Cidades

Grupo que prestava falsos serviços espirituais é preso no Guará

Investigações da PCDF apontam que os suspeitos exigia pagamento de vantagens indevidas pelo serviço, mediante graves ameaças

Policiais da 4ª Delegacia de Polícia (Guará) prenderam, nesta terça-feira (26/5), três pessoas acusadas de prestar falsos serviços espirituais. Investigações apontam que a organização criminosa era composta pela mãe, filho e nora. O grupo cobrava um valor ao cliente pelo trabalho e, em seguida, induzia as vítimas ao erro, exigindo o pagamento de vantagens indevidas, mediante a graves ameaças

A Operação, batizada como Métis 2, resultou na prisão de Vera Lucia Nicolitch, 52 anos (mãe), Diogo Nicolitch Luiz, 31, (filho) e Luana Nocoleti, 32 (nora). As supostas mães de santo se apresentavam como “Irmã Vivian, Irmã Vera e Dona Luana de Oxum”. Todas atuavam na QE 13 do Guará 2. Uma outra filha de Vera, identificada como Viviane Nicolitch Luiz, 33, também é investigada, mas não foi encontrada na residência no momento em que os policiais chegaram

Segundo o delegado à frente do caso, João Ataliba, as supostas videntes extorquiam as vítimas sob ameaça. “Elas diziam que se a pessoa não pagasse a quantia exigida, poderiam sofrer algum mal. Além disso, elas pediam que os clientes dessem oferendas. Em um dos casos, pediram à uma mulher 500 garrafas de cerveja, 18 garrafas de champagne, frascos de perfumes importados, entre outros”, detalhou. 


Como agiam

De acordo com o delegado Ataliba, em um dos casos, as videntes induziram ao erro uma mulher moradora do Guará, de 47 anos. A vítima procurou Vera para a realização de um serviço em agosto do ano passado para um trabalho de “amarração para o amor”. O pagamento estipulado foi de R$ 1,5 mil, pago em espécie. 

Contudo, a mãe de santo marcou um outro serviço para a mulher no dia seguinte. O delegado explica que, enquanto Vera simulava para a vítima ter incorporado uma entidade espiritual, Luana, a nora da vidente, a ameaçou. “Ela desafiou a cliente dizendo para ela fazer um acordo, pois outras entidades que a acompanhavam queriam levar sua filha. Dessa forma, exigiu o pagamento de R$ 11 mil para que o mal não ocorresse”, afirmou. 

Com medo,  a mulher entregou às acusadas um dinheiro no valor de R$ 5 mil e mais R$ 6 mil no cartão. O pagamento foi recebido por Diogo, filho de Vera. Segundo o investigador, o rapaz era responsável por ficar pelo caixa. “Mesmo após ela pagar tudo, a vítima continuou sendo mantida em erro pela organização. A mulher ainda se encontrou com Vera  por cerca de 10 a 15 vezes, sendo que, em alguns desses encontros ela foi convencida a entregar 18 perfumes franceses, mais de 500 garrafas de cerveja Heineken, roupas masculinas de marca, whiskys da Johnnie Walker, Double Black, 19 espumantes da marca Chandon, rosas e cravos vermelhos, além de dinheiro”, ressaltou Ataliba.

Na residência das suspeitas, os policiais encontraram R$ 48 mil em espécie, cheques no valor de R$ 47 mil, além de perfumes, bolsas de grife, relógios e jóias. O grupo será autuado por lavagem de dinheiro e, caso condenado, pode pegar até 33 anos de prisão. A polícia acredita, ainda, que outras pessoas podem ter sido vítimas das suspeitas.