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Correio Braziliense

"Prioridade é salvar vidas", afirma o presidente da CDL-DF

Presidente da CDL-DF elogiou medidas do GDF de combate ao coronavírus, mas acredita que até o fim de abril o comércio volte a funcionar


postado em 01/04/2020 06:00

(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal (CDL-DF), José Carlos Magalhães Pinto, em entrevista ao CB.Poder, uma parceria do Correio com a TV Brasília, ressaltou que o momento está sendo difícil para todos, mas que a prioridade é salvar vidas. Ele citou que alguns comércios têm fluxo de caixa que aguenta mais 15 dias apenas. No entanto, lembrou que o governo pode tomar medidas para aliviar os impactos da crise. Para José Carlos, os empresários, agora, estão focados em cumprir com a folha de pagamento, que começa a vencer na próxima semana. “Ela é primordial”, afirma.

Ele avaliou as medidas preventivas tomadas pelo governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), e acredita que a ampliação do fechamento dos comércios e escolas, divulgada ontem, pode ajudar ainda mais no combate ao coronavírus. No entanto, José Carlos não acredita que poderá se estender até o fim de abril. “Acho pouco provável, porque nos preparamos antes, o impacto pode ser menor. Pode ser por uma semana a mais, se a doença crescer. Mas até o fim do mês, não”, aposta.


Como os lojistas estão lidando com a pandemia do coronavírus?
O momento é difícil, mas toda a cadeia produtiva está apreensiva. Hoje (ontem), foram decretados mais 10 dias de quarentena, a princípio. Acho que o governo está agindo bem nesse momento, porque ninguém conhece o dano que isso pode causar. É uma preocupação muito grande.

Os lojistas têm caixa suficiente para aguentar 
por quanto tempo 
a paralisação dos negócios?
Temos notícias de que bares, hotéis e restaurantes têm no máximo 15 dias para aguentar o fluxo de caixa. Já são três anos de crise. Nunca saímos efetivamente, só lutando. Dezembro foi um mês bom, e em janeiro houve uma arrecadação melhor. Depois veio o carnaval, quando o comércio é mais fraco. 

Já anunciaram pacotes de R$ 40 bilhões para pequenas 
e médias empresas, mas esse 
dinheiro ainda não chegou, não é?
Na ponta o dinheiro ainda não chegou. O governo tem responsabilidade com esse dinheiro. Se você vem de três anos de crise, muitos não têm uma ficha cadastral boa o suficiente para pegar o empréstimo. Não porque são desonestos ou trabalham mal, mas já viemos de várias crises.

Como está a questão do desemprego? Já tem 
levantamento de quantas pessoas perderam ou 
perderão o emprego por causa da pandemia?
Do setor varejista ainda não temos, por estarmos perto da data base. Agora teremos de pagar mais um salário. Se o comerciante, o empresário puder preservar aquele emprego, ele vai fazer isso e será melhor para o setor como um todo.
 
O melhor é fazer o que nesse momento?
 Os R$ 600 têm que chegar o mais rápido possível nas mãos do cidadão. Isso tem que ser urgente. Segundo, dar um alento, como postergar os impostos. Depois, subsidiar os empréstimos para aqueles que têm empresa.
 
Você falou da agonia dos empresários. Todo querem 
voltar a trabalhar. Qual a sua posição sobre o fechamento?
Temos alguns serviços essenciais funcionando, temos o delivery, que não vai ocupar todo o faturamento do setor, mas vai ajudar. Temos lojas essenciais, como produtos médicos e hospitalares, lojas de materiais de construção, postos de gasolina, mercearias. O governo está sendo hábil em tomar decisões antes. Eu não seria capaz de dizer se está certo ou não, mas vimos que as medidas estão dando resultado. A prioridade é salvar vidas.

Você vê como correta a medida do governador Ibaneis 
de fechar omércios? 
Na sua avaliação, diminuiu a pandemia?
Sim. Tudo está abastecido. Estão dizendo que o pico da doença é entre 10 e 20 de abril. O governo sabe disso e está se comunicando com todos. O GDF está bem em tomar essa decisão.
 
Você trabalha com um prazo maior de fechamento do comércio? Acredita que a medida pode ser até 30 de abril, como nos Estados Unidos?
Acho muito improvável, porque nos preparamos antes e o impacto pode ser menor. Pode ser estendido uma semana a mais, se a doença crescer.

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