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Correio Braziliense

Vice-diretor do CEF 410 Norte contradiz versão contada por professor

Vice-diretor afirmou que não havia reunião marcada naquele dia e que ninguém esperava por Odailton na escola. Além disso, testemunhas não confirmam que professor bebeu suco


postado em 15/02/2020 16:05 / atualizado em 15/02/2020 16:50

O vice-diretor do Centro de Ensino Fundamental (CEF) da 410 Norte, Diego Faria, contradisse, neste sábado (15/2), algumas das informações dadas pelo professor Odailton Charles de Albuquerque em áudios encaminhados a colegas. Faria foi uma das testemunhas que compareceu à reconstituição do que aconteceu na escola em 30 de janeiro, dia em que Odailton foi envenenado.

Segundo Faria, não havia reunião marcada com Odailton naquele dia e ninguém o esperava na escola. O vice-diretor disse ainda que chegou a ver o professor indo embora do colégio e que se falaram apenas rapidamente. Ele acrescentou que não percebeu nem teve conhecimento no dia sobre o mal-estar sentido por Odailton. 

O Centro de Ensino Fundamental 410 Norte, onde o professor disse suspeitar ter sido envenenado(foto: Renata Rios/CB/D.A Press)
O Centro de Ensino Fundamental 410 Norte, onde o professor disse suspeitar ter sido envenenado (foto: Renata Rios/CB/D.A Press)
Faria afirmou ainda que a situação toda tem sido estressante e exaustiva, e agradeceu o apoio da Secretaria de Educação. "Eles têm dado muito suporte, inclusive aos alunos, com psicólogos. Aos poucos a rotina vai voltando ao normal."
 

Testemunhas não citam suco de uva

Durante todo o sábado, investigadores da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte) tentam reconstituir o que aconteceu na escola no dia 30. O professor morreu dias depois de passar na escola, em 4 de fevereiro. Em áudios enviados pelo celular, disse que passou mal depois de tomar um suco de uva oferecido por uma funcionária da instituição.

Além de Faria, outras 11 testemunhas, seis peritos criminais, uma médica legista especializada em psiquiatria forense, os advogados das partes, um promotor do Ministério Público do DF e um integrante do Tribunal do Júri acompanham a simulação.
 
"A reprodução começa desde o início em que chega a primeira testemunha. É logico que, quando o professor (Odailton) chega, a gente explora mais ainda todos os detalhes, principalmente a questão do suco de uva. Até o momento, ninguém está trazendo o suco de uva para a simulação. Ele aparece apenas no áudio enviado pela vítima", disse o delegado responsável pelo caso, Laércio Rossetto

A principal linha de investigação da polícia é de homicídio por envenenamento ocorrido dentro da escola, mas os agentes não descartam outras possibilidades. "Nós vamos juntar o que está sendo feito neste sábado com a investigação, os laudos periciais e com o resultado do IML", afirmou Rossetto.  
 

Diarreia e vômito

Ao deixar o colégio, Odailton passou mal e precisou ser socorrido ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Odailton Charles teve diarreia, vômito, convulsão e perda de consciência. Apesar dos esforços médicos, ele não resistiu e morreu após cinco dias internado em estado grave. 

Em áudios enviados a amigos, o docente disse suspeitar que poderia ter sido envenenado com um suco de uva oferecido por uma funcionária da instituição. Ele também afirmou, em outra mensagem,  que tinha o objetivo de denunciar um esquema de corrupção.


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