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Correio Braziliense

Diminuir o estresse é um dos desafios da quarentena; veja dicas

A procura por remédios, principalmente para ansiedade, teve aumento em 20% no DF em abril, em relação a março


postado em 06/06/2020 07:00

Elisa Cruz, 6, faz atividades com o auxílio da piscopedagoga Isabelle (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Elisa Cruz, 6, faz atividades com o auxílio da piscopedagoga Isabelle (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Pouca coisa é simples na pandemia e o distanciamento social pode trazer dificuldades e desafios para quem está isolado em casa. Em algumas pessoas, surgem sentimentos como ansiedade, esgotamento emocional, estresse e, até mesmo, depressão. Uma pesquisa feita pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) mostrou que os atendimentos psiquiátricos no Brasil cresceram em 25% comparado ao período anterior à pandemia. A procura por remédios, principalmente para ansiedade, também teve aumento em 20% no DF em abril, em relação a março, segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos da capital da República (Sincofarma).

“A gente tem notado uma procura por remédios bem acima do normal. Mas, muitas pessoas não conseguem comprar os medicamentos. É importante lembrar que não é só chegar na farmácia e comprar. É preciso passar por um médico. Muitos não precisam se medicar. As pessoas estão muito ansiosas dentro de casa. São vários problemas que preocupam, como o desemprego”, alerta o presidente da Sincofarma, Francisco Messias.

O acompanhamento profissional é de suma importância para a saúde mental. Presidente da ABP, Antônio Geraldo da Silva destaca que muitos deixam para buscar ajuda quando o quadro já está agravado “O uso dessa medicação sem prescrição médica pode levar a um prejuízo da saúde mental. Os medicamento precisam ser usados de forma adequada. As pessoas têm medo de procurar a psiquiatria. A psiquiatria é a porta de entrada de quem tem qualquer transtorno mental. Ela não é a UTI. As pessoas deixam para procurar ajuda no último minuto. Não pode”, alerta.

Pesquisa feita pela instituição mostra que 89,2% dos psiquiatras entrevistados constataram agravamento nos quadros de seus pacientes devido à pandemia. “Nós não estamos preparados para esse tipo de estresse que estamos vivendo. Ele vai além da nossa capacidade de suportar”, analisa Antônio.

Adaptação

A pandemia causou uma reviravolta na vida de Isa Gabriela Santos, 26 anos. Desempregada e em tratamento psiquiátrico para transtorno bipolar, ela mora com o namorado e o filho de 10 anos. Por conta do isolamento, eles compartilham 24h o mesmo espaço. A movimentação na casa e a ansiedade por não conseguir procurar emprego se tornaram grandes desafios para Isa. “Me via sem saída, perdida e na incerteza de quanto tudo iria voltar ao normal. Até que decidi me ocupar fazendo um curso a distância”, conta.

A decisão tornou os dias de Isa mais leves. “Estudar bastante, não focar no que vem depois da pandemia, seguir a minha rotina sem muitas cobranças e pensar mais em mim”, descreve. Com a mudança, a dosagem da medicação passada pelo psiquiatra pode ser reduzida. “Ele também está cogitando mudar meu diagnóstico. A suspeita é de que não seja transtorno (bipolar) e, sim, ansiedade associada a um quadro de insônia. O controle que estou tendo durante a pandemia foi um dos sinais de que posso estar mais saudável do que no passado”, comemora Isa.

A psicóloga e especialista em psicologia da saúde Priscila Nascimento reforça a importância das pessoas observarem alguns comportamentos durante a quarentena. “Analisar se é recorrente estar muito irritado, impaciente com as atividades de casa ou com os filhos; se tem a sensação de perda de controle, dificuldade para dormir ou preocupação em excesso. Esses fatores podem estar relacionados ao estresse. No caso de desconforto, procure um profissional. Nós estamos aqui para acolher o indivíduo que precisar de ajuda”, indica a psicóloga.

Diante das adversidades, aprender a se organizar foi fundamental para a arquiteta Aline Cruz, 38, lidar melhor com a filha Elisa Cruz, 6, durante o isolamento. “No começo havia muito cansaço, estresse, desespero, medo e uma enorme sensação de impotência”, relembra. “Quando percebi que não conseguia completar todas as tarefa durante o dia, comecei a procurar alguma solução”, relata a arquiteta. A ajuda veio das psicopedagogas Isabelle Brandão e Érica Machado por meio das redes sociais. “Hoje, tenho um suporte, aprendi como lidar com a rotina”, conta.

Para a psicopedagoga Isabelle Brandão, muitos pais sentem-se culpados por não terem a didática ou não terem tempo para ensinarem seus filhos. “Alguns não sabem por onde começar, o que fazer. E tudo bem. Ninguém sabe tudo, o aprender é diário, a vida toda. Ser pai e mãe também é um aprendizado diário, as crianças não vêm com manual de instrução. Educar também é aprender”, afirma.

Dicas

Para fugir do estresse na pandemia

Fazer
  • Resgatar as dimensões afetiva e humana das relações que estabelecemos
  • Fazer atividades recrativas, se estiver com crianças em casa
  • Procurar um profissional que ofereça amparo
  • Videochamadas
  • Exercícios físicos
  • Dar boas risadas
  • Psicoterapia on-line
  • Flexibilidade de horário
  • Olhar para o tempo com compaixão
  • Tomar os cuidados para evitar a covid-19

Evitar
  • Excesso de álcool
  • Excesso de informações sobre a pandemia
  • Não olhar para o tempo como inimigo

Duas perguntas para 
Psicóloga Raquel Manzini

Quais as consequências que o isolamento social pode causar no comportamental e psicológico das pessoas? 
O isolamento pode trazer consequências, principalmente para a pessoa que já tem uma predisposição a depressão, ansiedade e a ser mais vulnerável em situações de estresse a desencadear esses sintomas. Então, a pessoa fica mais entristecida, dificuldade de seguir uma rotina mínima, o sono e as refeições ficam prejudicados, a pessoa fica muito irritadiça e nervosa, sem vontade de interagir com as pessoas, crises de angústias, dor no peito, mal estar e dificuldade em dormir. 

Como lidar com o estresse, durante essa pandemia, da melhor maneira?
É possível lidar com a pandemia procurando estratégias que a pessoa se sinta aliviando a tensão, desviando o pensamento das imagens catastróficas e consiga focar em ações que estão sobre o controle dela no presente que são as proteções: o álcool em gel, o uso da máscara, o isolamento social e a higienização. Além disso, a pessoa pode investir em leituras, ver poucas notícias (focar em uma fonte de informação por dia), ou seja, não passar o dia inteiro acompanhando notícias de várias fontes diferentes; manter contato com pessoas que ama, dar boas risadas, falar de outros assuntos que não o da pandemia que levem para um caminho mais distante da catástrofe. Fatos de estresse podem acontecer pelo motivo da pessoa colocar muitas metas e entrar em um ritmo frenético de passar o dia todo em casa trancado em um escritório. Isso é para chegar aonde? A gente precisa lidar, também, com os momentos de fazer nada, uma coisa que gosta de fazer, lazer, estudo, convívio com pessoas sempre. 

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