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Covid-19: consumidor do DF já observa falta de produtos e aumento de preços

O Correio percorre drogarias em várias cidades do Distrito Federal e comprova a baixa nos estoques de álcool em gel e de máscaras. Em alguns supermercados, alimentos como arroz e macarrão registram alta em menos de duas semanas

André Phelipe*, Israel Medeiros*
postado em 17/03/2020 06:00
O Correio percorre drogarias em várias cidades do Distrito Federal e comprova a baixa nos estoques de álcool em gel e de máscaras. Em alguns supermercados, alimentos como arroz e macarrão registram alta em menos de duas semanasO temor causado pelo coronavírus no mundo inteiro faz os preços de itens de proteção subirem, principalmente do álcool em gel e de máscaras. A reportagem percorreu drogarias e constatou que muitos desses produtos estão em falta. Alimentos nos supermercados também sofrem reajustes, e os consumidores reclamam dos valores. Diante de possíveis aumentos abusivos, Procons de todo o Brasil ficarão de olho para coibir essas práticas.

O Correio esteve nesta segunda-feira (16/3) em 16 farmácias da capital federal. Apenas duas tinham álcool em gel à venda. Em uma drogaria de Ceilândia, só havia potes de 60ml, encontrados por até R$ 7,69. ;Só estamos tendo esse pequenininho mesmo, os maiores estão em falta. Ontem mesmo, quando colocamos aqui para vender, nem duraram cinco minutos. E acredito que, até o fim do dia, esses também acabarão;, comentou um balconista, que não quis se identificar. Em outro local, um farmacêutico informou que o produto precisou ser reajustado em 30%.

No Riacho Fundo 2, o pote de álcool em gel de 440g era vendido por R$ 19,99. Na mesma cidade, uma drogaria criou uma lista de espera. Uma folha de caderno em cima do balcão estava quase totalmente preenchida, com nomes e telefones de clientes à espera do próximo lote de álcool em gel.

De todos os locais visitados, só quatro tinham máscaras de proteção em estoque. O item foi encontrado em drogarias com uma média de R$ 2 por unidade. No local com maior preço custava R$ 2,50. ;Antes, podíamos comprar várias caixas de álcool em gel, mas, agora, eles (fornecedores) apenas vendem uma caixa de cada vez, com 12 unidades. E estão cobrando mais caro. Estão fazendo o mesmo com as máscaras;, disse um funcionário. A uma quadra dali, outra balconista confirmou a informação: ;Antes, vendíamos um pote de 500ml por R$ 14. Agora, com essa limitação e preços mais altos, estamos repassando por R$ 23;.

A farmacêutica Gabriele Reis frisou que, por causa dos recentes decretos que proíbem aglomerações e suspensão de aulas e shows, o comércio onde trabalha calcula prejuízos. Ela também reclamou do exagero dos clientes. ;Até a vitamina C está em falta. Álcool em gel, mesmo, tem nem previsão para repor. Acabou na última sexta-feira. As pessoas estão passando dos limites e comprando até demais. Fizemos reuniões e, se isso continuar, vamos limitar a compra por cliente;, revelou.

Vendedora de açaí no centro de Ceilândia há seis anos, Edna Tomás, 54 anos, estava desde as 8h de ontem à procura do álcool em gel e das máscaras, mas não conseguiu encontrá-los. A ambulante contou que acontece o mesmo em Samambaia. ;Esta semana não estou achando, mas, na passada, os preços estavam bem abusivos. Pelo álcool em gel de 500ml, tive de pagar R$ 30. Antigamente, comprava por, no máximo, R$ 10 ou R$ 12;, queixou-se.

Reserva

Situação semelhante acontece nos supermercados de várias regiões do DF. Consumidores denunciam aumento abusivo de alimentos como arroz e macarrão. Suzana Xavier, 50, reclamou dos preços. ;Estou indo ao mercado duas vezes por semana, pois estou fazendo estoque e, depois do que vi hoje, vou estocar mais ainda. Os valores estão cada vez mais altos e preciso ter uma reserva antes que suba mais ainda;, preocupou-se a servidora pública, que usa máscara em locais com aglomerações.

* Estagiários sob a supervisão de Guilherme Goulart

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