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Correio Braziliense

Fornecimento de gás de cozinha pode ser suspenso no DF

Transportadoras e revendedores têm dificuldades em manter os estoques desde a semana passada. Abastecimento chegou a ser interrompido, nesta sexta-feira (27/3), em algumas Regiões Administrativas


postado em 27/03/2020 12:32 / atualizado em 27/03/2020 17:19

Abastecimento de gás de cozinha no DF está no limite (foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
Abastecimento de gás de cozinha no DF está no limite (foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
O abastecimento de gás de cozinha pode ser suspenso, no Distrito Federal em função das restrições impostas pelas pandemia global de coronavírus. O Sindicato das Empresas Transportadoras e Revendedoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindvargas-DF) alertou, em nota, que as revendedoras têm dificuldades em manter os estoques desde a semana passada.

De acordo com o sindicato, as revendas estão sendo racionadas para evitar a interrupção total do abastecimento. No entanto, nesta sexta-feira (27/3), o fornecimento chegou a ser interrompido em várias Regiões Administrativas do DF.
“Revendedores têm entrando em contato conosco, informando que estão sem gás há, pelo menos, dois dias. Outros estão com estoque muito baixo”, afirma Sérgio Costa, presidente do Sindvargas.

Segundo ele, diversos fatores contribuem para a escassez. Dentre eles, a produção da Petrobras, que teria sofrido uma redução de 30%. A estatal teria dispensado ainda os funcionários com mais de 55 anos, em função do alto risco de contágio pelo coronavírus. Com um contingente menor, a empresa estaria tendo dificuldades no abastecimento de gás.

Ainda de acordo com Sérgio Costa, duas das principais refinarias brasileiras, Replan (Paulínia-SP) e Repar (Araucária-PR), estão em manutenção preventiva. Com isso, o bombeamento e o refino do petróleo estão comprometidos, o que impacta na produção e na distribuição do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), o gás de cozinha, aos revendedores de todo o país.

Outra dificuldade apontada pelo Sindvargas diz respeito ao transporte. “A logística até o gás de cozinha chegar nas distribuidoras é um pouco demorada. Além das dificuldades impostas pela redução de trabalhadores do setor. Tudo isso impacta na ponta, para que o produto chegue ao consumidor”, explica o presidente do sindicato. “Os órgãos responsáveis já estão cientes disso. Nos informaram que tem GLP chegando no país. Aumentaram a importação para tentar suprir a necessidade”, completa. 


Estoque

As distribuidoras de gás possuem uma cota de gás para ser retirada e distribuída mensalmente. No entanto, o Sindvargas afirma que a fração destinada a diversos distribuidores foi esgotada, em função do alarde causado pela pandemia de coronavírus. Com receio das consequências da disseminação do vírus, a população passou a estocar o produto.

“Muitos consumidores nem têm a necessidade de comprar o gás e estão estocando. Isso  deixa famílias que necessitam do produto, neste momento, sem”, pontua Sérgio Costa. “Neste momento, o papel do consumidor é importantíssimo. Não há necessidade de estocar o gás. Acredito que, em breve, o abastecimento seja restabelecido”, completa.
 

Resposta da Petrobras 

Em nota, a Petrobras afirmou ao Correio que o fornecimento de GLP segue normal em todo o país. “O abastecimento de gás liquefeito de petróleo (GLP) está normal. As entregas estão sendo realizadas normalmente nos pontos de fornecimento conforme informado às distribuidoras”, diz trecho do texto.

Segundo a empresa, não houve queda na produção motivada pela dispensa de funcionários. De acordo com a estatal, foi feita uma adaptação na carga horária, em função dos riscos implicados pela pandemia de coronavírus. Entretanto, a adequação não impactaria no abastecimento.

A estatal informou ainda que, com a redução de 5,0%, em vigor desde a quinta-feira (26/3), o preço médio nas refinarias da empresa passou a ser de R$ 24,27 por botijão de 13kg. O que, equivaleria a menos 12,5%, no acumulado do ano.

Sobre a estocagem de gás por parte dos consumidores, a Petrobras alertou que não há “qualquer necessidade de estocar GLP neste momento, pois não haverá falta de produto para abastecer a população”.

Procurada pela reportagem, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) reforçou que não há razão para corrida da população para compra de botijão. “O abastecimento está ocorrendo em todo o país. No entanto, podem ocorrer problemas pontuais, diante da situação de crise. A Agência está monitorando diariamente o mercado de combustíveis e está trabalhando para garantir o abastecimento. A previsão é de que o suprimento siga contínuo”, comunicou.

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