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Com crianças em casa, saiba como prevenir acidentes domésticos

Em tempos de quarentena, todo cuidado é pouco com os pequenos. Confira dicas de especialistas e saiba como manter a segurança no lar

Cibele Moreira
postado em 25/03/2020 06:00

Em tempos de quarentena, todo cuidado é pouco com os pequenos. Confira dicas de especialistas e saiba como manter a segurança no larEm um piscar de olhos, um susto que poderia ter tirado a vida de Heitor, aos dois anos de idade. Ele estava brincando no quintal enquanto a mãe, Tainá Morais, 25, estendia a roupa no varal. Entretido, o menino começou a andar de velotrol com um pregador de roupa na boca. Sem perceber o que o filho estava fazendo, Tainá não viu quando o ferrinho que fica entre uma madeira e outra soltou. ;De repente, só vi meu filho correndo, roxo e sem ar. Fizemos todas as manobras possíveis e o Heitor já estava desfalecido, não reagia, não dava sinais. No desespero, eu enfiei o dedo na garganta dele, porque estava no meio, entre a goela e garganta. Mas não consegui tirar;, relembra Tainá.


Ela chegou a ligar para o Corpo de Bombeiros, para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e até para a polícia. ;Mas não conseguimos atendimento imediato em casa. Eu não podia levá-lo para o hospital, porque estávamos segurando-o de cabeça pra baixo. Era a única posição que faria ele não morrer naquele momento;, relata. Então, ela começou a rezar junto à mãe, até que ele vomitou e o ferro saiu. ;Chegou a rasgar a gargantinha dele, ele ficou uns dias com dificuldade para comer. Mas hoje está cheio de saúde;, conta.


Assim como ocorreu com Tainá, é muito comum acidentes domésticos envolvendo crianças. Uma distração é o suficiente. Nesse período de quarentena, em que todos estão dentro de casa, sem poder sair, o cuidado deve ser redobrado. O Corpo de Bombeiros alerta para algumas medidas que devem ser seguidas, a fim de evitar incidentes.


De acordo com o tenente Fábio Bohle, uma das ocorrências mais comuns é com os equipamentos ligados na tomada. ;Nesse tempo tecnológico, a maioria das crianças tem acesso a tablets e celulares. O que mais acontece é acidente por descarga elétrica. A criança tira o aparelho do carregador e coloca o fio energizado na boca;, exemplifica. Uma das recomendações é os pais ou responsáveis evitarem deixar os carregadores conectados na energia e colocar uma tampa na tomada para evitar o choque.


Outra orientação é a rede de proteção nas janelas. Verificar se estão firmes e, se for possível, evitar colocar móveis que a criança possa subir e acessar a janela. ;A criança não tem noção do perigo. É importante os pais estarem alertas;, ressalta Bohle. Segundo ele, os responsáveis devem restringir o acesso aos locais da casa que podem oferecer algum perigo, como a cozinha, a área de serviço e o banheiro. ;A cozinha não foi feita para criança. Evite o acesso delas a esses espaços. E é sempre bom lembrar de deixar os cabos das panelas virados para a parte interna do fogão. Tirar do acesso objetos cortantes, como facas e garfos. Além dos utensílios de vidro, que podem cair e quebrar;, pontua.


Piscinas
Para as casas com piscina, é importante colocar uma rede de proteção ou algo que impeça a criança de entrar na água sem a supervisão de um adulto. A recomendação do Corpo de Bombeiros é que a criança não saia do campo de visão dos pais. Edilaine Rodrigues, 27, preparou a copa especialmente para os filhos brincarem. ;Tirei a mesa, coloquei um tapete e os brinquedos deles. Assim conseguimos vigiá-los e ter mais controle do que eles estão fazendo;, conta Edilaine, que tem dois filhos, um de dois anos e outro de seis.
Ela ainda relata que já passou por alguns susto com eles. ;Teve uma vez que meu filho mais velho levou um choque. Ele tinha três anos, na época. Queria colocar a luminária na tomada sozinho e levou uma descarga elétrica;, relembra. Há uns meses, ela passou por outra situação com o caçula, que tentou pegar uma garrafa que estava na beirada da mesa. ;Ele se desequilibrou e caiu em cima dos cacos de vidro. Levou oito pontos na mãozinha. Agora, todas as garrafas são de plástico, aqui em casa;, comenta.

Mesmo com os cuidados redobrados dentro de casa, Kamylla Novais, 29, ainda passa por sufoco com Maria Luiza, 3, e Pedro, 11 meses. Ela segue todas as recomendações do Corpo de Bombeiros. Colocou uma portinha separando a sala da cozinha e a área de serviço, para restringir o acesso dos filhos. Todos os armários ganharam tranca, e as tomadas estão devidamente tampadas. ;Eu tento prevenir ao máximo, mas mesmo assim acidentes acontecem. Na semana passada, uma cadeira caiu em cima do mais novo. Estava limpando a sala na hora, e coloquei todas as cadeiras emborcadas em cima da mesa. Os dois estavam no quarto. Fui na cozinha pegar o álcool, para passar no chão, e só vi quando os dois passaram por debaixo da mesa derrubando a cadeira em cima do Pedro. Foi um susto enorme;, conta.

Produtos químicos
Para Andrea Amoras Magalhães, médica do Centro de Informações Toxicológicas (Ciatox), um dos acidentes mais comuns é a ingestão de produtos químicos e medicamentos. ;É essencial que os responsáveis deixem a caixa de medicamentos em local alto e fora do alcance de crianças;, explica. Outra questão é a automedicação, principalmente nesse momento em que as pessoas estão evitando ir aos hospitais. ;Tem que ter muito cuidado. Não pode dar medicação sem orientação médica;, afirma.

Três perguntas // Andrea Amoras, médica do Centro de Informações Toxicológicas (Ciatox)

Como proceder quando a criança ingere algum produto químico?

A primeira coisa é identificar qual produto foi ingerido e a quantidade. De maneira alguma force o vômito ou dê leite ou água. Ligue imediatamente para Centro de Informações Toxicológicas nos números: 0800 644 6774 ou 0800 722 6001.

Há alguma diferença no que fazer a depender do produto?

Sim. Algumas substâncias podem piorar o quadro se provocar o vômito, como os ácidos e derivados de petróleo. Exemplo: soda cáustica, água sanitária, tiner e tinta.

Qual orientação para os pais?

Guarde os produtos de limpeza e medicamentos em locais com tranca ou em prateleiras altas a que as crianças não tenham acesso. Prevenção sempre é o melhor remédio.

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