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Correio Braziliense

Furto de celular foi o crime mais comum no carnaval no DF; casos caem

Enquanto no ano passado houve 739 casos, nos quatro dias de festividade de 2020, foram 601 boletins abertos em delegacias


postado em 27/02/2020 06:00 / atualizado em 27/02/2020 10:00

PM montou linhas de abordagem nos blocos, o que pode ter contribuído para reduzir a criminalidade este ano(foto: Lucio Bernardo Jr./Agencia Brasilia)
PM montou linhas de abordagem nos blocos, o que pode ter contribuído para reduzir a criminalidade este ano (foto: Lucio Bernardo Jr./Agencia Brasilia)
Furto de celular foi o crime mais recorrente neste carnaval no Distrito Federal, com 196 registros. O número, no entanto, é menor que o registrado na folia de 2019, que teve 273 ocorrências. O dado, divulgado ontem pela Secretaria de Segurança Pública, é um dos que indicam a redução da violência no período de festa. O balanço da pasta mostra que, ao todo, a taxa de delitos caiu 18,7%. Enquanto no ano passado houve 739 casos, nos quatro dias de festividade de 2020, foram 601 boletins abertos em delegacias.

O segundo crime que mais teve queixas na capital entre 21 e 26 de fevereiro foi o de uso e posse de drogas, com 78 registros. Além deles, houve ocorrências de extravio de documentos, lesão corporal e apreensões de armas brancas. Durante os quatro dias, nenhuma ocorrência grave relacionada às festividades foi registrada.

No feriado, o Corpo de Bombeiros realizou 16 atendimentos de emergência nos diversos blocos de carnaval em que atuou. A corporação empregou 191 militares em 31 viaturas. No Setor Bancário Norte e na Praça dos Prazeres (201 Norte), três pessoas receberam atendimento por uso excessivo de álcool. Já na Praça Central do Setor Comercial Sul, sete foliões tiveram o apoio dos bombeiros — um por desmaio, dois por fraturas e quatro por alcoolemia.

Para o secretário de Segurança Pública, Anderson Torres, concentrar as ações foi o principal fator para prevenir a criminalidade no carnaval. “Adotamos estratégias operacionais que trouxeram resultado rápido, como as linhas de abordagem da Polícia Militar do DF, que foi incansável no trabalho próximo aos blocos. Tivemos ainda o Detran (Departamento de Trânsito) e o CPTran (Comando de Policiamento de Trânsito) atuando juntos na fiscalização de trânsito”, destaca.

Aprovação

A servidora pública Mariane Lins, 31 anos, avaliou o carnaval deste ano como positivo e afirma que a folia superou todas as expectativas.  Ela lembra que, devido à morte do jovem Matheus Barbosa (veja Memória), 18, durante um bloco pré-carnavalesco em 8 de fevereiro, teve medo de ir aos eventos de rua. “O carnaval nem tinha começado oficialmente e a gente já teve esse caso de morte. Foi triste. Mas, graças a Deus, deu tempo de o governo cuidar disso para que não houvesse mais casos. Que esse seja o último episódio de morte em nosso carnaval”, disse.

A caminho do bloco Eduardo e Mônica, realizado no Lago Sul, o auxiliar administrativo Lucas Henrique Tavares, 27, passou por uma blitz do Detran. Ele conta que não se lembra de um carnaval com tanta fiscalização como esse. “Meus amigos também perceberam o mesmo. Tem gente que acha chato ter que enfrentar engarrafamento por causa de blitz, mas é importante. É uma segurança a mais. E quem pensa em beber nos blocos pensa duas, três vezes antes de colocar uma gota de álcool na boca.”

Pelo menos 631 motoristas foram autuados por dirigir sob efeito de álcool. O número é a junção das operações da Polícia Militar e do Detran, com 527 e 104 atendimentos, respectivamente. Ao todo, 600 testes de alcoolemia foram realizados e 1.050 carros foram abordados durante operação especial de carnaval do Departamento de Trânsito. A equipe ainda flagrou 45 condutores inabilitados, 28 com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) vencida há mais de 30 dias, sete condutores com o documento suspenso e 450, autuados por estacionamento irregular.
 
O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) realizou 15 operações, entre 17 e 26 de fevereiro, e contou com o apoio do Batalhão de Policiamento Rodoviário (BPRV). No período, 53 motoristas foram autuados por alcoolemia. Um deles foi preso. Além disso, 25 condutores foram flagrados inabilitados, 40 com CNH vencida, um com o documento suspenso e 45 veículos foram removidos. 

Coleta de lixo

Com o fim do carnaval, os blocos de rua saem de cena e entram os profissionais do Serviço de Limpeza Urbana (SLU). Durante os quatro dias de folia, os 600 garis — que se revezaram nos períodos da manhã, tarde e noite — recolheram 22,3 toneladas de resíduos. Os dias de maior quantidade de lixos coletados foram sábado (6,6t) e domingo (8,2t). Na segunda-feira, foram 3,3 toneladas e, na terça, 4,2t. A quantidade inclui a coleta realizada na área central de Brasília e nas regiões administrativas onde ocorrem festas, como Águas Claras e Ceilândia.

De acordo com o SLU, o total de resíduos recolhidos este ano é menor que nos anteriores. Em 2019, por exemplo, foram coletadas 37 toneladas. Em 2018, o número foi ainda maior, 82 toneladas. Ontem, dois caminhões-pipas foram disponibilizados pelo órgão para limpeza das áreas onde houve concentração de festas, como o Setor Comercial Sul.

A Secretaria DF Legal registrou um aumento de 67% no número de apreensões em relação a 2019. Em comparação a 2018, a taxa é ainda maior, 161%. Entre os artigos apreendidos, se destacam as bebidas destiladas. Neste ano, a pasta intensificou o trabalho na retirada de faixas em áreas públicas e na orientação aos mais de 600 ambulantes nas regiões de festas quanto à obrigatoriedade do uso de lixeira, manutenção de limpeza e a correta destinação dos resíduos.

Além disso, realizou a verificação das licenças dos blocos, fiscalização e organização dos ambulantes, controle do início e término dos eventos e atuou na orientação sobre a correta destinação dos resíduos sólidos. Ao todo, participaram das ações 62 auditores, 40 inspetores e 100 profissionais no apoio operacional.

Os melhores do carnaval

A 5ª edição do Troféu #CB Folia, do Correio Braziliense, premiará, em 6 de março, os blocos de rua que se destacaram no carnaval 2020. O objetivo é ressaltar a importância da cultura do carnaval de blocos no DF e da relação de pertencimento do brasiliense com a cidade. O concurso teve início em 21 de fevereiro e encerrou ontem. A comissão julgadora visitou os blocos e avaliou quatro critérios: sustentabilidade, estrutura, animação e respeito ao próximo. A fantasia mais descolada também será premiada. A cerimônia de entrega do troféu será aberta ao público, no edifício-sede do Correio, no Setor de Indústrias Gráficas (SIG).

Memória

Morto em arrastão

Matheus Barbosa, 18 anos, morreu esfaqueado durante um arrastão no bloco pré-carnavalesco Quem Chupou Vai Chupar Mais, em 8 de fevereiro, na área externa do Museu Nacional, na Esplanada dos Ministérios. O jovem levou uma facada no peito e outra, na cabeça. No mesmo evento, foram flagradas diversas brigas. Ele chegou a ser socorrido e transportado pelo Corpo de Bombeiros ao Hospital de Base, mas não resistiu aos ferimentos.

Números

631: motoristas autuados por dirigir embriagados

22,3: toneladas de lixo recolhido

67%: mais apreensões de mercadoria ilegal

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