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Correio Braziliense

Órgãos públicos trabalham em parceria no combate ao mosquito da dengue

Com previsão de aumento dos casos prováveis de dengue em fevereiro, Executivo local tem investido em medidas para fiscalizar terrenos públicos e privados. Salas e tendas para acompanhamento de pacientes aumentarão atendimento na rede pública


postado em 20/02/2020 06:00

Tendas do Iges-DF contam com consultório médico, ar-condicionado, farmácia e leitos para hidratação(foto: Davidyson Damasceno/Iges-DF)
Tendas do Iges-DF contam com consultório médico, ar-condicionado, farmácia e leitos para hidratação (foto: Davidyson Damasceno/Iges-DF)
A ameaça do mosquito Aedes aegypti está no radar das autoridades públicas do Distrito Federal. Dentre os vírus transmitidos pelo inseto, a dengue é o que mais preocupa, devido ao total de casos prováveis. Só em janeiro, esse número chegou a 1.419 — 84,1% a mais que no primeiro mês de 2019 —, com uma morte registrada. Na tentativa de combater a proliferação do vetor, a Secretaria de Saúde, em parceria com outros órgãos públicos, trabalha para aumentar o atendimento à população, ampliar as ações educativas e promover visitas em domicílios. 

Sete hospitais da rede pública ganharam nesta quarta-feira (19/2) salas de acolhimento para pacientes com suspeita da doença. As unidades escolhidas ficam em Brazlândia, Planaltina, Taguatinga, Gama, Guará, Paranoá e Asa Norte. Todas elas também contam com sala de reidratação oral e venosa. A previsão é de que o serviço funcione, inicialmente, durante 30 dias.

As Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) de Ceilândia e Sobradinho receberam tendas para atendimento de pessoas com sinais e sintomas da doença. As quatro demais, além do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), terão a mesma estrutura montada em breve. Representantes de todas as administrações regionais se reuniram nesta quarta-feira (19/2) para traçar um plano de medidas emergenciais, como o levantamento de paradas de ônibus que precisam de limpeza, mapeamento de imóveis abandonados e de áreas com sucatas nas ruas, além de ações para manejo adequado do lixo.

Reforço

Subsecretário de Vigilância à Saúde, Divino Valero Martins ressalta que, com a instalação das novas estruturas para acompanhamento de pacientes, é possível que o número de casos prováveis de dengue subam no boletim epidemiológico referente ao mês de fevereiro. “Posso garantir que os números aumentaram. Teremos todos os dados tabulados daqui a uma semana. Eles servirão como norteador para as cidades e bairros em que devemos trabalhar”, afirma.

O GDF não informou a estimativa de gastos com as ações deste ano. Mas o governo contratará 600 agentes comunitários de saúde e de vigilância ambiental para atuar na campanha de combate ao mosquito e de conscientização. “Trabalhamos para não ter óbitos, mas 92% dos focos (da dengue) estão dentro dos domicílios. É um desafio permanente. Todo administrador regional também é coordenador da (campanha contra a) dengue na cidade dele. E, hoje, todos eles estão envolvidos diretamente nisso”, reforçou Divino.

Diagnosticada com dengue no ano passado, a diarista Maria Dias da Costa, 60 anos, nunca imaginou que a picada de um mosquito pudesse provocar tanta dor. “Eu não tinha forças para levantar e ir à cozinha pegar um copo d’água. Fiquei no hospital três dias e o resto do tempo em casa. Um mês depois, ainda sentia doer as juntas", lembra. Moradora de Sobradinho 2, Maria acredita que o esforço para evitar novos casos deve partir de uma ação conjunta entre o governo e a população. "As pessoas têm de limpar os quintais e não deixar o lixo acumular água”, ressalta.

Professor do curso de biologia no Centro Universitário de Brasília (UniCeub), Raphael Igor Dias lembra que eliminar focos do mosquito transmissor da dengue, da febre amarela, do zika e da chikungunya não deve acontecer só em época de chuvas. “As pessoas esquecem que as medidas que devem tomar são permanentes, pois o mosquito se reproduz o ano inteiro. A montagem das tendas se faz necessária, mas precisamos de mais iniciativas voltadas para a educação”, cobra Raphael.

Para saber mais

Estrutura e procedimento

Diferentemente das tendas montadas no ano passado, as novas estruturas provisórias são maiores, têm consultório médico, ar-condicionado, farmácia e 10 leitos para hidratação venosa. Os pacientes passam por triagem e, se necessário, fazem o teste rápido. A depender da gravidade do caso, o atendimento pode continuar em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou no hospital. A equipe de atendimento conta, ao todo, com 24 funcionários, integrantes das UPAs e do cadastro de reserva do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF). O atendimento ocorre diariamente, das 7h às 19h.

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