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GDF aposta na construção civil como carro-chefe para a retomada

Após mais de dois meses do primeiro diagnóstico de coronavírus no DF, o Executivo traça planos para reduzir os impactos na economia. A construção civil deve ser o carro-chefe após a crise

Walder Galvão, Alexandre de Paula
postado em 17/05/2020 07:00

um prédio em construçãoEm meio ao impacto cruel da crise provocada pela pandemia da covid-19 na economia local, o Governo do Distrito Federal (GDF) estuda ações em várias frentes para que a capital federal tenha forças para uma retomada pós-coronavírus e possa se estruturar contra as dificuldades que se apresentam. Setores como a construção civil, avalia o Executivo, serão importantes para puxar o movimento de recuperação e a busca por investimentos.

O secretário de Desenvolvimento Econômico do DF, Ruy Coutinho, explica que existe um planejamento em várias frentes para fortalecer a economia local no pós-pandemia. Na avaliação do secretário, a construção civil é um dos setores que devem puxar o movimento de retomada. ;É um segmento que deve se recuperar com razoável velocidade tão logo tudo isso passe. Historicamente, ela tem uma relevância muito grande na matriz econômica do DF e deve ser forte neste momento;, avalia.

A criação da Secretaria de Empreendedorismo, anteriormente ligada à pasta comandada por Coutinho, é um movimento importante na avaliação dele. ;É uma reivindicação antiga do setor. A nova secretaria vai cuidar do programa Desenvolve-DF e dos pequenos e médios empresários, que precisam tanto de apoio neste momento. Nós ficaremos focamos no desenvolvimento econômico em grande escala;, explica.

Coutinho destaca algumas ações que poderão contribuir, como a instalação de um complexo hospitalar gerido por um grupo americano que pode gerar 40 mil empregos e ampliação do Aeroporto de Brasília Juscelino Kubistchek como um HUB e cargas aéreas, além da criação de agência para captação de investimentos. ;As privatizações também são importantes. Esse problema do coronavírus atrapalha, mas deve ocorrer ainda neste ano na CEB e depois no Metrô;, acrescentou.

A montagem de um complexo industrial de Saúde que produza equipamento de cuidados intensivos também está nos planos. ;Começamos a estudar isso agora. Seria voltado para tudo isso que tem faltado.; A tecnologia é outra área que pode ser aliada, na visão de Coutinho. ;O Biotic pode colaborar muito nesse esforço, não apenas na área de Tecnologia da Informação (TI), mas também nas empresas de dados tecnológicos.;

A busca por investimentos e financiamentos internacionais também está nos planos. Segundo Coutinho, o GDF tem se aproximado do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o chamado banco do Brics e do Banco Latino-Americano de Desenvolvimento (CAF). ;Fora o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), que já temos operação de US$ 71 milhões para estrutura das ADES, em franco desenvolvimento.;

Coutinho explica que existem vários modelos de recuperação econômica e destaca que o DF provavelmente deve seguir a retomada em U. ;Nesse caso, você tem redução muito forte do PIB no início e uma recuperação relativamente lenta depois. O ideal seria em V, em que a retomada também é abrupta, mas não é o que vai acontecer. O pior cenário seria o modelo em W, que é muito instável, de altos e baixos.;

Representantes da construção civil acreditam em recuperação rápida, principalmente pelo fato de ter permanecido em funcionamento durante a pandemia


Desenvolvimento

A Secretaria de Economia (SEEC) informou, por meio de nota oficial, que técnicos da pasta se reúnem diariamente para minimizar os efeitos atuais e futuros gerados pela covid-19. Segundo o texto, o secretário André Clemente dialoga com representantes do setor econômico, como as Federações da Indústria (Fibra) e do Comércio (Fecomércio), a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e outras entidades para avaliar o cenário e definir estratégias.

