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Correio Braziliense

Girassol dá um colorido especial para a rodovia que liga Brasília a Unaí

É tempo de girassol no DF. Às margens da BR-251, entre Brasília e Unaí (MG), florescem 20 mil metros da flor de pétalas douradas famosa por acompanhar o movimento do sol


postado em 02/06/2020 06:00

Quem quiser uma foto com os girassóis precisa correr: esta deve ser a última semana da florada(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Quem quiser uma foto com os girassóis precisa correr: esta deve ser a última semana da florada (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Se o pintor pós-impressionista Vincent Van Gogh estivesse vivo, provavelmente se apaixonaria pelo PAD-DF, região rural do Distrito Federal próximo à divisa com Minas Gerais. As flores que conquistaram o mundo nos quadros mais famosos do holandês, colorem as margens da BR-251, como trechos de ouro no cerrado. É na altura do km 5 que olhos desavisados se deparam com o dourado intenso do campo de girassóis, contrastando com o azul do céu infinito.

Não à toa, a flor que inspirou artistas do mundo todo, motiva os motoristas que por ali passam a descer e garantir um registro. Quem vai uma vez se apaixona. “Todo ano, paramos aqui para fazer foto”, garante o segurança Alan da Silva, 38 anos. Ele e a esposa, a enfermeira Stephani Santos, 33 anos, moram no município mineiro de Unaí e trabalham em Brasília. Diariamente, no caminho de casa para o trabalho, veem os campos, que florescem em maio. Neste ano, quando voltavam de um plantão, estacionaram o carro em um dos trechos da plantação.
 
Diariamente, no caminho de casa para o trabalho, Alan da Silva e Stephani Santos veem os campos de girassóis(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Diariamente, no caminho de casa para o trabalho, Alan da Silva e Stephani Santos veem os campos de girassóis (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
 

Stephanie explica que entre 6h e 9h, as flores estão mais bonitas, e voltadas para a BR. “A gente adora. Até os parentes, que nos visitam de São Paulo, querem vir fotografar também”, comenta. “É muito lindo.” Eles não são os únicos. Casais apaixonados, famílias, amigos, crianças, fotógrafos profissionais, todos querem aproveitar o cenário de filme para garantir uma bela imagem.
 
Os advogados Irair Alves, 28 anos, e Cristiano Meira, 44, são proprietários de um haras no DF e resolveram usar o local para divulgar um produto. Bastou colocar o acessório em uma das flores, e pronto. “Vamos sortear um boné nas nossas redes sociais, e espero que a foto ajude”, afirma Irair. Claro, ela também aproveitou para ter fotos pessoais. Como o casal passa por lá com frequência, já viu os mais diversos modelos em meio aos girassóis. “Sempre tem ensaio fotográfico de noiva, gestante. Mas o melhor horário é durante o pôr do sol. Isso aqui fica cheio de gente”, conta Cristiano. “Em alguns dias, já vi até 40 carros parados.”

Os que descobrem o lugar e vão pela primeira vez se encantam. Tayanne Rodrigues, 27 anos, é fotógrafa e soube da florada pelas redes sociais. “A experiência foi excelente, mas os girassóis estão quase no final”, lamenta. Ela levou a irmã, a maquiadora Olga Modrack, 25, e a militar Ana Caroline Araruna, 30, para usar como modelos. “Com certeza, indico a experiência a todos. Mas é importante lembrar de usar protetor solar e repelente, porque tem muito mosquito e abelha”, aconselha.

O campo

Cerca de dois hectares de girassóis estão espalhados dentro e nas proximidades do parque Ivaldo Cenci, onde acontece a AgroBrasília, uma das maiores feiras de exposições de produtos do agronegócio no país. O presidente da feira, Ronaldo Triacca, explica que a plantação começou há cerca de oito anos e, desde então, virou tradição e um dos atrativos do evento. “O pessoal vem muito, é impressionante. No sábado, tinham mais de 50 carros. No domingo, talvez 100”, calcula. Os campos são plantados pelos produtores vinculados ao parque e à Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF). Depois de encerrada a florada, os agricultores destinam os girassóis para a produção de grãos e óleo.

Como a feira deste ano foi cancelada, devido à pandemia do coronavírus, o parque está fechado para fotos. Mas os que ficam do lado de fora estão disponíveis à população. “A gente gosta que as pessoas venham, porque elas veem como é o agronegócio. Não é aquele vilão pregado por muitos. Ali, do lado do girassol, dentro da propriedade, tem trigo, milho, sorgo e batata-inglesa. Isso mostra a diversidade do PAD-DF”, destaca. “É interessante que o público venha ao campo e veja como trabalhamos, nosso cuidado com a natureza. O produtor está cada vez mais preocupado com o meio ambiente.”

Quem ainda quiser garantir uma foto ainda este ano precisa correr, porque, segundo Triacca, a florada está na última semana. Para o ano que vem, ele explica que será preciso pensar em uma forma de controlar melhor o fluxo de pessoas. “Como não entendem muito das lavouras que estão ao lado, acabam danificando algumas plantações, como de trigo, que ainda está baixo. Mas a gente vai continuar plantando e disponibilizando gratuitamente para quem quiser fotografar”, garante.

Feira de negócios
Com a chegada do novo coronavírus ao DF e a proibição de eventos, este ano, a AgroBrasília será virtual, entre 6 e 10 de julho. No ano passado, a feira movimentou cerca de R$ 1,2 bilhão para o agronegócio, com a participação de 480 expositores. Este ano, os participantes terão uma plataforma on-line para apresentar seus produtos. Também serão feitas palestras, debates, e os organizadores estudam a possibilidade de leilões de animais.

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