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Correio Braziliense

Pandemia deve provocar um rombo de R$ 2 bilhões na arrecadação do DF

Previsão é de que crise provocada pela Covid-19 deve gerar diminuição do montante proveniente de impostos no Distrito Federal. Comércio pede prorrogação na cobrança de tributos


postado em 27/03/2020 05:59 / atualizado em 27/03/2020 15:33

Lojas fechadas: Secretaria de Economia dialoga com o setor produtivo e busca alternativas para minimizar os efeitos da crise provocada pela pandemia(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Lojas fechadas: Secretaria de Economia dialoga com o setor produtivo e busca alternativas para minimizar os efeitos da crise provocada pela pandemia (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Com o fechamento de lojas, restaurantes e bares do Distrito Federal, como forma de frear a propagação da Covid-19, o comércio passa por recessão. Com as empresas paradas, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF) pediu a prorrogação na cobrança de impostos pelo Governo do Distrito Federal (GDF). Até 31 de dezembro, a equipe econômica do Executivo local prevê redução de até R$ 2 bilhões na arrecadação de tributos.

 

A Fecomércio-DF pediu o adiamento de alguns impostos como o IPTU e o IPVA, para ajudar no fluxo de caixa das empresas locais. De acordo com o presidente da Fecomércio-DF, Francisco Maia, a média de arrecadação do Simples, regime tributário específico para os pequenos negócios, é de R$ 36,7 milhões, quando o comércio funciona normalmente. "Com as portas fechadas, essa arrecadação pode cair em torno de 30% a 40%, pois, sem funcionar, as empresas não têm como pagar os impostos”, informa o presidente. “O impacto mesmo será na próxima arrecadação, no dia 20 de abril”, complementa Maia.

Em resposta ao pedido, a Secretaria de Economia informou que tem dialogado com o setor produtivo do DF e que busca alternativas para minimizar os efeitos da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. “Por ora, não há adiamento das cobranças de impostos do IPTU e IPVA. Contudo, estão em análise medidas para renegociação de dívidas que serão lançadas no decorrer do ano”, informou a nota.

A notícia da pandemia foi uma surpresa para a diretora da distribuidora JC, Waleska Maux, 49 anos. O estabelecimento abriu há um ano, e tinha como meta se estabelecer financeiramente em 2020. “Do ano passado para cá, investimos demais no empreendimento. Em dezembro, produzimos o nosso primeiro produto de marca própria, a Castanha do Bem. Quando estávamos fechando contrato para fornecê-lo em pequenas e grandes redes, veio a crise”, lamentou a empresária.

Impactos
A empresa possui mais de 10 funcionários, diretos e indiretos. “Não queremos dispensar esse pessoal. Todos estão assustados de perder o emprego”. Por isso, a decisão foi realizar entregas de castanhas a preço de atacado. Um saco sai a R$ 8,50 e uma caixa, com 24 unidades, a R$ 204.  “Estamos torcendo para que a crise acabe logo e que a gente consiga se restabelecer financeiramente”, conta Walesca.

A empresária Tânia Aranha, 66 anos, também luta para manter o emprego de todos os funcionários em uma empresa do setor de alimentação e eventos. O negócio atende cinco restaurantes. “Eu, meu marido, minha filha e meu genro trabalhamos na empresa. Temos 98  funcionários registrados e alguns autônomos que atendem aos eventos. A partir do primeiro decreto do GDF, dia 12 de março,  os serviços  despencaram”, relembra Tânia.

Com o cenário de incertezas, o economista e professor de Finanças William Baghdassarian pede calma aos brasilienses. “Enquanto não soubermos os desdobramentos dessa crise, guarde dinheiro e evite comprar parcelado. Todo os empréstimos terão que ser pagos quando a pandemia acabar. A gente vai se recuperar, mas esse ano está perdido", prevê.

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