A secretaria frisou que negocia no Congresso Nacional e na Câmara Legislativa do DF (CLDF) recursos para impulsionar a economia da capital. ;Um dos principais resultados, com trabalho e empenho de toda bancada federal, é o auxílio econômico da União de R$ 1,38 bilhão, com a aprovação do Projeto de Lei Complementar 39/2020;, ressaltou. Além disso, a pasta explicou que o GDF conseguiu verbas destinadas aos estados e municípios, além da possibilidade de renegociar dívidas.

A pasta também conta com a criação do Refis 2020, que tramita na CLDF e poderá gerar economia de impostos da ordem de R$ 823 milhões para as empresas. Outra medida para driblar a crise, é o programa Emprega-DF, criado no ano passado e que foca na geração de emprego e qualificação profissional.

De acordo com a secretaria, os setores da construção civil e dos pequenos negócios foram beneficiados durante a crise. A pasta explicou que as obras não foram paralisadas e os pequenos negócios tiveram postergação dos pagamentos de impostos do Simples Nacional, como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto Sobre Serviços (ISS). Outra medida de fomento da economia, segundo a SEEC, foi priorizar o pagamento da folha dos servidores e de a quitação de débito com fornecedores, para manter a cadeia produtiva e gerar arrecadação de impostos, como o Predial e Territorial Urbano (IPTU).


Construção civil

Representantes da construção civil, aposta do GDF na retomada econômica, seguem otimistas. O presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal (Ademi), Eduardo Aroeira, acredita que o setor tem condições de se recuperar rapidamente, principalmente pelo fato de ter permanecido em funcionamento durante a pandemia. ;Desde o início da crise, o governo permitiu o trabalho da construção civil, seguindo os protocolos de segurança. Por isso, não houve grandes prejuízos, como outros segmentos da economia;, ressaltou.

De acordo com Eduardo, o BRB deu capital de giro para que as empresas funcionassem com tranquilidade. Entretanto, ele reconhece que houve queda na venda de imóveis. ;Houve uma incerteza muito grande por parte dos brasilienses;, ponderou. A saída encontrada pelo setor foi o investimento em plataformas digitais, para manter o interesse da clientela que está em casa ativo.

;Apesar das vendas terem caído, principalmente por essa dificuldade de deslocamento, a procura pela internet continuou em níveis maiores do que o período anterior ao da pandemia;, explicou. O presidente da Ademi ainda informou que há 3 mil unidades habitacionais em oferta, mas que, geralmente, o DF costuma disponibilizar 9 mil.

;As empresas estão em uma situação confortável. Fazemos uma pesquisa semanal que mostra que 58% dos associados lançarão novos imóveis este ano e 20% avaliam o cenário. Portanto, teremos a mesma quantidade de inaugurações o que antes da crise;, destacou. Eduardo estima que as vendas devem ser retomadas a partir do segundo semestre.

Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do DF (Sinduscon-DF), Dionyzio Klavdianos, apesar do setor ter se mantido em funcionamento, nenhum segmento no país conseguiu permanecer ileso durante a pandemia. ;A continuidade do serviço deu força para a gente. Entretanto, é claro que a pandemia está fazendo um estrago. Temos notícias de empresas que desistiram de lançar imóveis. A falta de venda impacta no caixa das empresas. Toda essa questão gera redução de mão de obra, jornada e gera prejuízo;, comentou.

Antes da crise gerada pelo coronavírus, Dionyzio revelou que a expectativa para 2020 era positiva. ;A nossa esperança é de que essa situação vá se arrefecendo e que a economia tenha uma retomada;, disse. A expectativa do setor, segundo o presidente do sindicato, é de que o segmento volte a se aquecer no último trimestre do ano. As obras públicas, que não foram paralisadas durante o período, também ajudam a manter a atividade das empresas. ;O papel da construção civil é importante para garantir o mínimo de atividade econômica. Ela também é importante na geração de emprego;, reforçou.

; Setores que mais empregam no Distrito Federal

; Serviços - 943.642

; Comércio - 227.760

; Indústria - 72.042

; Agricultura - 6.569

; Desconhecem - 13.093

*Os dados são da Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (Pdad) da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan-DF) de 2018.

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