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Correio Braziliense

Conheça histórias de amor que começaram no carnaval e já duram anos

Casais que se conheceram durante a folia e permaneceram juntos contam suas histórias e dão dicas de como manter a paquera para além da quarta-feira de cinzas


postado em 17/02/2020 06:00

A comunicadora Ingrid Castilho, 27 anos, e administrador Hugo Senna, 33, se conheceram no bloquinho Vai com as profanas(foto: Arquivo Pessoal)
A comunicadora Ingrid Castilho, 27 anos, e administrador Hugo Senna, 33, se conheceram no bloquinho Vai com as profanas (foto: Arquivo Pessoal)
O senso comum prega que o carnaval é a festa da curtição. Mas o que fazer ao encontrar alguém especial no meio da multidão e perceber que aquela paquera poderia se tornar algo duradouro? Para muitos, a probabilidade de achar a alma gêmea durante a bagunça do trio elétrico ou do bloquinho é nula. Porém, quem acha que amor de carnaval não tem futuro está enganado. Muitas pessoas chegam até a se casar, como é o caso da empresária Patrícia Domingos Mrad, 31 anos, e do militar Robert Wagner de Arruda Almeida, 32. Eles contam que se conheceram em 2008, durante a folia, e desde então, estão juntos.

Patrícia lembra que, quando conheceu Robert, não imaginou que as investidas iriam resultar em um relacionamento sério. “Não dava nada pela gente, pensei que não daria certo. Estávamos bêbados e só queríamos curtir a festa”, conta. “Ele disse que salvou meu número de celular na cabeça, e duvidei que no outro dia ligaria. Pra minha surpresa, ele ligou.” A empresária relata que, mesmo com algumas dificuldades, o relacionamento começou a ser construído a partir da ligação. “Nos encontramos, e passávamos todos os carnavais juntos. Claro que tivemos algumas discussões, afinal, era carnaval e mal nos conhecíamos. Eu só queria aproveitar”, recorda.

Após oito meses de namoro, Patrícia e Robert se casaram. Para a empresária, o cupido do relacionamento foi o acaso. “Estava destinado. Eu não esperava me casar tão cedo, ainda mais com alguém que conheci no meio de uma folia e bêbada”, brinca. Há mais de uma década juntos e com dois filhos, ela ressalta que, hoje, eles optam em passar o feriado com a família. “Já curtimos tanto, que preferimos levar uma vida mais tranquila”, diz. Para aqueles que esperam encontrar a alma gêmea durante a festa, ela sugere: “Acredite no seu destino, ele é uma chance para o amor”.

Amor despretensioso

Sem pretensão ou interesse em se relacionar. Foi assim que a comunicadora Ingrid Castilho, 27, e o administrador Hugo Senna, 33, se conheceram. O casal se encontrou durante o bloquinho Vai com as profanas. “Minha primeira impressão dele foi engraçada. Não entendi a fantasia que ele estava usando. Ele veio me explicar depois que estava de padeiro e que faltava alguns acessórios de identificação. Ou seja, eu nunca ia adivinhar”, rememora Ingrid.

O casal conta que trocou olhares durante a festa e, por incentivo de um amigo, Hugo foi conversar com a parceira. “Ele falou que ela era o meu número. Certa hora, nos esbarramos e me apresentei”, lembra o administrador que, em seguida, pegou o telefone da comunicadora, mandou algumas mensagens e começou a conversar. “Nos encontramos em outros dois blocos, eu sempre com a mesma fantasia. Brasília tem disso, até porque não era um carnaval tão cheio”, afirma. Ele brinca: “Essa é a minha dica infalível, tem que usar a mesma fantasia. Se deu certo uma vez, mantenha”.

