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Correio Braziliense

Brasil, capital Brasília: Governo Federal funciona aqui desde 0 hora


postado em 22/02/2020 07:00 / atualizado em 22/02/2020 20:57

Esta matéria foi publicada originalmente na edição de 21 de abril de 1960 do Correio. Sua republicação faz parte do projeto Brasília Sexagenária, que até 21 de abril de 2020 trará, diariamente, reportagens e fotos marcantes da história da capital. Acompanhe a série no site especial e no nosso Instagram. 

Fogos de artifício na Esplanada dos Ministérios marcam a chegada do 21 de abril de 1960(foto: Arquivo Público do DF)
Fogos de artifício na Esplanada dos Ministérios marcam a chegada do 21 de abril de 1960 (foto: Arquivo Público do DF)
Com a elevação da Santa Hóstia à zero hora de hoje, Brasília tornou-se a capital do Brasil. Possantes refletores do Exército, que iluminaram completamente a cidade, lançavam seus jatos de luz cruzando o céu na Praça dos Três Poderes, num espetáculo deslumbrante, enquanto a banda do Corpo de Fuzileiros Navais executava o Hino Nacional. Profundamente comovido, o presidente Juscelino Kubitschek tinha seus olhos marejados de lágrimas, conquanto a emoção silenciava a enorme multidão, que compreendia que uma nova era se abria para os destinos do país. 

 

A solenidade

Às 23,30 horas de ontem, com a Praça dos Três Poderes literalmente tomada pelo povo e a esplanada dos Ministérios abarrotada de carros e veículos de tôda espécie, das mais longínquas regiões do país, foi colocada no altar a cruz diante da qual frei Henrique Coimbra celebrou a Primeira Missa no Brasil.

(foto: Arquivo/CB/D.A Press)
(foto: Arquivo/CB/D.A Press)

 

Os famosos Dragões da Independência perfilavam-se do Palácio do Planalto ao edifício do Supremo Tribunal Federal, postados em alas, por entre as quais passaram o presidente da República, d. Sarah Kubitschek e o vice-presidente João Goulart, para ocupar os lugares de honra que lhes estavam destinados e, bem assim, as autoridades eclesisticas, civis e militares, formando o grande cortejo que acompanhava o cardeal D. Manuel Gonçalves Cerejeira, Legado Pontifício, que, às 23,45, horas iniciava a missa solene em Ação de Graças pela instalação da nova capital. 

 

No decorrer da Missa, alternavam-se palavras de D. Helder Câmara e cânticos orfeônicos pelo Coral de Brasília. 

 

Findo o Santa Sacrifício, o cardeal Cerejeira, em candentes palavras, rememorou os laços de amizade que sempre ligaram Portugual ao Brasil. Salientou que, se em 1500 quis a Divina Providência que pela sua Pátria fôsse nosso país descoberto, agora, com Brasília, o Brasil se descobria a si mesmo.

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