Cidades

Projeto da UnB digitaliza trabalhos produzidos entre 1962 e 2006

O intuito é permitir que tanto a comunidade universitária quanto a população em geral tenha acesso às pesquisas realizadas por alunos de mestrado e doutorado

Caroline Cintra
postado em 03/02/2020 06:00
Além de bibliotecários, o projeto conta com o apoio de bolsistas %u2014 alunos da UnB selecionados para receber bolsa remunerada Resgatar memórias e compartilhar conhecimento. Esses são os principais objetivos do novo projeto da Biblioteca Central da Universidade de Brasília (BCE-UnB), que pretende digitalizar todas as teses e dissertações defendidas desde a fundação da universidade, em 1962, até 2006, ano em que a entrega do trabalho digital tornou-se obrigatório. No período anterior, cerca de 15 mil trabalhos dos programas de pós-graduação foram apresentados. O intuito é permitir que tanto a comunidade universitária quanto a população em geral tenha acesso às pesquisas realizadas por alunos de mestrado e doutorado. Todo o material será disponibilizado gratuitamente em uma plataforma digital. (veja em Como acessar as teses e dissertações da UnB).

A diretoria da BCE separou um espaço com máquinas e scanners, que funciona como laboratório, para a realização do trabalho. Os equipamentos foram oferecidos pela administração da UnB, e o projeto ainda conta com recursos da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF), alcançados por meio da aprovação de um edital. ;A biblioteca está atuando no mundo digital na divulgação desses conteúdos. A ideia é facilitar o acesso para as pessoas não precisarem vir pessoalmente e acessar tudo por um dispositivo de forma rápida, confortável e segura e, assim, terem mais conhecimento;, explica o diretor da BCE, professor Fernando César Lima Leite.

Todos os trabalhos terão versão com acessibilidade para pessoas com deficiência visual e auditiva. Até o momento, foram digitalizados materiais da Faculdade de Ciências da Computação. Estão em andamento as teses e dissertações da Faculdade de Comunicação e Faculdade de Engenharia. Ainda não há prazo para a finalização das digitalizações, mas a equipe está animada e esperançosa para que tudo seja divulgado o quanto antes. ;O intuito é lançar a plataforma no início do semestre, em março, mas é bastante coisa. Vamos alimentando o site aos poucos. Temos digitalizado de nove a 10 trabalhos por dia, mas vai andar mais rápido, porque uma das máquinas que ganhamos digitaliza 90 páginas por minuto. Então, quanto mais rápido, melhor;, ressalta o professor.

Ele destaca que o projeto pretende beneficiar a comunidade como um todo. Além das teses e dissertações, há outro projeto de digitalização dos demais materiais reunidos na BCE, como partituras, obras raras e manuscritos medievais. ;São pequenos tesouros reunidos no mundo físico e que as pessoas precisam ter conhecimento que existem. A ideia de digitalizar é colocar na internet para oferecer mais material para novas pesquisas;, diz Fernando.

A bibliotecária Sueli Assis é uma das integrantes da equipe que digitaliza os materiais. Ela conta que são analisados documento por documento para saber em qual máquina deve ser escaneado. ;Parece ser um trabalho fácil, mas não é. Essa análise leva tempo. Depois, ainda editamos as folhas, tiramos a sujeira, os amassados, para que facilite a leitura no meio digital;.

Dedicação


Além de bibliotecários, o projeto conta com o apoio de bolsistas ; alunos da UnB selecionados para receber bolsa remunerada. A estudante de museologia Ana Elvira Valadares, 20 anos, lembra que viu cartazes espalhados pela UnB com a proposta do projeto e se interessou. ;Achei muito legal, porque é uma área em que quero atuar. Em ciência de informação, fiz alguns projetos com plataformas digitais novas que estão aplicando nos museus do país todo e vi nesse projeto uma boa oportunidade;, revela.

Ao todo, seis bolsistas foram escolhidos. Ana disse que não falta trabalho e que existe uma parceria entre todos. ;Às vezes, um fica sem scanner e pede para o outro. Não falta coisa para fazer. O que me motiva todos os dias é saber que tem gente levando conhecimento para pessoas que não podem vir aqui. Por isso, tenho interesse em mexer com museologia digital;, conta a estudante.

Para o aluno de biblioteconomia Marcus Augusto Guedes, 19, a experiência também é uma oportunidade de mostrar a amplitude da UnB e os projetos realizados pela biblioteca. ;Ela é tão grande. Isso que fazemos é apenas um pedaço do que a gente pode fazer para ajudar, ainda mais na área digital, que é o futuro. E nos dá uma base do que podemos fazer na profissão;, afirma.

Autorização


Apesar do trabalho gratificante para quem participa, durante o processo a equipe encontra algumas dificuldades, inclusive jurídicas. Para divulgar os trabalhos defendidos antes de 2006, é preciso a autorização do autor. ;Precisa da assinatura de um termo. E, como faz muito tempo, precisamos que essa informação chegue a todos. Aqueles que defenderam antes desse ano devem entrar em contato conosco (veja em Como entrar em contato com a Biblioteca Central da UnB);, informa a coordenadora da Gestão de Informação Digital (GID) da BCE, Patrícia Nunes.

Ela ressalta que muitos trabalhos não são divulgados na íntegra, porque parte das obras tem direito autoral. ;Quem for ler vai saber que existe determinada informação ali, mas não vai ter acesso ao texto na íntegra. Isso acontece mais com os textos atuais. A gente dá essa opção de divulgar completamente ou parcialmente. Os mais antigos, acredito que serão divulgados completos;, diz Patrícia.

Como acessar as teses e dissertações defendidas na UnB

repositorio.unb.br


Como entrar em contato com a Biblioteca Central da UnB

Pelo e-mail projetodigitalizacaounb@bce.unb.br ou pelos telefone (61) 3107-2687
ou (61) 3107-2688

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