Os parceiros explicam que, naquele momento, não estavam à procura de nenhum pretendente. “No carnaval, não há muitas pessoas à procura de namoro. Existe, mas não era o nosso caso. Penso que nunca devo estar fechado para o amor. Vai que me apaixono? E foi o que aconteceu”, ressalta Hugo. Nascida em Vitória, no Espírito Santo, Ingrid compartilha que não pensava em relacionamento na época. “Estava tranquila, não tinha pretensões de encontrar ninguém. Tinha acabado de chegar a Brasília, queria focar no trabalho que tinha conseguido e que me deu a oportunidade de vir morar na capital do país.”

Há quase três anos com Hugo, a comunicadora dá a dica como manter um relacionamento após a folia: “Há uma música que fala que os opostos se distraem e os dispostos se atraem. Eu acho que resume bem o que eu quero dizer. Para começar um relacionamento, é preciso estar disposta a dar uma oportunidade para a pessoa mostrar quem ela é e ser feliz”, aconselha. Para Ingrid, independentemente de carnaval, o que importa é ambos combinarem. “No nosso caso foi isso. Além de atração física, descobrimos coisas em comum e, assim, nos conhecemos com o passar dos anos. A dica principal é manter sempre o respeito e o amor.”

Cupido

De acordo com a especialista em terapia de casal e psicóloga Lia Clerot, não existe bom período para encontrar o amor e, durante o carnaval, as pessoas estão mais abertas ao flerte. “Estão mais relaxadas e divertidas, o que facilita o processo de sedução e encantamento pelo outro”, diz. Lia afirma que, durante o festejo, o consumo de bebida alcoólica muda o comportamento das pessoas. “O medo da rejeição é menor, justamente pelo clima de festa e por causa da ideia de que no carnaval ‘tudo pode’. Por outro lado, esse mesmo clima de descontração pode levar a uma relação descompromissada, efêmera e superficial”, comenta.

A psicóloga salienta que o carnaval é visto como uma data de satisfação pessoal e momentânea. “A mentalidade, geralmente, é de encontrar alguém para se satisfazer, não para conhecer em profundidade.” Para o relacionamento durar e dar certo, Lia adverte que as pessoas precisam ter em mente que a máscara é só na fantasia. “Não adianta sustentar uma personalidade que, passada a folia, não existirá. É claro que isso não quer dizer despejar todos os seus defeitos, mas agir com naturalidade, sem forçar situações ou afinidades que não se sustentarão”, recomenda.

Mas como lidar com casos em que não há interesse de uma das partes? “Esteja preparado para o ‘não’ e não se culpe ou despeje esse sentimento no outro. Existem várias razões para um relacionamento não ir para frente, não quer dizer que há algum problema com você e deve aceitar isso”, ressalta a terapeuta. “A insistência, além de ser aversiva também pode ser encarada como um assédio se passar dos limites. Mostre que entende o fato de não querer levar uma relação a sério e avalie a possibilidade de manterem uma amizade”, acrescenta. Para ela, o amor de carnaval pode dar certo: “A paixão fulminante em meio a confetes e serpentinas pode sim ser um grande amor, mas só o tempo pode construir uma relação com solidez”, acredita.

*Estagiária sob supervisão de Fernando Jordão

Para manter a relação


Especialista em terapia de casal e psicóloga Lia Clerot dá as seguintes dicas para os casais:
  • Saiba separar o indivíduo de quem ele está sendo no carnaval: às vezes, o interesse pode ser muito mais por quem o outro está sendo naquele instante do que por quem realmente é. E quando o carnaval vai embora, todo aquele encantamento se vai, dando lugar à decepção;
  • Mantenha-se aberto ao diálogo, mesmo que nos ambientes de festa isso não seja tão favorável, já que estamos falando de um casal em meio a uma multidão falando alto ou até gritando e música alta;
  • Não aumente as expectativas: tente manter o controle, pois a rejeição de um amor não correspondido é realmente muito penosa. Quando o outro se sente pressionado, fica desconfortável e não há atração que resista. Uma pessoa que transparece grandes expectativas em cima do outro também tende a se mostrar insegura, provocar situações de ciúmes, afastando as possibilidades de interesse do outro.

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