Publicidade

Correio Braziliense

"Emprego e proteção à vida", diz chefe da Casa Civil sobre combate à covid

Chefe da Casa Civil do DF afirma que, para enfrentamento da covid-19, é necessário crescimento na estrutura de saúde e isolamento social


postado em 29/05/2020 06:00 / atualizado em 29/05/2020 10:31

"Quando nós começamos, estávamos com 80, 90 leitos dedicados à covid-19 na rede pública de Brasília. Hoje, nós temos mais de 300 leitos. Isso só foi possível porque a Saúde foi investindo no crescimento da rede, enquanto estávamos em casa" (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Diminuir o número de contaminados e o nível de desemprego. Esse é o principal desafio do Governo do Distrito Federal frente à pandemia causada pelo novo coronavírus. Valdetário Monteiro, chefe da Casa Civil do Distrito Federal, explica que o monitoramento constante do número de infectados e na reabertura das atividades comerciais é imprescindível para um cenário positivo. “O grande desafio é atenuar uma curva em relação a outra, tornar ainda mais tênue essa linha que divide o emprego da proteção à vida”, explica. O chefe da Casa Civil foi o convidado do CB.Poder de ontem, parceria entre o Correio e a TV Brasília.

Segundo Valdetário, a forma mais segura para o enfrentamento da crise é aumentar o investimento na infraestrutura das unidades de saúde e convencer a população a ficar em casa. Para o secretário da Casa Civil, a expectativa é de que, até o fim de junho, haja 800 leitos na capital. “A única saída é fazer com que a contaminação seja menor, para que a rede de saúde possa se expandir”, ressalta. “Não é porque o shopping abriu, que você deve ir para lá passear. Nós não estamos em tempo de passeio gratuito, mas em tempo de pandemia, de se recolher e ficar em casa, se preservar para evitar tomar o leito de quem efetivamente precisa”, acrescenta.

O brasiliense já pode se sentir seguro para pensar nesse retorno às atividades? Como o GDF está preparando isso?
Creio que não. Essa segurança 100% nós só vamos ter quando, efetivamente, a pandemia passar. Esse momento é de aprendizado. Nunca tínhamos nos deparado, na história recente da humanidade, com algo tão alarmante em todo o mundo. Não há local para se esconder hoje do coronavírus, que não seja a prudência, o planejamento e a ciência. Acredito que a ciência pode ajudar e muito. Agora, uma coisa, os brasilienses podem ter certeza, o governador Ibaneis Rocha tem tomado todas as medidas para que o sofrimento da nossa população seja o menor possível. As curvas mostram isso, os números demonstram que o trabalho foi acertado, o trabalho tem sido assertivo e que nós precisamos ter cautela, tranquilidade e seguir a ciência para que a gente possa dar essa segurança que a população precisa.

O DF saiu à frente no começo a adotar medidas de restrição, o fechamento das atividades comerciais e das escolas. Isso  já se mostra como um resultado nos dados que a gente tem hoje? A situação seria muito pior se não tivesse feito isso?
Acredito que sim. A primeira reunião que eu participei com o governador Ibaneis, com o então secretário de Saúde Osnei (Okumoto) e o presidente do Iges, Francisco Araújo, nós tínhamos um estudo da Universidade de Pernambuco e outro estudo da Universidade de São Paulo que tratavam Brasília como principal foco da pandemia no Brasil. Nós temos mais de 130 representações internacionais, somos a casa do Legislativo nacional, do Judiciário nacional e do Executivo. Isso faz com que a mobilidade do país se encontre aqui em Brasília. Nós somos um hub tanto aeroviário como de transporte urbano, que é significativo como a região grande da Ride no Entorno, que traz 32 cidades em forma de pêndulo, levando e trazendo a população para cá. Todos esses elementos foram superados pela decisão acertada do governador Ibaneis. Ou seja, o nosso vetor de transmissão seria muito maior. Então, o governador tomou medidas em relação ao aeroporto, ao transporte urbano coletivo, à circulação de pessoas e de veículos e foi encurtando o caminho do vírus, até que possibilitou o achatamento da curva para que a gente pudesse aumentar a estrutura de saúde.

