Cidades

Bares e restaurantes pressionam para reabrir na mesma data do comércio

Setor elabora protocolo de segurança para convencer o governo local a também liberar as atividades do segmento em 3 de maio, data prevista para a retomada de grande parte do comércio. Empresários se comprometem a seguir medidas protetivas

Darcianne Diogo
postado em 18/04/2020 06:00
Dona de loja no Brasília Shopping, Kamila Castro defende a reabertura: ''Tomo os devidos cuidados com a limpeza''Após o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), prever a reabertura de parte do comércio para 3 de maio, bares e restaurantes elaboraram um protocolo de segurança para também retomar as atividades. No entanto, a liberação para o funcionamento desse segmento ainda é avaliada pelo chefe do Palácio do Buriti e não há confirmações oficiais sobre esse setor, segundo o GDF. Ao lado da flexibilização das restrições, o Executivo local deve adotar medidas para evitar a disseminação da Covid-19, como a distribuição de 1 milhão de máscaras descartáveis para a população nos próximos 15 dias. O DF chegou ontem a 24 óbitos por causa da doença (leia mais na página 16).

O presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar-DF), Jael Silva, afirmou que propôs, na quinta-feira, em reunião com o governador e alguns secretários do governo, a possibilidade de os estabelecimentos do setor retornarem às atividades, desde que baseados em um conjunto de regras. ;Vamos abrir (lojas) de forma gradativa, com um protocolo de segurança. Até terça-feira, encaminharemos o documento ao gabinete de crise;, adiantou.

Entre os critérios submetidos ao governo, o Sindhobar ressaltou o distanciamento entre pessoas, para evitar aglomerações; o reforço na higienização das lojas e dos funcionários; e a observação da distância mínima de, no mínimo, dois metros entre as mesas. ;A população tem de estar tranquila quando abrirmos. Temos um número muito grande de empresas fechadas. Quanto mais ficarmos assim, são mais empresas que estão quebrando e mais gente sendo demitida;, alertou Jael.

Na avaliação de Beto Pinheiro, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o protocolo de segurança elaborado pelo Sindhobar é suficiente para respaldar comerciantes e clientes no momento em que as portas reabrirem. ;Temos alguns procedimentos para fazer a tarefa de casa. Vamos construir todo o protocolo. Várias cidades estão liberando a abertura;, argumentou. De acordo com ele, medidas como a disponibilização de álcool em gel em cada mesa, a utilização de máscaras e até a medição de temperatura dos funcionários deverão ser adotadas.

Receio

Alguns empresários, no entanto, temem a reabertura e preveem baixo faturamento nas vendas. É o caso do gerente da pizzaria Casa Baco, Wagner Luiz Moreira. Com o estabelecimento fechado desde 1; de abril, ele diz que, primeiramente, deve-se ter o controle total da pandemia. ;Os restaurantes são ambientes propícios à contaminação. As pessoas ficam próximas uma das outras, e disso não sou a favor. Voltar de uma vez não será legal, até porque os clientes estarão receosos e não sairão tão rápido de casa. Então, vai abrir para aparecer ninguém?;, questionou.

Atiê Araújo, 35, é proprietário de um bar na 206 Sul. Ele fechou o estabelecimento antes da publicação do decreto do GDF. Mesmo em um período de poucas vendas, o empresário acredita na retomada do setor. ;Tomamos uma medida de segurança mais drástica e optamos por não trabalhar com delivery, por questão de segurança. Se for para reabrir, que seja de forma gradativa, mantendo distância uns dos outros e tomando todas as precauções;, destacou.

Além da reabertura do comércio, o governo local esclareceu, em nota, que os shopping centers da capital podem ser incluídos na lista. Contudo, o GDF informou que esses estabelecimentos terão de testar os funcionários e oferecer máscaras para clientes e trabalhadores. Os lojistas precisarão, ainda, usar aparelhos para medir a temperatura dos clientes.

Kamila Castro, 33, é dona de loja de artigos infantis no Brasília Shopping. Desde o fechamento, a loja implementou o delivery para não perder clientes. Segundo ela, as vendas caíram em mais de 90%. ;Sou a favor de abrir o shopping. Aqui, por ser uma loja para crianças, eu tomo os devidos cuidados com a limpeza, e continuaremos mantendo com a reabertura. O nosso estabelecimento tem um fluxo menor; então, não gera aglomeração;, alega.

A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) informou que vem ;mantendo diálogos constantes com as autoridades sobre a possibilidade da reabertura dos estabelecimentos;. Em nota, a entidade reforçou que a decisão para reabrir é do poder público, que tem capacidade técnica e responsabilidade de definir o melhor momento para o retorno das operações. O Conjunto Nacional esclareceu que analisará as novas determinações das autoridades, mas assegura que a prioridade é garantir a saúde e a segurança de todos que frequentam o centro comercial, como colaboradores, lojistas e clientes.

; Colaborou Matheus Ferrari



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