Cidades

Coronavírus: visitas continuam suspensas nos presídios até 17 de abril

Medida foi prorrogada até 17 de abril, com o objetivo de evitar novas infecções pelo coronavírus. Representantes do GDF visitaram o presídio da capital para analisar a instalação do hospital de campanha no local

Sarah Peres
postado em 12/04/2020 08:00
Secretaria de Segurança confirmou que seis presos do Complexo da Papuda e 15 policiais penitenciários têm diagnóstico confirmado de Covid-19Visando prevenir a disseminação do novo coronavírus nos presídios do Distrito Federal, a Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe) determinou, ontem, a suspensão das visitas até 17 de abril, com possibilidade de prorrogação. Balanço do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) contabilizava, até o fim da tarde de ontem, 19 agentes e 14 internos contaminados. A Secretaria de Segurança Pública informou, no entanto, que, desses casos, estão confirmadas por exames laboratoriais infecções pela Covid-19 em 15 policiais penitenciários e em seis presos. Os demais aguardam contraprova.

A restrição de visitações de detentos no regime fechado, além da suspensão dos trabalhos externos dos apenados do semiaberto, ocorreu em 12 de março. A previsão inicial era de que durasse até a última sexta-feira. Nesse mesmo dia, porém, foi confirmado o diagnóstico da doença no primeiro interno, no Centro de Detenção Provisória (CDP), no Complexo Penitenciário da Papuda. Agora, a maior parte dos casos (16) está concentrada no Centro de Internamento e Reeducação (CIR).

Como medida de segurança, a Sesipe, ligada à pasta de Segurança, aplicou testes em massa na ala onde ocorreu a contaminação inicial. Ao todo, 332 presos e 126 policiais penais passaram por exames. Apenas os internos que tiveram a doença confirmada em teste rápido estão isolados no complexo e os agentes, em isolamento domiciliar. O resultado final dos testes está pendente.

Segundo o subsecretário da Sesipe, Adval Cardoso, não há nenhum caso preocupante dentro do sistema prisional. ;Todos estão bem e isolados;, garantiu. ;Estamos seguindo um protocolo rígido, estipulado pela Saúde, para evitar a disseminação da doença. Portanto, quando um agente apresenta qualquer sintoma, ele é orientado a retornar para casa e passar por exame. Quando se trata de um preso, nós o encaminhamos para avaliação da equipe de saúde da Unidade Básica do presídio. Os profissionais determinam, se preciso, o isolamento desse detento. Quem teve contato com essa pessoa nos últimos 14 dias, também fica em quarentena.;

Ainda de acordo com o subsecretário, a principal preocupação da pasta é com os detentos que têm mais de 60 anos. O grupo vulnerável foi transferido para uma ala isolada do CDP, onde não ocorre rodízio de entrada de agentes ou das equipes de saúde. Não há nenhuma suspeita de contaminação do novo coronavírus entre esses presos. ;Eles continuam presos, mas em um local onde é possível abrir as celas pela manhã e fechá-las à noite.;


Prevenção


Representantes das secretarias de Saúde e de Segurança e da Sesipe visitaram o Complexo Penitenciário da Papuda ontem, analisaram e aprovaram o local onde será instalado o hospital de campanha que atenderá aos casos mais graves da doença no sistema carcerário. Após aprovação do projeto, pretende-se entregar o espaço em 15 dias.

A estrutura proposta será composta de 10 leitos com suporte de ventilação mecânica e 30 leitos de retaguarda, para internação. A própria Secretaria de Saúde cederá os equipamentos. O Exército Brasileiro auxiliará a Sesipe em uma desinfecção no Centro de Internamento e Reeducação, prevista para ocorrer na próxima quarta-feira. Amanhã, a Vigilância Sanitária deve realizar a higienização do Centro de Detenção Provisória.

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