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Correio Braziliense

'Interessa que o consumo seja racional', diz diretor-presidente da Adasa

Para 40% da população, conta vai baixar. Para outros 60%, valor será maior. Intenção é economizar o uso da água


postado em 31/05/2020 06:00

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
A partir desta segunda-feira (1º/6) a conta de água do brasiliense estará diferente. A nova forma de cálculo, elaborada pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa), elimina a cobrança mínima de consumo mensal de 10m³. Com isso, quem gasta pouco vai pagar menos. A expectativa é de que 40% das unidades recebam contas mais baratas com a mudança.

Entretanto, a alteração trará acréscimo para os 60% que consomem mais. As novas tarifas serão fixas — divididas em quatro grupos: residencial padrão; residencial social; comercial, industrial e pública; e irrigação — e serão somadas a taxas variáveis crescentes por faixa de consumo. Em entrevista ao Correio, o diretor-presidente da Adasa, Paulo Salles, explica que o modelo anterior era antiquado.

“Isso (a cobrança mínima de 10m³) foi algo criado em 1993 e, naturalmente, naquela época, era uma ajuda para a Caesb (Companhia se Saneamento Ambiental do Distrito Federal), que precisava de recursos. Depois de tanto tempo, tornou-se uma coisa injusta, porque obriga as pessoas a pagar, mesmo sem consumir a água”, avalia.


Confira os principais trechos da entrevista: 


O que muda com a nova estrutura?
A cobrança mínima de 10m³ desapareceu. Isso foi algo criado em 1993 e, naturalmente, naquela época, era uma ajuda para a Caesb, que precisava de recursos. Depois de tanto tempo, tornou-se uma coisa injusta, porque obriga as pessoas a pagar, mesmo sem consumir a água. Se a pessoa usasse 5m³, pagava pelo que não tinha usado. Entra, no lugar, uma nova estrutura tarifária, feita pela Adasa.

Para quem fica mais barato e para quem fica mais caro?
Para 40% das unidades consumidoras, a tarifa vai baixar. Para 60%, vai aumentar. Baixa para quem pagava sem usar. Imagine uma pessoa que consome 4m³. Ela pagava uma tarifa de R$ 62,80. Agora, vai pagar R$ 39,92. Redução de 36%. O aumento vai ser, mais ou menos, na ordem de 15%. No máximo, de 26%. Os que consomem mais água vão pagar tarifa mais alta. 

Por que fazer a mudança agora, enquanto vivemos a crise causada pela pandemia do coronavírus?
Nós começamos a fazer esse estudo em 2017. Era para entrar em vigor em 1º de janeiro de 2019. Perto dessa data, a Caesb pediu para adiar, alegando que não estava pronta. No início de fevereiro de 2019, foi feita uma lei, na Câmara Legislativa, que acabava com a cobrança mínima de consumo pelos 10m³ e que adiou por um ano a entrada em vigor da nova estrutura. No fim de 2019, a Caesb pediu mais prazo, e isso foi jogado para 1º de junho de 2020. Ninguém previa uma pandemia acontecendo, e a legislação não mudou. Então, a data ficou estabelecida para dar fim à cobrança dos 10m³. A gente tinha que pôr alguma coisa no lugar, senão a Caesb teria um prejuízo tremendo: R$ 16 milhões todo mês por não ter como substituir a cobrança mínima. Todos prepararam -se para a mudança, e vai acontecer porque está na lei.

O novo modelo vai contribuir para que as pessoas consumam menos?
Eu tenho certeza que sim. Muita gente vai fazer isso para economizar. Eu diria que vale mais para quem está nas faixas que gastam mais. Vai contribuir para um consumo consciente e que elimine o supérfluo. Se uma pessoa lava o carro em casa, vai mudar a conta se passar a usar um balde, em vez de uma mangueira. Para nós, interessa que o consumo seja racional. Ninguém esqueceu ainda o que vivemos entre 2016 e 2018, durante a crise hídrica, quando o nível dos nossos reservatórios chegou a quase zero.

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