Cidades

Marinésio é condenado pelo estupro de jovem de 17 anos; defesa vai recorrer

A Justiça condenou o cozinheiro a 10 anos de prisão, conforme autos do processo a que o Correio obteve em primeira mão. Ele responderá ao crime em regime inicialmente fechado

Sarah Peres
postado em 07/05/2020 12:47
Cozinheiro é acusado de diversos crimes, boa parte envolvendo abuso sexualO cozinheiro Marinésio dos Santos Olinto foi condenado pelo estupro de uma jovem que, à época do crime, tinha 17 anos. A vítima foi atacada na área de Pinheiral, região do Paranoá, em 1; de abril de 2019. O réu teria usado um carro vermelho para realizar o ataque. A defesa vai recorrer da decisão da Justiça.

Marinésio foi condenado a 10 anos de prisão, em regime inicialmente fechado, conforme autos do processo a que o Correio obteve em primeira mão. O inquérito policial foi realizado pela 6; Delegacia de Polícia (Paranoá), quando a vítima denunciou o cozinheiro pelo estupro, em agosto passado.
Durante o julgamento, o magistrado Julio Cesar Lerias Ribeiro destacou o fato de a vítima ter contado com riqueza de detalhes como foi atacada pelo cozinheiro, versão que manteve durante todo o andamento do processo. ;Disse que, no dia do fato, desembarcou na parada de ônibus em frente à Regional de Ensino e um indivíduo, em em um veículo vermelho, ofereceu carona. Diante da negativa, ele desceu do automóvel e, com uma faca na mão, a obrigou a entrar no banco de trás do carro, sob ameaça de morte, seguindo para a região do Pinheiral, onde estacionou. Ele tirou a calça dela e a obrigou a manter relação sexual;, narrou.

Após sofrer o abuso, a vítima sofreu mais uma violência física. ;O autor a enforcou, deixando-a tonta. Logo depois, ele a empurrou para fora do veículo e lhe deu um chute na perna, dizendo que ela era um lixo, e foi embora. A vítima disse que foi para casa e não contou o ocorrido para ninguém;, acrescentou. A jovem afirmou que reconheceu o cozinheiro ao ver uma foto dele nos noticiários locais, após ser preso pelo feminicídio de Letícia Curado.

Diante dos fatos, a defesa alegou que Marinésio não teria cometido o crime, porque ficou em casa com a filha dele no dia do estupro. A garota chegou a apresentar print de conversas com uma amiga, que indicariam que o cozinheiro estaria na residência, à época localizada no Vale do Amanhecer, em Planaltina.

Contudo, o juiz frisou que ;os prints do celular da filha do réu não comprovam que ele estava em casa no momento dos fatos descritos na denúncia". "Apenas demonstra que já estava em casa porque o pai a havia buscado na escola e, às 17h25, também falou que o pai estava ali. Entretanto, não é hábil a comprovar que no horário descrito na denúncia, por volta das 14h, o réu estava em casa. Assim, é inviável a acolhida da tese de impossibilidade de o réu estar em dois lugares ao mesmo tempo.;

Outra tese da defesa de Marinésio é que ele não poderia ter cometido o crime, pois não tinha um carro vermelho. Durante as investigações da 6; DP, apurou-se que o irmão do acusado tinha um Pálio nessa tonalidade, que foi reconhecido pela vítima como o usado no dia do estupro.

;Com relação à alegação da defesa sobre a impossibilidade de o réu estar, na posse do veiculo Palio vermelho de propriedade do seu irmão, pois já havia sido alienado, em nada afasta a autoria delitiva. Salvo melhor entendimento, a acusação não apontou que o crime consumou-se no interior do carro de propriedade do irmão do réu, apenas indicou ter acontecido em um carro vermelho e que o irmão do réu já possuiu um veículo vermelho, o qual o réu já tomou emprestado em algumas ocasiões;, analisou o magistrado.

Para embasar a condenação de Marinésio, o juiz observou como a vítima foi coerente ao falar sobre o crime. ;A ofendida, em todas as oportunidades em que foi ouvida, narrou o fato delituoso de forma precisa, com riqueza de detalhes, e sempre de forma coerente. Sendo assim, pelo cotejo do conjunto probatório integral carreado aos autos, ficou evidenciado que o réu praticou o fato delituoso descrito na denúncia. Os depoimentos coerentes e firmes da ofendida são amplamente confirmados pelos demais elementos de provas e não há nada que desabone a versão por ela apresentada;, salientou Julio Cesar Lerias Ribeiro.

O magistrado também decidiu que o cozinheiro cumprirá a pena em regime inicialmente fechado. ;A folha de antecedentes criminais do réu revela que ele é contumaz na prática de delitos contra a dignidade sexual, o que indica que possivelmente ele não se curvará de bom grado a aplicação da lei penal, e que ele, em liberdade, traz intranquilidade e insegurança a comunidade. Todos esses fatores aconselham a manutencao da prisao do acusado;,

;Assim, por garantia da ordem pública, nego ao acusado o direito de aguardar o trânsito em julgado da sentença (pelo crime de estupro) em liberdade e, por conseguinte, mantenho a prisão preventiva de Marinésio dos Santos Olinto;, deliberou Julio Cesar Lerias Ribeiro.

Defesa vai recorrer

O advogado de defesa do réu, Marcos Venício, afirma que vai recorrer da sentença. Ele argumentou que a decisão do juiz se baseou apenas na narrativa da vítima e no reconhecimento que ela fez de Marinésio quando estava detido no Departamento de Controle e Custódia de Presos (DCCP), no Complexo da Polícia Civil, no Parque da Cidade.

[SAIBAMAIS]Marcos Venício também frisa que a condenação seria contrária às provas apresentadas nos autos. ;Não leva em consideração que ela também reconheceu o veículo vermelho, que era do irmão ;sem qualquer sombra de dúvidas;. Isto é impossível, uma vez que este carro foi vendido há mais de dois anos, antes do fato, não podendo assim o acusado ter se utilizado dele;, alega.

Casos em tramitação

>> Homicídio quintuplamente qualificado da advogada Letícia Curado, em 23 de agosto. Marinésio também responde por ocultação de cadáver, tentativa de estupro e furto

>> O ataque de duas irmãs, de 18 e 21 anos, em 24 de agosto, um dia após o assassinato de Letícia Curado. Elas saíram de uma festa e pegaram uma carona com o cozinheiro. Elas conseguiram fugir depois de ameaçarem quebrar o carro de Marinésio com uma barra de ferro. Ele responde pelo estupro da vítima mais velha e pela tentativa de abuso sexual da mais jovem

>> Abuso sexual de uma mulher, que ocorreu no Guará. Como o processo é digitalizado, não havia informações sobre o crime

>> Estupro em Sobradinho, que ocorreu entre 2013 e 2014. A vítima pegou uma carona com Marinésio, na Blazer cinza, para Sobradinho. Durante o trajeto, o suspeito teria desviado o caminho para uma estrada de chão, próximo ao Pólo de Cinema da cidade. Ali, cometeu o crime constrangendo a vítima sob ameaça

>> Caso de privação de liberdade de uma jovem de 21 anos, que pegou carona com Marinésio no carro dele, uma Blazer cinza, em 2017. À época, a vítima tinha 19 anos. Ela relatou que o cozinheiro tentou uma investida sexual, mas ela não quis. Depois de algumas tentativas, ele deixou a mulher na porta de casa. Com medo, ela se mudou

>> O caso está na 1; Vara Criminal de Planaltina, mas não há informações sobre o crime

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