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Correio Braziliense

Comércio aposta no Dia dos Namorados para melhorar o faturamento

A primeira data comemorativa após a reabertura dos shoppings e das lojas de rua é a aposta do setor para melhorar o faturamento dos comerciantes. Contudo, especialistas avaliam que não será o suficiente para recuperar o prejuízo do semestre


postado em 06/06/2020 07:00 / atualizado em 06/06/2020 09:19

Com a pandemia, a florista Andiara Antunes passou a vender 40% mais: especialista em comércio on-line(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
Com a pandemia, a florista Andiara Antunes passou a vender 40% mais: especialista em comércio on-line (foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
A primeira data comemorativa após a reabertura do comércio no Distrito Federal, em 18 de maio, aproxima-se e tem chance de melhorar o movimento no varejo. Comemorado em 12 de junho, o Dia dos Namorados registrou, em 2019, aumento nas vendas de cerca de 5% em relação ao mesmo período do ano anterior, 2018, como explica o presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejista/DF), Edson de Castro. Para este ano, no entanto, a expectativa é de que os empresários tenham rendimento de até 60% do que conseguiram no ano passado.

Ele avalia que, mesmo com a volta dos lojistas, será muito difícil recuperar o faturamento do semestre. “Vamos ver se os empresários conseguirão pagar as contas, mas recuperar, de forma alguma, porque as pessoas, com esse negócio de não sair de casa, estão comprando muito pela internet, evitando sair”, avalia. Mesmo assim, ele afirma que há uma sensação de otimismo. “No Dia das Mães, foi um grande sacrifício tentar vender com as lojas fechadas. Os empresários estão tentando sobreviver”, diz Edson.

O empresário Sebastião Abritta, vice-presidente do sindicato, calcula redução de 42% nas vendas em relação a 2019. “No ano passado, a semana do Dia dos Namorados movimentou, no comércio local, algo em torno de R$ 150 milhões. A nossa estimativa é de que, neste ano, movimente entre R$ 80 milhões e R$ 90 milhões.” De acordo com ele, a pandemia deixou o consumidor cauteloso.

Ainda assim, datas como essa têm sido um respiro para muitos empreendedores. A chef de cozinha Ana Cláudia Morale, 35 anos, trabalhava apenas com eventos e, sem essa possibilidade, reinventou-se. Agora, ela tem preparado kits e cestas especiais, pedidas pelas redes sociais e entregues na casa do cliente. “Para a manutenção, não só do meu negócio, mas de toda uma cadeia produtiva, a gente foi se adaptando e desenvolvendo propostas de delivery. Fizemos na Páscoa, no Dia das Mães, e, agora, no Dia dos Namorados e nas festas juninas”, conta.

Ela recebeu 15 pedidos de uma caixa especial para os apaixonados, com espumante, duas taças de acrílico, amarenas (cerejas) e queijo parmesão. “A ideia é presentear a pessoa com quem você não pode estar junto, ou consumir junto”, explica. Embora as produções ajudem a manter a empresa funcionando, ela estima perdas de cerca de 30% do faturamento mensal, desde o início da quarentena. “Na Páscoa, tivemos faturamento de 85% do que conseguimos na mesma época em 2019. No Dia das Mães, 70%. Agora, a expectativa é de 55%”, calcula.

Para o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do DF (Fecomércio), Francisco Maia, a expectativa dos lojistas não é boa. “Os que reabriram as portas estão tendo poucas vendas. Muitos nem conseguiram renovar estoque, sabendo do pouco movimento que teriam”, lamenta. Ele afirma que, nos shoppings, a situação não é muito diferente. “As vendas estão aquém do esperado, e este 12 de junho deve ser muito significativo.”

Abertos desde 27 de maio, os shoppings apostam em alternativas para não perder clientes. O Conjunto Nacional, por exemplo, disponibilizará, a partir de segunda-feira, o Retire Aqui. O consumidor entra em contato com as lojas por mensagem de aplicativo, ou compra nos sites, e retira o produto em uma gaveta do shopping. Com um QR Code, é possível destrancar o compartimento e retirar a compra em até 72 horas. Também há a opção de agendar entregas por drive-thru, ou delivery, o que havia ocorrido no Dia das Mães.

Em nota, o Iguatemi informou que cumpre as determinações da lei, operando com capacidade máxima de 50% do estacionamento, reforçando as rotinas de limpeza, assim como o uso obrigatório de máscaras. “Conforme determina decreto do GDF, estamos fazendo medição de temperatura de todos os clientes antes de entrarem no shopping (quem estiver com temperatura de 37,3ºC ou acima não pode entrar).”
 

Saldo positivo

Há quem tenha conseguido melhorar os negócios durante a crise. É o caso da florista Andiara Antunes, 36 anos, que passou a vender 40% a mais. “Como o comércio estava fechado e as pessoas não conseguiam comprar em lojas e shoppings, a flor passou a ser um presente muito querido. No Dia das Mães, precisei recusar pedido porque não consegui atender todo mundo.”
 
Um dos fatores que a ajudaram é que todo o atendimento dela é feito de forma on-line. “Eu converso com o cliente para saber o que o presenteado gosta, como cores, cheiros e a personalidade, para montar um buquê personalizado, e depois é só entregar. Ninguém precisa ir ao ateliê”, detalha. Para a data preferida dos casais, ela está anunciando um kit que acompanha as flores, e inclui chocolates, espumante, e biscoitos importados. 
 
Na produção, todo o cuidado para evitar a contaminação dos presentes. “A gente só monta usando luvas e máscara. Além disso, dou preferência a comprar as flores direto do produtor do DF, para evitar o transporte longo em caminhão.” No ateliê, trabalham ela e um ajudante, mas, com o aumento nas encomendas dos namorados, pretende fazer mais duas contratações. “Trabalho com o mínimo necessário de pessoal, para poder manter o distanciamento necessário.” 

Regras

Por determinação do governador Ibaneis Rocha, o comércio em geral foi autorizado a voltar a funcionar em 26 de maio, e shoppings, no dia seguinte. Veja as normas que devem ser adotadas pelos estabelecimentos
  • Shoppings devem fornecer equipamentos de proteção individual e álcool em gel 70% a todos os empregados
  • Funcionários devem fazer teste para a covid-19 a cada 15 dias
  • Áreas de recreação, como brinquedotecas, cinemas e praças de alimentação devem permanecer fechadas
  • Todos os clientes devem ter a temperatura corporal aferida antes de entrar nos shoppings e nas lojas
  • É proibido utilizar os provadores
  • Estacionamentos devem ser limitados a 50% da capacidade
  • Estabelecimentos precisa, seguir escala de revezamento de dia e horário dos empregados

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