O que embasou, agora, essa decisão de promover o retorno das atividades comerciais?
Nós temos um foco no crescimento da curva de contaminação, então são escolhidas pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), que tem trabalhado nessa atividade de calcular a abertura cotejando os elementos de mobilidade da cidade, para que a gente possa ter o mínimo de contaminação com essa abertura. Quando nós, lá atrás, abrimos concessionárias de veículos, revendas, borracharias, priorizando atividades que eram essenciais, diminuindo a mobilidade e controlando o transporte urbano, nós diminuímos a curva, nós achatamos, nós obrigamos as pessoas a ficarem em casa e, com isso, diminuir a contaminação. Nós talvez sejamos o primeiro estado da Federação que criou inteligência artificial para tratar números. O governador Ibaneis começou a montar uma estrutura com a Codeplan, com a Subsecretaria de Inovação e com a Secretaria de Economia para que a gente pudesse acompanhar, por exemplo: se eu abrir concessionária, qual o efeito disso no ônibus, no carro, na contaminação? O gerenciamento, a conciliação desses dados, fez com que a gente começasse com as atividades de menor circulação para chegar no dia de hoje e ter o comércio de rua aberto e os shoppings. Agora, para que isso aconteça, vem atrelada uma série de cautelas, uma série de responsabilizações.

Como fazer para a população entender que, apesar de haver a reabertura do comércio, a recomendação ainda é se manter em casa e evitar aglomerações? Como convergir essas duas mensagens?
Acho que o grande lema é: fique em casa sempre que possível, porque quanto menor for a contaminação, menos nós precisaremos do sistema de saúde. A conta é bem simples, de cada 100 pessoas que são contaminadas, cerca de 10 precisam ir à rede hospitalar. Dessas 10, uma, duas, às vezes até três vão precisar de respiração mecânica, de unidade de UTI. Se nós tivermos 1 milhão de pessoas doentes, não conseguiremos jamais, no DF, fazer esse atendimento. A única saída é fazer com que a contaminação seja menor, para que a rede de saúde possa se expandir. Quando nós começamos, estávamos com 80, 90 leitos dedicados à covid-19 na rede pública de Brasília. Hoje, nós temos mais de 300 leitos. Isso só foi possível porque a Saúde foi investindo no crescimento da rede, enquanto estávamos em casa. O sacrifício é enorme. Acho que, para quem é pequeno empresário, empreendedor, você montar um negócio, depositar ali toda a sua esperança, energia e força de trabalho e ver o negócio fechado e perecer, não é fácil. Mas, ao mesmo tempo, quando você enxerga em casa o avô, a avó, o pai, a mãe, um irmão jovem que tem diabetes ou alguma comorbidade, você vai perceber que valeu a pena o sacrifício.

Essa abertura veio como uma série de regras tanto para a população quanto para os comerciantes. Como garantir que essas medidas de segurança vão ser colocadas em prática, de fato? 
O governador Ibaneis determinou, ainda, que nós fizéssemos mutirões de fiscalização. O DF Legal tem trabalhado muito junto ao secretário de Economia, André Clemente, e com o secretário de Segurança Pública, Anderson (Torres) para que todas as forças, que envolvem o Detran e a fiscalização do DF, possam fazer ações demonstrando a importância de que o comércio só pode ficar aberto, se todos os comerciários forem testados. Se você não conseguiu testar ainda, não abra. Porque pode ter ali alguém que tenha a covid e que vá atender a um cliente, que vai transformar aquilo em doença, aquilo se espalha na internet e rapidamente o seu negócio vai ficar malvisto naquela condição.
Nós não teremos receio algum em voltar atrás. Pandemia é aprendizado, não há um manual pronto, não há algo acabado. Nós estamos aprendendo fazendo. Se os números não forem bons, o governador, tenho a certeza, não terá a menor dúvida em fechar novamente. A análise é permanente, diária e cotidiana. Porque nós precisamos analisar essa curva para ter a cautela. Como disse, o bem maior é a preservação da vida. Eu sei que para alguém que me escuta e está desempregado, pode pensar “mas o risco também de uma crise econômica matar muitos também é grande.” Mas o grande desafio é esse: atenuar uma curva em relação a outra, tornar ainda mais tênue essa linha que divide o emprego da proteção à vida.

Como o GDF está lidando com a transparência e a cobrança ao acesso de dados da covid-19?
Quando a pandemia começou, nós tínhamos um receio muito grande de que a apresentação dos números incitasse a população a querer ir para a rua. O número de casos, comparados a cidades de igual porte, era muito bom. O nosso receio era que esse “muito bom” levasse todo mundo para a rua. Só que chegou a um determinado momento que a gente percebeu que o DF estava ficando para trás no índice de transparência. E nós começamos a criar mecanismos de controle, junto à Controladoria, com o colega Paulo Martins, e fazer uma abertura disso. Hoje, nós somos o segundo lugar nacional em transparência. Abrindo (os dados) não só em relação à população, mas em relação ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas, a Controladoria, permitindo que as pessoas possam enxergar cada solução com uma solução científica que está priorizando a vida.
 
 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade