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Correio Braziliense

Coronavírus: combate à Covid-19 impõe home office como precaução

Empresas privadas e órgãos públicos do Distrito Federal adotam o teletrabalho para funcionários de grupos de risco ou que tenham viajado para o exterior recentemente. O objetivo é evitar a contaminação pelo Covid-19 e conter a disseminação na capital


postado em 16/03/2020 06:00 / atualizado em 02/04/2020 17:38

Júlia Barbosa está trabalhando em casa, onde cuida do filho e da sobrinha, que está sem aulas(foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
Júlia Barbosa está trabalhando em casa, onde cuida do filho e da sobrinha, que está sem aulas (foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
Entre as medidas de contenção das infecções do coronavírus no Distrito Federal está adoção do teletrabalho. Diversos órgãos e empresas liberaram seus servidores e funcionários para trabalhar em home office e o decreto assinado no sábado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) dispôs sobre a possibilidade do serviço feito de casa para casos em que o servidor apresente sintomas da doença ou que tenha retornado de viagem internacional recentemente.

A medida foi adotada pela agência onde trabalha a publicitária Carolina Cardoso, 27 anos. A companhia, na L2 Norte, tem cerca de 20 trabalhadores e funciona em três salas pequenas. Alguns dos funcionários estão no grupo de risco de contágio determinado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em razão da idade e, outros, fizeram viagens internacionais nas últimas semanas. “A decisão é para que fiquemos em casa até segunda ordem. Como grande parte do nosso serviço pode ser feita pela internet com recursos como o WhatsApp, absolutamente todos os setores estão trabalhando dessa maneira”, relata.

Na empresa de álbum de figurinhas especializado em que a atendente Júlia Barbosa, 29 anos, trabalha, a decisão também levou em conta o retorno da chefe de uma viagem à Tailândia e ao fato de que ela, lactante, e outra funcionária, grávida, poderiam correr riscos. “Eles estavam mais preocupados com a questão do transporte público. Eu e ela somos mais vulneráveis e, infelizmente, em contato com o público diretamente, os riscos de contágio são maiores”, afirma.

Com o filho de 1 ano e 3 meses no colo e a sobrinha de 4 anos, que precisou ficar em casa devido à suspensão das aulas, para Júlia, o trabalho dobrou. “Não é tranquilo. Eu fiquei com os dois. A creche dos dois está fechada e eles precisam de atenção. Tem que parar para dar comida, colocar para dormir, tem que dar de mamar e, ao mesmo tempo, levar o trabalho que eu faço a distância.”

Serviço público

O decreto editado pelo Executivo local determina que “Qualquer servidor público, empregado público ou contratado por empresa que presta serviço para o Distrito Federal, que apresentar febre e/ou sintomas respiratórios (tosse seca, dor de garganta, mialgia, cefaleia e prostração, dificuldade para respirar e batimento das asas nasais) ou que tenha retornado de viagem internacional, nos últimos dez dias, deverá permanecer em casa e adotar o regime de teletrabalho, conforme orientação da chefia imediata”.

No Tribunal Superior do Trabalho (TST), despacho assinado pela presidente, ministra Maria Cristina Peduzzi, decretou o home office, na noite de quarta-feira, para todos os servidores que viajaram a países afetados pela doença. A medida vale por 15 dias após a publicação do documento. O período é equivalente ao tempo de observação para a manifestação de possíveis sintomas do vírus.

A Câmara dos Deputados suspendeu as sessões solenes, por prazo indeterminado, os eventos de lideranças partidárias e de frentes parlamentares, a visitação institucional ao Palácio do Congresso Nacional e todos os eventos que não sejam diretamente relacionados à atividade legislativa do plenário e das comissões. Ato da Mesa também definiu que os parlamentares, servidores e demais colaboradores que estiveram em local onde houve infecção por Covid-19 serão afastados administrativamente por até 14 dias a contar da data de retorno dessas localidades.

Cuidados

De acordo o obstetra do Centro de Medicina Fetal (Cemefe) Matheus Beleza, idosos e gestantes fazem parte do grupo de risco por terem uma imunidade mais vulnerável. No caso de gestantes e lactantes, as preocupações se dividem entre a mãe e o bebê. Segundo o especialista, até o momento não há muitos estudos que possam embasar os cuidados que devem ser tomados. Nesse sentido, os profissionais da área tem buscado usar como referência em cuidados adotados para a prevenção de outras doenças virais, além de um único estudo que relata o caso de nove gestantes chinesas que contraíram a doença.

De acordo com esse artigo ficou comprovado que o vírus não passa da mãe para a criança em transmissão vertical (no momento do parto), e também não é transmitido pelo leite. “É mais fácil testar o leite para saber se está contaminado, mas, de acordo com esse estudo, os casos de mães que passaram a doença para os bebês tem mais a ver com a proximidade que a gestante acaba tendo da criança neste momento. A respiração dos dois acaba sendo muito próxima, o que faz com que a criança pegue o vírus assim como nos outros casos, por meio de secreção respiratória. No momento, não temos nenhum caso no Brasil, mas acredito que, caso ocorra, a orientação será para suspender a amamentação”, explica.

Apesar dos riscos, o especialista afirma que não há motivo para alarde. Grávidas e lactantes estão suscetíveis e pertencem ao grupo de risco para qualquer doença que possa alterar o seu quadro respiratório, não apenas o coronavírus. Dessa forma, as orientações de repouso, higienização das mãos, utilização de álcool em gel e de evitar ambientes com aglomeração de pessoas são as melhores medidas de prevenção para esses públicos.
 
Na Igreja Batista Filadélfia do Guará, todas as atividades foram canceladas desde o primeiro decreto emitido(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
Na Igreja Batista Filadélfia do Guará, todas as atividades foram canceladas desde o primeiro decreto emitido (foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
 

Missas e cultos a distância 

Como forma de se adaptar às recomendações do Governo do Distrito Federal para a contenção do novo coronavírus, parte dos centros religiosos da cidade tem aderido às transmissões on-line como forma de manter as atividades e evitar a aglomeração de pessoas. Álcool em gel e limpeza redobrada também entram na lista de igrejas que não suspenderam completamente as reuniões. Neste domingo, algumas igrejas católicas abriram as portas para os fiéis.

A Arquidiocese de Brasília recomendou, por meio de nota, enquanto durar a pandemia, que não seja feito o “abraço da paz” e que o público receba a comunhão na mão durante as celebrações. O cancelamento foi recomendado apenas aos grandes eventos programados que reúnam grande número de pessoas.
 
''A igreja é muito grande e precisamos aderir a toda movimentação para proteger nossos irmãos. Na celebração da manhã, tivemos quase 300 conectados, muitas famílias. Então, calculamos que foram cerca de 700 pessoas, sem deixar a fé de lado, mas precavidas desta pandemia'', Marcos Campos, pastor da Igreja Batista Filadélfia do Guará(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
''A igreja é muito grande e precisamos aderir a toda movimentação para proteger nossos irmãos. Na celebração da manhã, tivemos quase 300 conectados, muitas famílias. Então, calculamos que foram cerca de 700 pessoas, sem deixar a fé de lado, mas precavidas desta pandemia'', Marcos Campos, pastor da Igreja Batista Filadélfia do Guará (foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
 

A Federação Espírita de Brasília também informou a suspensão de todas as atividades dentro do período do decreto. Outros centros religiosos, como a Comunidade das Nações, no SIA, a Igreja Cristã Evangélica de Brasília e a Igreja Batista Filadélfia optaram pela transmissão ao vivo das celebrações, pela internet. No caso da primeira citada, as atividades presenciais foram mantidas com o reforço na higienização do espaço e oferta de álcool em gel para o público, além de outras orientações, mas os líderes religiosos recomendam que os idosos permaneçam em casa.

De acordo com o pastor Marcos Campos, da Igreja Batista Filadélfia do Guará, todas as atividades foram canceladas desde o primeiro decreto emitido, e a medida deve ser mantida enquanto durar a recomendação do governo. Segundo ele, os fiéis aprovaram o novo canal. “A igreja é muito grande e precisamos aderir a toda movimentação para proteger nossos irmãos. Na celebração da manhã, tivemos quase 300 conectados, muitas famílias. Então, calculamos que foram cerca de 700 pessoas, sem deixar a fé de lado, mas precavidas desta pandemia”, destaca. (AG) 

Proteção

Confira três receitas para aumentar a imunidade:

Shot de imunidade

Ingredientes

» 1 limão
» 1 colher (chá) da mistura de gengibre, cúrcuma e espirulina em pó
» 20 gotas de própolis

Modo de preparo
» Misture todos os ingredientes, coloque um pouco de água e tome imediatamente.

Golden milk

Ingredientes
» 1 colher (sopa) de cúrcuma
» 1 colher (chá) de canela em pó
» 1 colher (chá) de gengibre (pode colocar menos, pois dá um sabor picante)
» Pitada de pimenta caiena
» 1 colher (chá) de açúcar de coco (opcional)
» 200ml de leite de castanha-de-caju

Modo de preparo
» Misture tudo e reserve menos o leite de castanha-de-caju. Misture a receita a 200ml de leite de castanha-de-caju. Tome imediatamente.

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