Cidades

Games ajudam a manter a mente ativa em dias de isolamento

Com mais tempo em casa por causa da quarentena, os adeptos dos jogos virtuais aproveitam para manter a mente ativa e interagir com os amigos

Caroline Cintra
postado em 30/03/2020 06:00
 (foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)
A fotógrafa Elisa Borges preenche as horas vagas jogando e fazendo amigos na internet;O que você tem feito durante o isolamento social?;. Certamente, essa é uma das perguntas mais ouvidas nos últimos dias. Em tempos de coronavírus, o que vale é se reinventar e não ficar parado. Tem gente aproveitando o período para organizar a casa ou aprender algo novo e tem aqueles que estão se dedicando ao que mais gostam de fazer: jogar videogame. A quarentena desse grupo tem sido em frente à tela da TV ou do computador, colocando os jogos em dia e mantendo o contato com os amigos por meio da interatividade que a brincadeira proporciona.

Apaixonada por jogos virtuais desde a infância, a fotógrafa Elisa Borges, 29 anos, está aproveitando a quarentena jogando com amigos próximos e fazendo amizades na internet. ;Meu irmão mais velho sempre foi da área da informática e eu fui me apegando a isso. Me afastei um pouco dos jogos quando entrei na faculdade de publicidade e propaganda. Precisava focar, mas depois voltei a jogar e estou há mais de um ano jogando todos os dias;, conta. Para ter um bom desempenho, ela montou um computador com configurações voltadas para jogos. É nele que a gamer passa boa parte do dia, quando não está trabalhando.

Como mora com a mãe, que tem 70 anos e integra o grupo de risco do novo coronavírus, Elisa precisou redobrar os cuidados dentro de casa. A ordem agora é seguir as orientações do Ministério da Saúde. ;Faço de tudo para que ela não precise sair de casa. Eu desmarquei uma viagem que faria esta semana, ao Rio de Janeiro, para ficar com ela;, diz. Assim, a fotógrafa fica mais dentro de casa e com mais tempo para jogar. ;Tem dias que a gente consegue fazer viradinha, que é quando começa a jogar às 18h e vai até 3h, 4h. É uma forma de distração e interatividade virtual para aliviar a tensão dos últimos tempos;, afirma.

Para o assistente executivo Caio César Andrade, 27, os jogos virtuais são uma forma de manter o contato com os amigos. ;Não tinha o hábito. Comecei a jogar todos os dias só agora, na quarentena;, conta. O costume era mais comum na infância, quando jogava videogame sozinho. Hoje, depois de ver a interação entre colegas, ele entrou em jogos em grupo. ;Prefiro os jogos de estratégia. Mas não sou atualizado. Ainda jogo uma versão da minha adolescência de World of Warcraft. Tem sido legal para matar tempo com alguns amigos e dar risadas;, afirma.

A ideia de Caio é manter-se conectado com os amigos com quem tem o costume de sair. ;Jogamos basicamente os joguinhos de palavras ou adivinhações, só para reunir as pessoas e distrair a mente do que anda acontecendo. Fazíamos isso no bar, agora tem sido por videochamada ou por jogo mesmo. Te faz pensar até na importância de ter essas pessoas no dia a dia normal;, declara o assistente executivo.

Morador de Águas Claras, o analista de comércio exterior José Fernando Dantas, 24, começou a jogar virtualmente após a empresa na qual trabalha adotar o home office. O sucesso entre os amigos são jogos de interação como stop, conhecido também como adedanha, e jogos de tabuleiro. ;É nossa forma de interagir durante a quarentena. Temos um grupo no WhatsApp com 20 pessoas e vamos criando as salas de jogos;, explica. Para ele, essa é uma boa opção para quem está em casa, principalmente aqueles que não podem trabalhar de casa. ;Eles não têm muito o que fazer durante o dia. E esse é um momento de se desligar do que está acontecendo;, afirma.

Dinamismo

O professor de desenvolvimento de jogos digitais do Centro Universitário IESB, Elias Nascimento, ressalta que os jogos virtuais têm várias dinamizações, o que possibilita a participação de pessoas de todas as idades. ;Tem os jogos de tabuleiro, que podem ser jogados em família. Tem os de controles, os de exercícios físicos. É algo fácil. Só precisa do consoles ; o videogame ; e uma TV ou um computador;, destaca.

Para a criançada em casa, sem aula, ele indica jogos do Super Nintendo ou aqueles que juntam atividades físicas e virtuais. Os adolescentes têm mais opções, como Playstation, Xbox e jogos de computador. ;Os adultos também estão mais interessados, principalmente agora, que estão em casa. O público de 40, 50 anos tem procurado bastante explorar o mundo virtual;, diz Elias.

O professor orienta a quem deseja entrar no mundo dos games optar pelos jogos de computador, que costumam ter níveis mais fáceis e versões mais baratas ou até gratuitas. ;É um ótimo entretenimento, todos deveriam experimentar porque exercita a mente. É um quebra-cabeça, com desafios. E é uma opção para quem está passando o dia assistindo à televisão. É um forma de escape e pode juntar a família que mora junto;, destaca.

Sozinho, não

[SAIBAMAIS]Dono da Game On Board, uma empresa de jogos virtuais, Emmanuel Rezende, 37, criou uma rede de apoio às pessoas que se sentem sozinhas durante a quarentena. Desde 2015, toda segunda-feira ele realiza reuniões de gamers para disputas de jogos de tabuleiro. Agora, com o decreto do Governo do Distrito Federal, que proíbe aglomerações, os encontros têm sido virtuais. A novidade começou há uma semana. Para reforçar a ação, ele criou a hashtag #HomeAloneNOT ; sozinho em casa, só que não ; para que os jogadores não se sintam solitários.

A iniciativa deve durar até o fim da quarentena e ocorrerá todos os dias. ;É um suporte que a gente quer dar para essas as pessoas não sofrerem de solidão ou depressão. Começamos com o apoio de gente de todo o mundo usando a hashtag. E queremos dar uma fortalecida;, destaca Rezende. A empresa já realizou 240 encontros e é considerada, segundo o empresário, o maior evento de jogos de tabuleiro ativo no Brasil.

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