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Festa anima o comércio

Com mais brasilienses ficando na cidade, varejo projeta aumento nas vendas, principalmente em bares e restaurantes. Abertura de shoppings durante o feriado também é motivo de entusiasmo

Correio Braziliense
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postado em 13/02/2020 04:07
Renata Tomazini mora em Alexânia (GO), mas veio fazer compras no DF




; DARCIANNE DIOGO

O carnaval na capital federal deve atrair 1,2 milhão de pessoas, segundo a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec). Com esse quantitativo, a pasta calcula que, no período, sejam injetados R$ 240 milhões na economia do Distrito Federal. A transferência da festa na Esplanada dos Ministérios para a Fundação Nacional das Artes (Funarte) fez o comércio reduzir a projeção de venda: a previsão de crescimento será de 2% ; mesmo percentual do ano passado ;, de acordo com a análise do Sindicato do Comércio Varejista do DF (Sindivarejista). Mas nem isso tirou o otimismo dos comerciantes, que estão com boas expectativas.

Para o presidente do Sindivarejista, Edson de Castro, os setores que mais terão crescimento no carnaval serão as lojas de fantasias, armarinhos, bares e restaurantes. ;Embora tenhamos perdido cantores nacionais que poderiam atrair mais turistas, o carnaval de Brasília não deixa de movimentar o setor econômico. Estamos próximos de grandes cidades, em que há moradores que vêm para cá curtir os blocos de rua;, explicou.

Neste ano, uma novidade é a abertura dos shoppings durante os dias da festa. ;É um investimento a mais na economia. Até porque muitos centros comerciais farão bailes infantis e matinês. Então, as pessoas que não gostam dos blocos de rua irão procurar estabelecimentos como esse para gastar;, projetou Edson de Castro. Segundo ele, com o retorno antecipado dos alunos às instituições de ensino, a expectativa é de que menos pessoas viajem nesse período. ;No ano passado, mais de 300 mil pessoas viajaram, porque as aulas começaram mais tarde. Agora, estimamos que 200 mil pessoas saiam do DF, o que é positivo;, destacou.

Isabelle Estrela, 24 anos, é uma das administradoras de um armarinho na 307 Sul que vende acessórios de carnaval. A loja traz uma diversidade de itens: tiaras, tules, brincos, presilhas, blusas e máscaras. A jovem conta que as marcas fornecedoras começaram a entregar as peças de carnaval no fim de janeiro. ;As empresas que nos abastecem começaram a sentir que o público está procurando acessórios específicos de festa e mudaram a coleção. Costumo falar que esta época é o nosso segundo Natal, porque vendemos muito;, pontuou.

Segundo ela, a loja tem investido em peças artesanais para atrair os compradores. ;Todos gostam de um acessório diferente, que nenhuma outra loja tem. Esse é o nosso diferencial. Além disso, o preço varia bastante, vai de brinco, de R$ 5, até tiara de R$ 70. Acredito que, com isso, venderemos muito, até porque as pessoas estão antecipando as compras;, ressaltou.
A colombiana Sharon Latorre, 30, mora em Brasília há oito meses. Ela passará o carnaval na capital pela primeira vez, mas preferiu adiantar as compras. ;Estou em busca de acessórios de cabelo e calculei que vou gastar R$ 100. No geral, os preços estão ótimos. Achei brincos de R$ 10 e tiaras de R$ 12. O ideal é comprar o quanto antes, porque, em cima da hora, tudo aumenta de preço;, disse.

Marlúcia Dionísio, 42, gerencia um estabelecimento de artigos de festa na Asa Sul. Ela também se diz otimista quanto à economia no período do carnaval. ;Começamos a abastecer a loja com acessórios específicos há um mês, justamente porque as pessoas começam a procurar. A expectativa é a melhor e, com certeza, fevereiro é o melhor mês para nós em questão de lucro;, frisou.

A engenheira civil Renata Tomazini, 25, passará o carnaval em Alexânia (GO), mas decidiu comprar os adereços aqui na capital. ;Na última semana, as lojas costumam aumentar o preço ou as peças vão acabando. Visitei alguns armarinhos, mas os preços estão bem parecidos, na média;, contou.

Expectativa

Segundo o economista da G2W Investimentos Ciro Almeida, neste período, é natural haver um fluxo de atividade econômica maior na capital. ;Brasília se tornou um dos principais destinos de carnaval, não necessariamente por causa da entrada de turistas, mas porque o brasiliense está viajando menos. Há uma retomada da atividade do comércio nessa época, principalmente no mercado informal. Os trabalhadores aproveitam os blocos para vender espetinho, água, comidas e gerar uma renda extra. Os shoppings também irão abrir, e isso é positivo. Quem não gosta de folia leva a família para passear;, afirmou.

De acordo com ele, o nicho de fomento à economia no período de festa será o de restaurantes e bares. ;Esses estabelecimentos que ficam próximos ao evento tendem a ter uma demanda alta de clientes, o que acaba refletindo na atividade de consumo.;

José Carlos Eira, 43, é gerente de um bar na 201 Sul e espera aumentar em 45% o lucro do local com o carnaval. Na tentativa de atrair mais clientes nesta época, José conta que reformou o estabelecimento e aderiu a cardápios exclusivos para a festa. ;Estaremos com mais opções de cerveja e promoveremos shows nos dias de folia. A reinauguração está marcada para domingo, data próxima à do começo das festas. Para nós, este é o melhor momento de faturamento, porque o bar lota, e as pessoas sempre vêm para beber e pedir petiscos;, disse, animado.

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