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Correio Braziliense

Bolsa de valores: veja 10 dicas de especialistas para quem investe

Mesmo com a crise gerada pelo coronavírus, o momento é propício para quem investe na bolsa. Quem entende do assunto dá as dicas para fazer isso da forma mais segura


postado em 29/05/2020 20:57 / atualizado em 29/05/2020 20:59

(foto: Editoria de Arte/CB/D.A. Press)
(foto: Editoria de Arte/CB/D.A. Press)
A crise gerada pela pandemia do coronavírus provocou uma série de preocupações em torno da economia. Fatores como o fechamento de empresas e o desemprego acabam tendo impactos diretos, por exemplo, para quem investe na Bolsa de Valores. O Correio conversou com especialistas no assunto e levantou 10 dicas e esclareceu dúvidas para auxiliar aqueles que estão de olho nesse nicho.

1 - Na situação atual, vale a pena investir na bolsa?

Para o coordenador do curso de economia da Universidade Católica de Brasília, Matheus Silva de Paiva, o momento é propício, uma vez que os preços estão baixos. “O Ibovespa já caiu bastante, as ações também. Por mais que possam cair mais um pouco, parece que o mundo está melhorando, com alguns países estabilizando a curva de contágio. Acho que a tendência é parar de cair, estabilizar os preços, e começar a subir no segundo semestre.” O YouTuber de Brasília e especialista em finanças Fábio Faria, do Canal do Holder, explica que, para o investidor de longo prazo, o momento de se investir é sempre o hoje. “A exposição em bolsa de valores dentro de uma carteira de longo prazo deve ser sempre constante”, ressalta. “A única forma de enriquecimento na bolsa, pelo menos a única que se provou vencedora até hoje, é a estratégia de comprar e manter os ativos para o longo prazo, e sempre com a visão de sócio do negócio.”

2 - Neste momento, o investidor deve manter ações, vender ou comprar?

Para Fábio, o ideal, na verdade, é alocar capital em uma grande quantidade de empresas que tenham vantagens competitivas de longo prazo, podendo trazer bons resultados aos acionistas. “No curto prazo, qualquer coisa pode acontecer, no longo prazo as cotações e os dividendos seguem sempre o crescimento do lucro da empresa.”


3 - Quais os melhores setores para investir?

Uma boa alternativa são as Blue Chips, isto é, empresas consolidadas, que já têm fluxo de caixa regular, geram lucro, e têm produção anual grande. “Exemplos disso são Petrobras, Embraer, e Vale. Empresas pequenas, em fase de maturidade, como startups podem quebrar mais facilmente”, avalia o professor Matheus.

4 - Saiba minimizar perdas e proteger o patrimônio

A jornalista Nathalia Arcuri, fundadora do canal Me Poupe, primeira plataforma de entretenimento financeiro do mundo, avalia que a melhor estratégia para blindar o patrimônio é a diversificação. “Nesse momento a gente percebe que, ao passo que a maioria das ações perdeu muito, os fundos referenciados em dólar e a fundos cambiais tiveram uma valorização gigantesca. Porque na mesma medida que a bolsa cai, o dólar sobe.” Uma sugestão, é aplicar em renda-fixa. “O próprio Tesouro Nacional tem boas taxas pré-fixadas e também o Tesouro IPCA, então, quando a gente fala para longo prazo, a renda fixa tem boas opções.” 


5 - Entenda o cenário de crise

Na atual situação, analistas estão revendo conceitos a respeito da longevidade de ações de empresas antes consideradas extremamente consolidadas, a exemplo das companhias aéreas, como explica Nathalia. “Já está mais do que provado que os deslocamentos, principalmente, para eventos, reuniões e congressos, deixam de fazer muito sentido em um momento que a gente consegue fazer tudo remotamente.” 


6 - Não se desespere

Nathalia lembra que é importante manter a calma, mesmo diante da crise. “O que não pode é a gente se desesperar com esse sobe e desce da Bolsa de Valores. No longo prazo, quem se desesperar vai perder dinheiro, e quem investiu na bolsa sem garantir uma boa reserva vai precisar resgatar em baixa.”

7 - Estude o mercado

A dica do professor Matheus é conhecer o setor em que se quer investir. “Quer atuar na Petrobras? Estude sobre o mercado de petróleo, como se forma o barril, as empresas competidoras. Quer operar no setor de energia? Estude as empresas, como se fixa o preço, como se forma o lucro. Não seja paraquedista”, alerta.

8 - Não acredite em sorte de principiante

A empolgação de lucrar em uma operação pode levar o investidor a confiar demais e acabar errando, como alerta Matheus. “Suponha que você comprou uma ação a R$ 10, e ela bateu R$ 11. Você deveria vender, mas continua esperando que suba mais. Quando vê, ela pode estar em R$ 8. Se eu coloco a R$ 10, quando der R$ 10,50, eu vendo, porque já garanti 5% da operação”, pondera. “Na maioria das vezes, o preço cai. Ele não fica subindo. Diminua a autoconfiança nos casos de sorte, porque nem sempre vai dar certo.”

9 - Esqueça enriquecimento a curto prazo

A crença de que é possível enriquecer, rapidamente, investindo na Bolsa, é uma ilusão, como alerta Fábio. “Se a Bolsa fosse um local de fácil enriquecimento no curto prazo, veríamos vários milionários andando pelas ruas e, na prática, isso não acontece. Bolsa é um local de acúmulo de patrimônio, onde seus ganhos, dos seus investimentos, serão gigantescos, mas acontecerão ao longo da vida, não do dia para a noite."


10 - Pondere sobre investir em Bolsas de outros países

De acordo com Fábio, vale a pena investir em bolsas de outros países. Ele explica que, atualmente, o mercado brasileiro tem cerca de R$ 5 trilhões de valor, o que representa 2% de todo o valor do mercado de ações mundiais. A Bolsa dos Estados Unidos, por outro lado, tem valor total de R$ 370 trilhões, respondendo por 50% do mercado mundial, além de ter a lista de algumas das maiores empresas do mundo. “Hoje é extremamente fácil abrir uma conta on-line em uma corretora no exterior e realizar investimentos lá fora”, garante. Ele ressalta que, ao investir no exterior, ganha-se, no longo prazo, pela valorização das ações, aumento dos dividendos distribuídos e valorização cambial do dólar, frente às demais moedas.

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