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Correio Braziliense

Pequenos fabricantes de ovos de Páscoa tentam se adaptar à pandemia

Conheça os desafios enfrentados por pequenos fabricantes de ovos de Páscoa. Como comerciantes autônomos do DF estão se adaptando diante da pandemia de Covid-19. De promoções, delivery a reforço na higienização dos produtos


postado em 26/03/2020 06:00 / atualizado em 26/03/2020 10:00

A confeitaria de Mariana Pinheiro dá um toque especial ao ovo de Páscoa(foto: Arquivo Pessoal)
A confeitaria de Mariana Pinheiro dá um toque especial ao ovo de Páscoa (foto: Arquivo Pessoal)
A Páscoa costuma ser um período próspero para muitos comerciantes autônomos que atuam na área de doceria. Ovos de chocolate caseiros, recheados e trufados. E que tal dar um toque único e personalizado antes de presentear alguém ou a si mesmo com um mimo adocicado? É a proposta da Mariana Pinheiro, 27 anos. 


À frente do Nosso Lado Doce, ela traz como carro-chefe a confeitaria afetiva. “A pessoa tem que se sentir especial, e por que não colocar no ovo uma mensagem de carinho?”, afirma. Com forminhas em formato das letras do alfabeto, ela oferece a possibilidade de o cliente formar frases ou nomes. “Eu costumo sempre ter essa opção, mas em tempo de isolamento, talvez a pessoa não possa estar presente comemorando a data. Então, é uma forma de promover afeto com um ‘te amo’ ou ‘estou com saudades’”, comenta. 

Essa é a terceira Páscoa de Mariana com o Nosso Lado Doce. Pela primeira vez, ela sente uma queda na procura. “Muitos dos meus clientes são autônomos. Com o fechamento do comércio, creio que as pessoas estão mais receosas”, relata. Para atrair os consumidores, ela vai adotar a opção de compra pelo cartão de crédito, além de promover algumas promoções e a alternativa de parcelamento para valores maiores. 

Para 2020, a meta de venda é de 150 ovos. No entanto, ela acredita que a demanda será menor. Entre os produtos ofertados, estão os ovos tradicionais, ovo de colher, brigadeiros, barra de chocolate recheada, palha italiana, alfajor e um kit com miniovos de chocolates. Ela entrega na casa do cliente sem cobrar taxa adicional.

Cuidados 


Diante da pandemia da Covid-19, o cuidado na higienização dos produtos é redobrado. Mariana Pinheiro conta que limpa o espaço de produção dos doces duas vezes ao dia, com água sanitária, e sempre tem em mãos o álcool 70%. “Todos os pacotes que entram aqui em casa eu lavo. E sempre estou com álcool por perto”, afirma. A rotina de entrega também mudou para adequar ao momento atual. “Preferi fazer as entregas uma vez ao dia, após às 19h, porque é um horário que tem poucas pessoas na rua. Quando volto para casa, faço um ritual de tirar toda a roupa e tomar um banho”, explica. 

Em anos anteriores, ela determinava um dia específico para fazer as entregas com horários pré-definidos: na hora do almoço, no meio da tarde e à noite. Uma outra aposta é a venda na pré-Páscoa. “Estamos vivendo em um momento muito incerto. Não sabemos até quando será permitido o delivery. E como será o cenário mais para frente”, pontua. 

Pouca demanda


Assim como Mariana, outras vendedoras estão vivenciando baixa procura por ovos de Páscoa. Raphaela Guerreiro, 23, conta que este ano é o mais fraco, dentre os quatro em que ela trabalho no ramo. “Geralmente, neste período estava com várias encomendas. Mas, até o momento, só foram cinco pedidos, e um que adiou a data de entrega. Para quem é autônomo é complicado”,  expõe Raphaela. 

Adriana Della Monica Faccini, 44, precisou se adaptar para garantir a renda deste mês. “Como as encomendas caíram e tive muitos pedidos cancelados, comecei a vender sobremesas e bolo no pote por aplicativo”, relata. Esse também foi o caminho encontrado por Luciana Araújo, 39. Com uma cafeteria que vende doces e salgados, ela tem encontrado um pouco de estabilidade na demanda pelos aplicativos de entrega. 

Para o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF), Francisco 

Maia, o impacto entre os comerciantes autônomos é grande. “São os que mais sofrem com a situação em que nos encontramos atualmente”, ressalta. De acordo com ele, o prejuízo no setor será alto. “Tudo ainda é muito incerto. Estamos trabalhando com a previsão de abertura dos estabelecimentos em 5 de abril. Acredito que pode haver um aquecimento, mas mesmo assim não sabemos se os consumidores irão sair às ruas para comprar ou se terá receio por causa do vírus”, pontua. 

Segundo Francisco, a perspectiva de venda para este ano é bem menor em relação ao ano passado. A analista da unidade de competitividade do Sebrae Mayra Viana conta que o impacto neste momento de pandemia é alto. “Esse era para ser a segunda data mais lucrativa do ano. E o que estamos vendo é que será a menos lucrativa”, expõe. 

Diante do cenário, algumas empreendedoras estão "adiando a Páscoa" para junho. “Muitas estão ampliando o período de vendas para se adequar. Outras estão montando kits em que o cliente pode terminar de montar em casa. Tudo para atrair e dar mais comodidade ao consumidor”, explica. No Distrito Federal, há 1.516 confeiteiras cadastradas no Sebrae e cerca de 165 chocolaterias. Todo esse ramo será afetado.

Serviço

Nosso Lado Doce: 
99163-6726

Raphaela Guerreiro: 
99284-8809

Doce Lu: 
98166-5000 / 3548-4442

Adriana Della Monica: 
99112-7687

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