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Correio Braziliense

Servir o Brasil


postado em 22/02/2020 07:00 / atualizado em 22/02/2020 20:55

Esta matéria foi publicada originalmente na edição de 21 de abril de 1960 do Correio. Sua republicação faz parte do projeto Brasília Sexagenária, que até 21 de abril de 2020 trará, diariamente, reportagens e fotos marcantes da história da capital. Acompanhe a série no site especial e no nosso Instagram. 


Em seu último artigo do CORREIO BRAZILIENSE, cujo derradeiro número tinha a data de janeiro de 1823, Hipólito José da Costa falou do seu periódico "cujo escôpo é unicamente servir o Brazil".

 

Provando que nada se perde na vida dos povos, como na natureza, reata-se hoje a existência do jornal, fundado e impresso em Londres, mas para advogar a causa da independência brasileira, as ideias liberais e o constitucionalismo, que eram as grandes aspirações do tempo.

 

Podemos dizer que ao reabrir o novo ciclo da existência do CORREIO BRAZILIENSE, fazemo-lo com o mesmo impulso que moveu Hipólito José da Costa: advogar a causa do Brasil, na hora revolucionária da mudança de sua capital, dentro dos mesmos princípios democráticos e constitucionais que o conduziram.

 

Como a Hipólito, preocupa-nos fundamentalmente a consolidação da unidade nacional e se entre os sonhos do grande jornalista, já em 1813, figurava a transferência do govêrno brasileiro para o interior, é que estava convencido de que seria essa uma forma de garantir melhor a integridade política do país.

 

A geração que acabou de realizar, quase milagrosamente e num incrível testemunho de arrôjo e capacidade que assombra o mundo inteiro, êsse sonho que era também de José Bonifácio e de Varnhagen, tem consciência de que entre as grandes expressões e esperanças do seu gesto, está a de que se confere à unidade brasileira novo e mais forte alicerce. 

 

Brasília não será apenas a sede do govêrno federal, mas um poderoso centro de atração das fôrças que se desenvolvem no litoral para as grandes regiões que se acham ainda desertas e das quais é imprescindível que a nação tome posse, se deja integrar-se a si mesma e oferecer a seu povo, que tão rapidamente se multiplica, uma pátria materialmente digna do seu alto destino.

 

Eis o pensamento que levou a geração de hoje a empenhar-se sob o comando de um líder tão corajoso quanto confiante, o presidente Juscelino Kubitschek, na realização dessa obra esplêndida, feita sobretudo de fé no futuro e que envolve o cumprimento da vontade expressa dos legisladores constitucionais da República, desde a fundação do novo regime. 


(foto: Arquivo/CB/D.A Press)
(foto: Arquivo/CB/D.A Press)

 

A conjunção de fatôres propícios, como o de estar na presidência da República um administrador que não hesita e se obstina no levar a termos as grandes obras que considera indispensáveis ao desenvolvimento do Brasil, o de existir no país um eleveco de arquitetos cuja originalidade de concepção é admirada em todo o mundo, o de possuirmo em todas as artes e ofícios da construção civil engenheiros, técnicos e mestres de obra de invejável capacidade e a de estar presente em Brasília um operariado que se entusiasmou pelas ingentes tarefas que lhe foram confiadas, êsses fatores uniram-se para oferecer à República e às gerações vindouras uma nova perspectiva para a nossa pátria. De fato, nas hoje um Brasil que, embora constituído pelo patrimônio material de sempre e sob o influxo das fôrças tradicionais de sua socidade cristã e democrática, pode, desta cidade do planalto, olhar com outra firmeza e outro espírito de decisão, para resolvê-los com espírito de equidade e justiça, os grandes problemas nacionais. 

 

Não somos mais aquêles crustáceos arranhando as areias das praias litorâneas de que falava o cronista do primeiro século e sim um povo que se projeta no coração do continente que lhe pertence, que o toma virilmente nas mãos e que o prepara para ser, dentro em breve, uma das quatro grandes nações universais. 

 

Os “Diários Associados” têm a mesma origem de idealismo e de crença de Brasília. 

 

Na multiplicidade dos nossos órgãos de informação, espalhados em todo o Brasil, foi sempre intenção dos seus quase quarenta anos, criar um instrumento publicitário de unidade e congraçamento, um elo espiritual entre entre as partes múltiplas e esparsas que compõem a pátria comum.

 

Na verdade, os nossos objetivos foram sempre os mesmos do CORREIO BRAZILIENSE: sustentar a independência, consolidar a união das províncias, soldas as regiões, alcançar, dentro da democracia e da liberdade, o aperfeiçoamento social e a cultura que nos possam assegurar entre os povos civilizados uma posição compatível com a magnitude impressionante de nossa grandeza física. 

 

Por isso, pensamento que ficaria bem aos nossos escôpos, que são os mesmos de Hipólito José da Costa, retomar, não apenas o nome de seu jornal para reatá-lo na continuidade histórica do país, mas sobretudo, e principalmente, retomar as nobres inspirações do seu gênio, a sua incessante pregação das formas mais respeitáveis do convívio social, a democracia, o liberalismo, a devoção às bases constitucionais, a confiança na livre emprêsa e, primeiro que tudo e antes de mais nada, a união indissolúvel e a perpétua unidade do Brasil.

 

Passados cento e trinta e sete anos, que foram apenas um compasso de espera na marcha de ideias que nunca se interromperam, o CORREIO BRAZILIENSE, reaparece em Brasília, num longo vôo através do tempo e do espaço, para recomeçar a mesma faina gloriosa: “unicamente servir o Brasil”.

 

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