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Correio Braziliense

Seis pacientes são monitorados no DF sob suspeita de coronavírus

Diante da preocupação da população, médicos afirmam que não é momento de desespero. Cuidados básicos de higiene e atenção aos sintomas são suficientes. No Distrito Federal, nenhum caso suspeito foi confirmado até o momento


postado em 29/02/2020 06:00

''Faltam médicos, máquinas de exames e até itens básicos, como luvas. Então, fico com medo do coronavírus, porque acho que não estamos preparados nem para a dengue'' Ana Neri Alberto de Almeida, que acompanha o pai no Hospital Regional da Asa Norte (Hran)(foto: Vinicius Cardoso Vieira/CB/D.A Press)
''Faltam médicos, máquinas de exames e até itens básicos, como luvas. Então, fico com medo do coronavírus, porque acho que não estamos preparados nem para a dengue'' Ana Neri Alberto de Almeida, que acompanha o pai no Hospital Regional da Asa Norte (Hran) (foto: Vinicius Cardoso Vieira/CB/D.A Press)
O medo em relação ao coronavírus é alimentado por dúvidas sobre a doença e desconfiança quanto à capacidade de combate governamental. A Secretaria de Saúde informa que a capital está pronta para lidar com o problema, caso surja algum caso confirmado. Hoje, o DF não tem nenhum, mas monitora a situação de seis pacientes sob suspeita. Dois deles estão no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), e quem passa por unidades de saúde teme mais alguma contaminação. Há também um caso investigado em Formosa (GO).


Ana Neri Alberto de Almeida, 53 anos, acompanha o pai, internado no Hran com insuficiência pulmonar. “O que vemos no hospital é uma carência de estrutura. Faltam médicos, máquinas de exames e até itens básicos, como luvas. Então, fico com medo do coronavírus, porque acho que não estamos preparados nem para a dengue”, avalia a moradora do Paranoá. A Secretaria de Saúde publicou no Diário Oficial do DF de ontem a criação do Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública (COE) e informou que todos os hospitais da rede seguem orientações do Plano de Contingenciamento, planejamento detalhado para lidar com suspeitas e possíveis confirmações de infecções.

Ana, porém, passou a usar máscara para evitar se contaminar ou levar algum tipo de vírus ao pai. “Também comecei a lavar mais as mãos e passar álcool em gel. Todo cuidado é pouco. A gente fica muito tempo no hospital e teme que alguém chegue com sintomas da doença e fique ao nosso lado, aguardando um atendimento que demora. E se ela passa para alguém?”, questiona.

O pneumologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB) Ricardo Martins explica que o uso da máscara é indicado apenas para quem está comprovadamente infectado. “Ela evita que o vírus seja disseminado na comunidade. As pessoas estão realmente apavoradas, mas não é necessário”, reforça. “A taxa de letalidade está em torno de 2,4%, mas pode estar superestimada. Há evidente subnotificação.”

Servidor do Hran com máscara no rosto: insegurança com a circulação de micro-organismos no hospital(foto: Vinicius Cardoso Vieira/CB/D.A Press)
Servidor do Hran com máscara no rosto: insegurança com a circulação de micro-organismos no hospital (foto: Vinicius Cardoso Vieira/CB/D.A Press)

Risco maior

Apesar de não ter um grupo-alvo, o coronavírus, assim como outras doenças infecciosas, gera mais riscos para quem tem imunidade baixa, como idosos, crianças ou gestantes. Lara Almeida Santos, 21, grávida de sete meses, preocupa-se com a saúde dela e das gêmeas. “A gente fica sabendo que o vírus está matando e chegando a vários países; então, não tem como não ficar com medo. Eu mesma nem queria ficar frequentando muito o hospital, mas preciso fazer as consultas de pré-natal”, conta.


O especialista Ricardo Martins lembra que o principal cuidado é a lavagem das mãos, sobretudo com água e sabão. “A grande fonte de transmissão da doença é pelas mãos e por tosse de pessoas doentes. Não há necessidade de correr para a farmácia para comprar álcool em gel.” Além disso, é importante evitar a automedicação e procurar assistência médica, caso identifique os sintomas característicos. “Pode até ser outra doença, mas é importante que haja o diagnóstico.”

Colaborou Ana Clara Avendaño 

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