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Lago Paranoá guarda rica diversidade de espécies animais; conheça

A fauna silvestre tem um espaço especial no espelho d'água da capital federal. Porém, não há um monitoramento ou estudo de mapeamento das espécies. O crescimento da população de capivaras, por exemplo, preocupa especialistas

Cibele Moreira
postado em 15/03/2020 08:00
Capivaras estão entre os animais que têm como habitat o Lago Paranoá, principal espelho d'água do Distrito FederalUm dos principais cartões-postais de Brasília, o Lago Paranoá abriga uma diversidade da fauna silvestre cerratense no Distrito Federal. É muito comum brasilienses se depararem com famílias de capivaras, tartarugas ou jacarés no espelho d;água e às margens. Para o biólogo e diretor de Répteis do Jardim Zoológico de Brasília, Carlos Eduardo Nóbrega, a variedade de espécies é um reflexo das possibilidades que a região proporciona.

;A Área de Proteção Ambiental (APA) do Lago Paranoá conecta várias reservas ecológicas, como a da Cafuringa, do Rio São Bartolomeu, da Cabeça de Veado e do Parque Nacional de Brasília. Tudo isso em conexão faz com que os animais consigam transitar tendo o lago como uma zona de corredor. Então é frequente encontrar uma pluralidade de bichos;, explica Carlos.

De acordo com ele, a fartura de peixes também influencia na aparição de algumas espécies como a do jacaré-tinga, que, segundo o biólogo, não representa perigo à população. ;Esses animais são bem sossegados. Ali tem uma boa abundância de peixes, não há motivos para atacar ou causar algum risco ao ser humano;, pontua. O réptil, que pode chegar a 2,5 metros de comprimento, tem uma média de vida de 50 anos. Carlos conta que a população dessa espécie tem crescido aqui no DF, no entanto, ressalta, não proporciona nenhum perigo.

Outra alta populacional na fauna silvestre está representada pelas capivaras. O maior roedor do planeta divide não só o lago com os brasilienses, mas também as ruas da cidade. São constantes os resgates desses animais pelo Batalhão Ambiental da Polícia Militar. Após a captura na zona urbana, se o bicho estiver saudável, é solto às margens do Lago Paranoá no habitat dele.

Para o biólogo Eduardo Nóbrega, a falta de predadores contribui para o aumento significativo dessa espécie. O comandante do Batalhão de Policiamento Ambiental, major José Gabriel de Souza Júnior, explica que há uma movimentação ao lado de universidades para o controle populacional, principalmente por se tratar de um animal que pode hospedar o carrapato estrela, transmissor da febre maculosa.

Mesmo com a grande quantidade da fauna silvestre que circula na região, atualmente, não há um monitoramento ou estudo de mapeamento das espécies. O que existe é o Plano de Manejo da APA do Lago Paranoá, elaborado em 2011, que apresenta um levantamento dos animais terrestres e aquáticos da APA como um todo, inclusive no espelho d;água.

De acordo com o documento, o local apresenta espécimes exóticas e típicas do cerrado. Há registros do cágado e do cágado de barbicha, mas a tartaruga mais encontrada é a de orelha vermelha. Originária da América do Norte, essa é uma espécie difícil de ser encontrada no Brasil. No entanto, a densidade populacional dela é muito grande aqui. Especialistas e biólogos acreditam que algumas espécies aquáticas que não são nativas podem ter sido introduzidas no lago por moradores que as criaram por um certo tempo em suas casas e depois as abandonaram.

Serpentes

Outro exemplo curioso é o morcego pescador. Comum em regiões litorâneas, o animal encontrou no lago uma fartura de peixes no coração do país. A garça disputa a pesca junto aos biguás. As duas aves são bastante encontradas sobrevoando o lago. O espelho d;água também abriga algumas espécies de serpentes aquáticas, como sucuri, cobra-d;água, falsa coral e cobras-cipós.

Quando contabilizada a variedade de peixes, o número aumenta. De acordo com o levantamento disponibilizado pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram), há mais de 30 espécies presentes no reservatório trazidas intencionalmente para aumentar o potencial pesqueiro do lago. Pode se encontrar tilápia, carpa, cascudo, traíra, tucunaré, piau-três-pintas, entre outros. A diversidade é enorme, e todo um ecossistema é criado em torno do Lago Paranoá. O biólogo do Zoológico Carlos Eduardo Nóbrega explica que a maioria da fauna encontrada no lago é de hábitos generalistas. Ou seja, que tem facilidade de sobreviver tanto no ambiente natural como no urbano.

Por ser uma região de proteção ambiental, a recomendação para a população é não mexer com o animal, pois é o habitat dele. Caso se depare com algum bicho na cidade ou em residência, a orientação é ligar para o Batalhão Ambiental no número de telefone 99351-5736 ou no 190.

Resgate

De acordo com o Batalhão Ambiental, a aparição de animais silvestres em áreas urbanas tem se tornado algo comum. Capivara nadando no espelho d;água do Palácio Itamaraty ou passeando no centro da capital, cobras sendo encontradas em residências, e o mais recente resgate de um jacaré dentro de uma piscina no Lago Sul, no primeiro domingo de fevereiro. Segundo o major Souza Júnior, o crescimento da ocupação urbana é um dos principais motivos, pois os animais ficam sem ter aonde ir.

No ano passado, a corporação resgatou cerca de 3 mil animais silvestres em todo o Distrito Federal. Desse quantitativo, 650 eram cobras e serpentes. Até o início de fevereiro, o batalhão havia capturado 48 cobras.

Pesca

A Polícia Militar Ambiental, por meio do Pelotão Lacustre, fiscaliza as atividades de pesca no Lago Paranoá. A pesca amadora com vara é permitida na maior parte do espelho d;água. Os pescadores profissionais precisam de autorização junto ao Ministério da Agricultura e validada pela Polícia Ambiental.

Não é permitida a prática de pesca nas seguintes localidades: a 30 metros da entrada e saída de embarcações; a 200 metros do Palácio da Alvorada; a 100 metros da Barragem do Paranoá; a 50 metros da Península dos Ministros (área compreendida entre a QL 12 e QL 16 do Lago Sul). Também é proibida a atividade a 50 metros de residências de embaixadas; a 200 metros de hospitais; a 200 metros de instalações militares; a 200 metros das áreas com elevada concentração de atividade de lazer e atividades esportivas como o Piscinão do Lago Norte, Prainha (Praça dos Orixás), Ermida Dom Bosco, Pontão do Lago Sul, Concha Acústica, Píer 21, Clubes e Associações Náuticas. Além de ficar a 500 metros dos emissários de esgoto das estações de esgoto Sul e Norte; da foz à nascente dos afluentes do Lago Paranoá.

Você sabia?

; Em 12 de setembro de 1959, Juscelino Kubitschek fechou a barragem do Paranoá e viu, na presença de uma multidão, o lago começar a se formar.

; Há 60 anos, críticos de Kubitschek chegaram a dizer que construir um lago artificial na nova capital era uma loucura.

; A profundidade máxima do lago é de 38m

; Está a 1.000m de altitude

; Tem um perímetro de 80km

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