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Correio Braziliense

Drogas podem favorecer, mas não justificam crimes como morte de bebê

Psicólogo analisa comportamento de mãe acusada de matar bebê em Vicente Pires e sugere atenção da família e do Estado para evitar outros casos


postado em 15/02/2020 07:00 / atualizado em 15/02/2020 10:46

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Apesar do uso de drogas possibilitar comportamentos violentos, por si só não justifica um crime como esse, segundo o psicólogo do Conselho Regional de Psicologia (CRP-DF) Romeu Maia. Especialista em saúde mental e psicanalista, ele explica que o efeito da substância química varia de pessoa para pessoa. Do mesmo modo, afirmar que existe um transtorno psicológico na suspeita seria precipitado sem, antes, uma avaliação do histórico.

“Pode existir um transtorno psicótico? Pode. Um transtorno de personalidade? Também. Talvez, a gente possa afirmar com mais segurança que, com certeza, há um nível de tensão e sofrimento muito alto”, avaliou. Na visão dele, algo deveria ter sido feito quando Júlia esteve no hospital, após o afogamento na banheira. “Poderiam ter conversado com a família, conhecido melhor o caso e, conforme fosse, chamado o Conselho Tutelar, porque se tratava de uma proteção de menor”, ponderou.

Passado o ocorrido, o psicólogo sugere o suporte especializado tanto para a acusada quanto para os demais membros da família. “Hoje, na rede pública, o melhor são os Caps.”. “O pior é o preconceito e o julgamento precipitado das pessoas. Sem base consistente, isso cria fantasmas sociais.”

Ajuda psicológica

A rede pública de saúde do Distrito Federal oferece espaços de atendimento voltados para a saúde mental:

» Centros de Atendimento Psicossocial (Caps): espaços destinados ao cuidado com a saúde mental, de maneira multidisciplinar. Conta com psicólogos, psiquiatras e demais profissionais relacionados ao tema. No DF, há 18 unidades.

» Centro de Referência de Assistência Social (Cras): unidade de assistência social responsável pelo atendimento de famílias ou indivíduos em situação de vulnerabilidade e risco social. É a porta de entrada para acesso a políticas públicas. No DF, há 27 unidades.

» Centro de Referência Especializada em Assistência Social (Creas): oferece serviço especializado de proteção e atendimento a famílias e indivíduos em situação de ameaça ou violação de direitos. No DF, há 11 unidades.

» Conselho Tutelar: o Distrito Federal conta com 40 conselhos em todas as cidades. Cada um é destinado à proteção de crianças e adolescentes.

Dopado

A Polícia Civil investiga a hipótese de que Giuvan Felix tenha sido dopado por Laryssa horas antes do crime. Em depoimento, o jovem afirmou que ela providenciou o jantar, no entanto, não comeu nem bebeu. Laryssa teria feito uma macarronada para ele, mas não comeu. Ao invés disso, saiu para comprar um sanduíche. Ela também teria feito dois sucos distintos: um para ele, e um para ela. A jovem ainda teria servido um copo d’água ao rapaz antes de dormir, o que teria sido lembrado pelo jovem no depoimento aos policiais. O homem passou por exames toxicológicos e de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal (IML), na quinta-feira. Os resultados dos laudos devem sair em até 30 dias.

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