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Correio Braziliense

Tudo é carnaval: os bailes, as escolas, os blocos de sujo. E o Pacotão


postado em 23/02/2020 08:00 / atualizado em 22/02/2020 20:57

Esta matéria foi publicada originalmente na edição de 21 de abril de 1960 do Correio. Sua republicação faz parte do projeto Brasília Sexagenária, que até 21 de abril de 2020 trará, diariamente, reportagens e fotos marcantes da história da capital. Acompanhe a série no site especial e no nosso Instagram

(foto: Tadashi Nakagomi/CB/D.A Press)
(foto: Tadashi Nakagomi/CB/D.A Press)
Os brasilienses tiveram ontem o início de seu carnaval com muita animação nos clubes, principalmente. Diversas associações realizaram bailes nas suas sedes, aproveitando a vontade que a população tinha de pular até o sol raiar. 

 

Hoje, porém, a W-3 já se transforma no quartel-general do samba, tornando-se o roteiro obrigatório de qualquer bloco que se preze. Pela avenida passará o trio elétrico, agitando a massa que estará à espera das atrações do carnaval brasiliense. Em Sobradinho, na noite de sexta-feira, a presença do Trio já foi um acontecimento de destaque, reunindo cerca de dois mil foliões nas proximidades da Quadra 1. A festa começou pouco depois das 9 horas e prolongou-se até quase a meia-noite.

 

(foto: Arquivo/CB/D.A Press)
(foto: Arquivo/CB/D.A Press)
 

 

Ontem à noite, na W-3, houve o primeiro concurso da série promovida pelo Detur: desfilaram os blocos carnavalescos. Hoje será a vez dos clubes de frevo. O primeiro a entrar na avenida será o Vassourinhas, seguindo-se, pela ordem, o Pás Douradas e o Lenhadores. Amanhã à noite os desfiles da W-3 alcançam seu grande momento: é a vez de se apresentarem as escolas de samba brasilienses.

 

O pacote democrático

 

Hoje é dia de sair às ruas o bloco Pacotão, formado por jornalistas brasilienses, que estarão se reunindo às 11h na comercial da SQN 302. O objetivo é levar à W-3 um carnaval democrático, no qual todos possam brincar sem hierarquia, acreditando na folia. “Não queremos competir, queremos apenas brincar”, afirmam os organizadores do Pacotão carnavalesco, justificando suas pretensões: “Essa história de que as agremiações carnavalescas ficam com hora marcada para entrar e sair da avenida parece coisa de repartição pública. Só falta o relógio de ponto. Na nossa agremiação teremos todos os tipos de foliões. Não somos um bloco elitista. O Pacotão é patafísico: não tem explicação. O Pacotão é qualquer coisa”. 

 

(foto: Arquivo/CB/D.A Press)
(foto: Arquivo/CB/D.A Press)
 

 

Bloco de jornalistas, “Pacotão” vai hoje à avenida

 

Tendo como madrinha a presidente do bloco “O Pulo do Gato”, a mais recente inovação no carnaval brasiliense, o bloco carnavalesco “Pacotão” estará se apresentando hoje, às 15 horas, na avenida W3. O bloco, formado por jornalistas promete devolver ao folião o carnaval de rua.

 

Cláudio Lysias, organizador do “Pacotão” diz que seu bloco é mais uma banda, “uma coisa desorganizada”, mas com capacidade de fazer o povo acreditar novamente no carnaval”. O que nós queremos é fazer um carnaval de verdade. Não queremos competir, queremos apenas brincar. Essa história de que as agremiações carnavalescas ficam com hora marcada para entrar e sair da avenida parece repartição pública. Só falta o relógio de ponto. Na nossa agremiação teremos todos os tipos de foliões, não somos um bloco elitista. O “Pacotão é patafísico, não tem explicação, o Pacotão é qualquer coisa”.

 

O “Pacotão” estará reunido hoje, a partir das 11 horas no restaurante “Chorão”, comercial 302 Norte. O proprietário do estabelecimento, Arthur informou que cerca de 300 caixas de cerveja foram encomendadas para hoje. Para participar do bloco não é necessário fazer inscrição, “basta chegar e se enturmar”.

 

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