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Correio Braziliense

Juscelino recebeu sob palmas a chave da cidade que construiu

Espetáculo magnífico na Praça dos Três Poderes - Ovacionado o presidente pela multidão - JK-1965 - Entusiasmo cívico e fatos pitorescos


postado em 22/02/2020 07:00 / atualizado em 22/02/2020 20:56

Esta matéria foi publicada originalmente na edição de 21 de abril de 1960 do Correio. Sua republicação faz parte do projeto Brasília Sexagenária, que até 21 de abril de 2020 trará, diariamente, reportagens e fotos marcantes da história da capital. Acompanhe a série no site especial e no nosso Instagram. 

Juscelino acena para a população na inauguração de Brasília(foto: Lisl Steiner/O Cruzeiro/EM/D.A Press)
Juscelino acena para a população na inauguração de Brasília (foto: Lisl Steiner/O Cruzeiro/EM/D.A Press)
Profundamente emocionado, mas sempre sorridente e acenando para os populares que lhe proporcionaram uma das maiores ovações, o presidente Juscelino Kubitscheck, acompanhado de sua espôsa, sra. Sarah Kubitscheck, de suas filhas Marcia e Maristela e do sr. João Goulart, e senhora, chegou, ontem, precisamente às 17,28 horas, à Praça dos Três Poderes, a fim de receber das mãos do sr. Israel Pinheiro as chaves da cidade.

 

À chegada do presidente, a multidão que se comprimia junto aos cordões de isolamento prorrompeu em aplausos. A esta altura, o sr. Juscelino Kubitschek de Oliveira estava profundamente emocionado, contendo as lágrimas a muito custo.
 

GRANDE CORTEJO 

Um grande cortejo acompanhou o presidente até o Palácio do Planalto. Algumas horas antes, soldados da Polícia do Exército se postaram nas ruas por onde passaria a comitiva oficial, impedindo o trânsito.

 

Apesar de tôdas as providências, não puderam os policiais impedir que numerosos carros estranhos se incorporassem ao cortejo, o que provocou o atraso presidencial de quase trinta minutos.

 

EVOLUÇÕES DE AVIÕES 

Aviões da Fôrça Aérea Brasileira, de vários tipos, desde os de transporte até a Esquadrilha da Fumaça faziam evoluções sobre a Praça dos Três Poderes, dando ainda mais beleza ao espetáculo. Ao escurecer, soltaram os aviões fumaças coloridas, realizando evoluções ainda mais perigosas, o que arrancou aplausos da numerosa assistência presente à solenidade.

 

JK-1965

A Praça dos Três Poderes apresentava um aspecto alegre. Centenas de carros conduziam flâmulas e cartazes com os dizeres: <>. Gritos e aplausos se sucediam de instante a instante, enquanto o sr. Juscelino Kubitschek e seus acompanhantes subiam a majestosa rampa do Palácio do Planalto.

 

Já a esta altura era o sr. Juscelino Kubitschek acompanhado pelo sr Israel Pinheiro, primeiro prefeito da nova capital. A multidão tomada de entusiasmo, prosseguia no seu "côro" de vivas a Juscelino e este, cada vez mais emocionado, acenava para o povo e apertava a mão dos que estavam mais próximos.

(foto: Arquivo/CB/D.A Press)
(foto: Arquivo/CB/D.A Press)

 

A ENTREGA DA CHAVE

A entrega da chave, às 17,40 hs., foi, em si, uma cerimônia rápida. Em meio a seu discurso, o sr. Israel Pinheiro fez uma ligeira pausa, tirou um bonito estôjo azul do bolso, e dêle retirou a chave.

 

Estava, porém, emocionado e teve dificuldades em segurá-la, sendo auxiliado pela filha do presidente, Márcia. O sr. Juscelino Kubitschek percebeu o pequeno embaraço e sorriu ligeiramente, passando a mão, afetuosamente, pelos cabelos da filha.

 

Em seu discurso, cuja íntegra publicanos na terceira página deste caderno, Israel Pinheiro louvou a ação do presidente Juscelino e disse das dificuldades encontradas para mudar a mentalidade conformista do povo brasileiro. Brasília foi o primeiro passo para tal. 

 

PARA O ALTO

Logo que recebeu a chave, durante a interrupção do discurso do sr. Israel Pinheiro, o presidente da República elevou-a a fim de que a multidão que ali se aglomerava a visse.

 

Depois, baixou o braço. Porém, sempre simpático, e atendendo ao apêlo dos fotógrafos elevou-a mais uma ou duas vezes.

 

JUSCELINO PREOCUPADO

Durante todo o tempo do discurso do sr. Israel Pinheiro, o sr. Juscelino Kubistchek, apesar de manter um sorriso nos lábios, demonstrava grande preocupação.

 

Olhava constantemente o relógio e de cada vez denotava maior impaciência.

 

O motivo da preocupação do sr. Juscelino Kubitschek foi rapidamente explicado: tinha que estar às 19 horas no aeropôrto, a fim de receber o cardeal Cerejeira, e temia se atrasar, já que o cerimonial do Vaticano é ainda mais rigoroso do que o da própria Inglaterra.

 

O segundo orador foi o sr. Everaldo Queiroz, que falou em nome dos trabalhadores de Brasília.

 

DISCURSO DO PRESIDENTE

O discurso do presidente foi dedicado especialmente aos candangos, os homens, que no seu entender, foram os verdadeiros heróis de Brasília.

 

Em certo trecho de sua oração, cuja íntegra vai publicada na página 3 dêste caderno, disse o presidente, falando diretamente aos trabalhadores:

 

— "Reconheço e proclamo, neste momento, que foi expressão da força propulsora do Brasil".

 

Terminado o seu discurso, o presidente despediu-se rapidamente do sr. Israel Pinheiro e dirigiu-se para o aeropôrto.

 

AS AUTORIDADES

Tôdas as autoridades civis, militares e eclesiásticas compareceram à Praça dos Três Poderes.

 

Chegaram, isoladamente, sem nenhum atraso e se colocaram em uma arquibancada especial armada à esquerda do presidente da República.

 

Durante alguns minutos, tiveram que enfrentar um sol causticante e, enquanto os mais obedientes ao protocolo mantinham-se firmes, os demais escondiam o rosto entre as mãos, para poder escapar aos raios solares. 

 

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