Cidades

MP ouvirá mãe de santo ofendida por presidente da Fundação Palmares

Adna Santos, mais conhecida como Mãe Baiana, irá, nesta quinta-feira (4/6), ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Segundo a mãe de santo, o próprio órgão a chamou para fazer uma representação contra Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares

Correio Braziliense
postado em 03/06/2020 21:18
A candomblecista registrou ocorrência pelos crimes de injúria racial, discriminação racial e discriminação religiosaDepois de registrar ocorrência na Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual, ou contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin), Adna Santos, mais conhecida como Mãe Baiana, irá, nesta quinta-feira (4/6), ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Segundo a mãe de santo, o próprio órgão a chamou para fazer uma representação contra Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares. 

Em áudio vazados, Camargo, além de chamar o movimento negro de escória, ofendeu Mãe Baiana. “Uma tal de Mãe Baiana, que ficava aqui infernizando a vida de todo mundo. Além de fazer macumba para mim, essa miserável está querendo agitar invasão aqui de novo.” O presidente afirmou ainda que não irá contribuir com terreiros ligados a religiões de matrizes africanas. “Não vai ter nada para terreiro na Palmares, enquanto eu estiver aqui dentro. Nada. Zero. Macumbeiro não vai ter nenhum centavo.”

Na Decrin, a candomblecista registrou ocorrência pelos crimes de injúria racial, discriminação racial e discriminação religiosa contra Camargo. "Fizemos o acolhimento, vimos um possível crime e constatamos que os fatos narrados envolvem um presidente de uma fundação federal ligada ao Ministério do Turismo, sendo, portanto, uma investigação de competência federal", explicou, ao Correio, a delegada-chefe Ângela Maria dos Santos. O material será encaminhado, também nesta quinta, à corporação responsável pela apuração. 

Mãe Baiana afirmou que não deixará a situação passar impune. "Pelo movimento, pela coletividade, pela negritude, por nossas crianças", justificou. Ela tenta entender quais motivos levaram Camargo a xingá-la e ofendê-la. "Deixei um legado na fundação, de muito trabalho, de respeito às pessoas", acrescentou. Atualmente, a candomblecista ocupa o cargo de Coordenadora de Políticas de Promoção e Proteção da Diversidade Religiosa da Subsecretaria de Direitos Humanos e Igualdade Racial no Distrito Federal.
 
A Fundação Palmares divulgou, nesta terça-feira (2/6), uma nota oficial afirmando reprovar quaisquer formas de discriminação, racismo ou violência. “Confiamos no caminho do diálogo, respeito e tolerância como fundamentais para a solução de problemas.” 
 
 

Entenda o caso

Os áudios foram gravados em uma reunião com servidores, que aconteceu em 30 de abril. Sérgio Camargo também proferiu uma série de ofensas ao movimento negro, que classificou como "escória maldita". Nas gravações, ele chama Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência negra, de “filho da puta que escravizava pretos". O presidente afirma ainda não apoiar o Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro. 
 
Representantes do movimento emitiram uma nota oficial manifestando repúdio às declarações. “Mais uma vez, Camargo revela sua total falta de capacidade para continuar à frente de uma instituição que deveria zelar pelos direitos da população negra”, destaca o texto, pedindo ainda a exoneração do presidente.
 
O Coletivo de Mulheres de Axé do Distrito Federal enviou nota de repúdio para apoiar Adna Santos. Na nota, o coletivo acusa Sérgio Camargo de racismo e discriminação religiosa. "Exigimos respeito e retratação desta instituição perante as ofensas criminosas cometidas contra nosso povo", diz a nota.

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