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Correio Braziliense

Polícia Civil ouve testemunhas de chacina em acampamento de ciganos

Tiroteio na tarde deste sábado (1º/2) deixou quatro pessoas mortas e duas feridas, em Sobradinho. Polícia apura se negociação de veículos de origem ilícita teria relação com os assassinatos


postado em 01/02/2020 21:02 / atualizado em 01/02/2020 21:09

Dois dos três suspeitos de envolvimento no crime seguem detidos na 13ª Delegacia de Polícia (Sobradinho)(foto: Ricardo Daehn/CB/D.A Press)
Dois dos três suspeitos de envolvimento no crime seguem detidos na 13ª Delegacia de Polícia (Sobradinho) (foto: Ricardo Daehn/CB/D.A Press)
A Polícia Civil ainda colhe depoimentos de testemunhas da chacina que aconteceu na tarde deste sábado (1º/2), em um acampamento de ciganos em Sobradinho. Após um tiroteio no local, na região conhecida como Rota do Cavalo, quatro pessoas morreram e duas ficaram feridas. Apesar de a linha de investigação ainda estar em aberto, há suspeita de que o caso tenha a ver com uma negociação de veículos de origem ilícita.

Ao Correio, o delegado Wellinton Fabres, plantonista que cuida do caso, afirmou que há três suspeitos de envolvimento no crime. Dois deles estão detidos na 13ª Delegacia de Polícia (Sobradinho), unidade onde a ocorrência foi registrada; o outro se encontra no Hospital Regional do Gama (HRG).

“Temos algumas testemunhas e estamos fazendo oitivas para definir exatamente a dinâmica do crime e confirmar a autoria. Vamos aguardar a conclusão da perícia para definir exatamente o procedimento que vamos adotar”, comentou.

O delegado confirmou que duas das vítimas baleadas tratavam-se de ciganos moradores da comunidade. Uma delas encontra-se hospitalizada; a outra, morreu no Hospital Regional do Paranoá (HRPa). Além disso, no acampamento, a Polícia Civil encontrou veículos de origem ilícita, produtos de furto, roubo e adulterados.

“A questão do desacordo comercial ainda não está confirmada. Isso ainda vai ser analisado ao longo da investigação, que vai continuar, pois trata-se de um crime bárbaro, com muitas vítimas. É algo que deve ser analisado com cautela”, ressaltou Wellinton. 

O delegado-chefe da 13ª DP, Hudson Maldonado, comentou que, por enquanto, não há indicativos de que o crime tenha sido motivado por questões de preconceito. “Não há indícios, até o presente momento, de que tenha sido uma ação dirigida contra os ciganos por serem ciganos. Isso, até o presente momento, não ocorreu”, comentou.

“A principal linha seria um desacordo da comercialização de alguns veículos que parecem ser ilícitos. Nesse desacordo, houve troca de tiros, facadas, agressões e, infelizmente, a tragédia de pessoas mortas e feridas”, completou Maldonado.

Dois envolvidos internados 


Ao chegarem à cena do crime, a Polícia Militar e os bombeiros encontraram três mortos — com marcas de agressão física e lesões por armas branca e de fogo —, além de duas pessoas feridas. Os dois sobreviventes eram primos e moradores da comunidade cigana.

Eles foram levados para o Hospital Regional do Paranoá (HRPa). No entanto, um deles não resistiu aos ferimentos e morreu. O outro segue internado. Ele informou à polícia que não tem relação com as três vítimas encontradas mortas e que nenhuma delas morava no acampamento.
 
Dois suspeitos de envolvimento nos assassinatos deram entrada nos hospitais regionais de Santa Maria e do Gama após o tiroteio. Um deles, atingido no braço, recebeu alta médica e foi levado para prestar depoimento na 13ª DP. O outro permanece internado. Um casal que transportou os dois atingidos para as duas unidades de saúde também serão ouvidos.

Colaborou Ricardo Daehn 

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