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Correio Braziliense

Adolescente sofreu estupros do padrasto durante sete anos em Ceilândia

Homem, de 56 anos, é preso acusado de abusar da enteada. Violência começou quando ela tinha 7 anos, de acordo com a polícia. Aos 14, a vítima denunciou o padrasto, após quebrar o silêncio e relatar para um irmão os ataques que havia sofrido


postado em 29/05/2020 06:00

A 24ª DP iniciou a investigação após o acusado denunciar agressões, que teriam ocorrido em represália aos abusos(foto: Luiz Calcagno/CB/D.A Press - 22/5/18)
A 24ª DP iniciou a investigação após o acusado denunciar agressões, que teriam ocorrido em represália aos abusos (foto: Luiz Calcagno/CB/D.A Press - 22/5/18)
Um homem, de 56 anos, foi preso preventivamente por estuprar a enteada. Os abusos aconteceram por sete anos, segundo a investigação. Agentes da 24ª Delegacia de Polícia (Setor O) procuraram pelo suspeito durante um mês até encontrá-lo em um posto de gasolina do Setor O, em Ceilândia, no fim da tarde dessa quarta-feira. Ele estava no local trabalhando informalmente, calibrando pneus.

Os estupros começaram quando a menina tinha 7 anos. No entanto, a vítima só teve coragem de denunciar o crime recentemente, aos 14 anos, após romper o silêncio e conversar com um irmão. “Ele foi morar com a família e notou atitudes estranhas no tratamento que o padrasto tinha com a menina. O irmão não chegou a presenciar nenhum crime, mas não achou normal o jeito que o acusado agia”, explicou o delegado adjunto da 24ª DP, Hermes Dantas.

Ainda segundo o investigador, o rapaz questionou a garota sobre a situação. “Nesse momento, ela decidiu relatar os crimes.” Após saber dos abusos, o irmão e alguns conhecidos teriam agredido o homem, que foi à unidade policial para denunciar espancamentos, no início do ano.

“O suspeito abriu uma ocorrência de agressão. Então, começamos a apurar o motivo do crime e descobrimos que a violência aconteceu porque ele abusou sexualmente da enteada”, esclareceu Dantas. “Quando a vítima prestou depoimento na delegacia, detalhou que os abusos aconteciam quando a mãe saía para trabalhar, e ela ficava sozinha com o padrasto. Em alguns dias, a menina chegava a ser estuprada mais de uma vez”, afirmou.

O delegado adjunto coletou o depoimento da vítima, da mãe e do irmão. A apuração não indicou se a mulher do suspeito era conivente com os estupros da filha. Além dos relatos, os policias conseguiram recuperar mensagens que o acusado havia enviado para a enteada, de cunho sexual. Com as provas, a 24ª DP representou pela prisão preventiva do homem e a Justiça concedeu o mandado, em abril.

Bicos
“Certamente, ele percebeu que seria punido pelos crimes. O acusado deixou uma carta para a mãe da vítima, afirmando que tinha ido embora, mas voltaria depois. Passamos a levantar informações sobre o paradeiro do homem, que estava dormindo, de favor, na casa de familiares e amigos. Foi quando descobrimos que, por estar desempregado, o suspeito fazia bicos em postos de gasolina. Realizamos uma campana e o prendemos”, completou Dantas.

O acusado foi encaminhado para a 24ª DP, mas decidiu não prestar esclarecimentos. Ele foi levado ao Departamento de Controle e Custódia de Presos (DCCP) da Polícia Civil e deve ser encaminhado, hoje, para o Complexo Penitenciário da Papuda, onde permanecerá preso até o julgamento. O inquérito foi finalizado pela delegacia e entregue ao Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT). O suspeito responde por estupro de vulnerável continuado (quando o delito ocorre mais de uma vez), cuja pena varia de 8 a 15 anos.

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