Cidades

Eixo capital

Ana maria campos/anacampos.df@dabr.com.br

Correio Braziliense
Correio Braziliense
postado em 31/03/2020 04:05
Ana maria campos/anacampos.df@dabr.com.br
Capital no olho do furacão
Às vésperas de completar 60 anos, Brasília se tornou a cidade mais crítica do país para a disseminação do novo coronavírus. Proporcionalmente à população, o Distrito Federal tem o maior índice de incidências. Enquanto a média do país é de dois casos para 100 mil habitantes, no DF a conta chega a 9,5. Acre e Ceará empatam no segundo lugar do ranking do Ministério da Saúde, com 3,8. São Paulo e Rio de Janeiro têm uma média de, respectivamente, 3,1 e 3,5 casos a cada 100 mil habitantes. E por que a capital do país enfrenta cenário pior? Justamente pelo motivo pelo qual foi criada: receber cidadãos de todos os estados, políticos e suas equipes que circulam pelo país inteiro e ser a sede das embaixadas. Sorte que medidas restritivas foram adotadas pelo governador Ibaneis Rocha logo no início da pandemia.

Índices nas alturas
Pegando a média nacional, é possível verificar como algumas regiões do DF apresentam índices altos de contaminação. No Lago Sul, há 174,80 casos por
100 mil habitantes. No Sudoeste/Octogonal, são 57,91 e no Plano Piloto, 39,08.

Decisões técnicas
A 3; Vara de Fazenda Pública do Distrito Federal negou o pedido do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (Sindmédico-DF) para suspender, em todo o DF, as cirurgias e os procedimentos médicos eletivos, além dos atendimentos ambulatoriais que não sejam de emergência, até a normalização da situação atual de epidemia. O magistrado disse que não restam dúvidas de que o DF tem adotado diversas medidas de contenção da epidemia, que implicam decisões em âmbito administrativo e análise técnica, assim não cabe ao Poder Judiciário intervir.

À QUEIMA-ROUPA - Rafael Sampaio
Presidente do Sindicato dos Delegados da Polícia Civil do DF (Sindepo)
Em meio à pandemia, há ainda o risco de aumentar a criminalidade no país. A Polícia Civil do DF está trabalhando para impedir a onda de violência?
Avaliamos que o risco é real, especialmente em relação a crimes patrimoniais, pois a degeneração da economia pode levar indivíduos a praticarem crimes para subsistir. Além destes, o isolamento pode provocar o aumento de violência doméstica e de crimes cibernéticos. Já temos números que mostram esse movimento, com o aumento de roubos com restrição de liberdade, a postos de gasolina e residências. Noutro sentido, já está havendo a diminuição de outros crimes em razão do isolamento, como homicídio e roubo a transeunte e comércio, que está fechado. A Polícia Civil acompanhará esses movimentos da criminalidade e precisa estar pronta para dar a resposta que a sociedade espera.

Há condições de trabalho?
Depende das circunstâncias consideradas. Hoje, após nossas cobranças, a instituição está fornecendo material de proteção individual. Passou a produzir álcool 70% e ampliou o contrato de limpeza, para que as delegacias sejam limpadas nos fins de semana. Mas ainda faltam testes de diagnósticos disponíveis aos nossos servidores que estão, na ponta, expostos ao contágio. Por falta desses testes, não estamos obedecendo às regras de isolamento da OMS. Servidores com sintomas leves de gripe que não sejam devidamente diagnosticados podem servir como disseminadores nas unidades. A falta de informação e, portanto, de obediência aos protocolos de isolamento podem produzir, de um lado, a contaminação generalizada da unidade, com potencial de diminuição de seu efetivo e contaminação dos cidadãos que a frequentam e, de outro, afastamentos desnecessários. Quem está no front deveria ter prioridade de acesso a testes e tratamento.

O Sindepo entrou com uma ação pedindo mais proteção aos policiais civis que estão na
linha de frente dessa crise. O que vocês desejam?
Vivemos uma situação excepcional que exige medidas de exceção. Entendemos nossa importância e ninguém defende o fechamento da Polícia Civil. Mas precisamos preservar nossos servidores até mesmo para manter a continuidade do serviço.

Você reclamou pelas redes sociais de a Secretaria de Segurança não ter incluído em vídeo de divulgação a Polícia Civil entre as forças que estão prestando serviço relevante. Por que, na sua opinião, isso aconteceu?
Como afirma o governador, este não é momento para politizar. Estamos vivendo uma guerra e para vencê-la precisamos de foco. Mas o que vemos é a comunicação da Secretaria de Segurança focada na promoção pessoal do secretário (Anderson Torres), que parece estar preocupado com a PF, com o Congresso e com objetivos fora do GDF. Não vamos tolerar que essa pretensão política faça com que a Polícia Civil seja menosprezada. Se há uma fogueira de vaidades, apaguem. A verdade é que, desde que esse assessor de comunicação da Secretaria de Segurança chegou, só arruma crise.

O vídeo estava no Instagram do governador Ibaneis Rocha e foi retirado. Foi a pedido de
representantes da Polícia Civil?
Houve muito protesto de policiais civis na própria rede do GDF, do líder do Governo (Cláudio Abrantes) e de nossa Direção-Geral. Mas o que mais incomodou foi que a página da Secretaria de Segurança o publicou após o vídeo ser retirado da página do governador. Espero que esse assessor de comunicação seja peremptoriamente exonerado da SSP, por absoluta falta de condição de manter o ambiente saudável com a Polícia Civil.
"No momento, a gente deve manter o máximo grau de distanciamento social, para que a gente possa, nas regras que estão nos estados, dar tempo para que o sistema
(de saúde) se consolide na sua expansão".
Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta

;38 milhões de autônomos já foram atingidos. Se as empresas não produzirem, não pagarão salários. Se a economia colapsar, os servidores também não receberão. Devemos abrir o comércio e tudo fazer para preservar a saúde dos idosos e portadores de comorbidades;
Presidente Jair Bolsonaro

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação