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Correio Braziliense

Hipótese de suicídio embaralha investigação sobre morte de professor da 410

Em áudio antes de morrer, ex-diretor do CEF 410 Norte acusou a atual diretora da escola de ter colocado veneno em bebida, mas, pela primeira vez, delegacia admite trabalhar também com a hipótese de autoeliminação


postado em 16/02/2020 08:00 / atualizado em 16/02/2020 12:07

Polícia Civil e peritos reproduziram o dia do envenenamento com 12 testemunhas ontem, na escola(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Polícia Civil e peritos reproduziram o dia do envenenamento com 12 testemunhas ontem, na escola (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
A morte do ex-diretor do Centro de Ensino Fundamental 410 Norte Odailton Charles de Albuquerque segue permeada de mistério e de contradições. Ontem, pela primeira vez, após horas de reprodução simulada do dia do envenenamento, o delegado Láercio Rossetto, da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), afirmou trabalhar também com a hipótese de suicídio.

O caso foi registrado como tentativa de homicídio pela família da vítima, quando o professor precisou ser socorrido em estado grave ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran), em 30 de janeiro. Ele morreu em 4 de fevereiro e o caso passou a ser tratado como homicídio, hipótese ainda não descartada.

A simulação começou às 8h e só terminou à noite. A Polícia Civil e o Instituto de Criminalística (IC) convocaram 12 testemunhas que estiveram na escola para reproduzir o que, na visão de cada uma, aconteceu na data em que Odailton foi envenenado pela substância proibida aldicarbe, presente em raticidas como o chumbinho.

“Nós as colocamos no local, pegamos as versões separadamente e fazemos uma comparação. Então, elaboramos o laudo e passamos à autoridade policial para subsidiar a investigação”, explicou o diretor do IC, Emerson Pinto de Souza. De acordo com o perito, o documento deve sair nos próximos dias, bem como o resultado do esfregaço das mãos da vítima e do exame nos bolsos da calça dela.

A tentativa é de identificar a presença ou não de suco de uva. Em áudios encaminhados pelo próprio docente a amigos, ele relatou ter ganhado a bebida de uma colega de trabalho. Inclusive, levantou a hipótese de ter sido envenenado. Até o momento, não foi possível determinar que Odailton Charles consumiu o produto, seja por meio de depoimentos de testemunhas, seja por exames realizados pelo IC e pelo Instituto de Medicina Legal (IML). O consumo da bebida, no entanto, também não é descartado pelos investigadores da 2ª DP.

Sobre as versões contadas pelas testemunhas, as autoridades não quiseram afirmar ainda se houve contradições. No entanto, em entrevista, o atual vice-diretor da escola, Diego Faria, desmentiu o que foi dito pela própria vítima em áudio enviado a colega de trabalho. O professor disse que havia uma reunião marcada na instituição de ensino. “A gente não o esperava na escola naquele dia”, garante Faria.

No áudio, Odailton também disse suspeitar de um suco de uva oferecido a ele por uma colega de trabalho, pois ele pretendia denunciar um suposto esquema de corrupção na instituição. No dia em que passou mal, o docente foi até a escola para assinar folhas de ponto e passar informações à nova gestão, uma vez que tinha deixado o cargo de diretor. Dentro do colégio, sentiu o mal-estar e precisou ser socorrido ao Hran.

Odailton teve diarreia, vômito e sofreu convulsão e perda de consciência. Apesar dos esforços da equipe médica, não resistiu e morreu após cinco dias internado em estado grave. O advogado contratado pela família dele preferiu não comentar as investigações.

Colaborou Sarah Peres

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