha comprado um carro automático para poupar o joelho dele e evitar riscos. Mesmo assim, morreu trabalhando;, lamentou a tia. ;Minha irmã lutou 29 anos para conseguir tratamento para ele viver. É muito injusto vê-lo partir dessa forma;, acrescentou.

Cerca de 200 pessoas se reuniram na capela onde o corpo foi velado de caixão aberto. ;Maurício era cheio de sonhos e muito bem-humorado;, disse a amiga da família Hellen Virgini, 45. ;A família quer justiça e toda luta é bem-vinda e necessária. Os aplicativos vieram para ajudar os usuários, mas eles também têm que garantir a segurança;, opina. Emocionados, familiares cantaram cânticos de louvor e fizeram orações.

A namorada do jovem, Natália Lohane, 23, lamentou o ocorrido. ;Era como ele sempre dizia: a Justiça é ineficiente e não funciona para o pobre;, relembrou. O casal estava junto há três meses, morando em uma residência nova localizada em Santa Maria. No dia do crime, foi ela quem ligou para a família do rapaz às 6h, após Maurício não aparecer em casa.

Motoristas de aplicativo fizeram uma homenagem ao colega. Em fila, eles buzinaram até o cemitério Campo da Esperança do Gama, com o objetivo de pedir mais segurança aos condutores. ;Queremos a identificação das pessoas que entram nos nossos carros;, pediu o motorista Alessandro Santos, 40. ;Estamos cansados desses crimes, de fazer passeatas. Este ano, já foram dois. Estão nos matando por nada;, disse.

Antes da descida do caixão, um dos motoristas de aplicativos, com apelido de Scooby, foi à frente para lamentar a morte de Maurício e homenagear os familiares. ;Prestamos condolências em nome de todos os motoristas de aplicativos;, declarou. ;Não queremos que casos como esse se repitam. Merecemos mais segurança para trabalhar;, pediu.

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