Cidades

Morre Cícero Rodrigues, fundador de um dos núcleos de base do PT

"Cição", como era conhecido pelos amigos, lutava contra um câncer. Ele faleceu na madrugada desta segunda-feira (8/6)

O servidor público aposentado Cícero Rodrigues de Souza Neto, 66 anos, conhecido como “Cição”, faleceu na madrugada desta segunda-feira (8/6), vítima de um câncer. Cícero era filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 1984 e fundou o Núcleo de Base da QNG, em Taguatinga, um dos mais antigos do partido.

O ativista nasceu em Ibirá (SP), mas foi criado no Ceará. Cição atuou como servidor público durante 42 anos, mas nunca deixou de lado os dons da pintura, da arte gráfica e da música. Pai de Roberto, Renata e Raquel, ele se filiou ao PT quatro anos após a fundação do partido, em 1984. 

Cícero criou o Núcleo de Base da QNG. O local é ponto de encontro dos filiados do PT, que se reúnem para promover reuniões, círculos de estudo, além de organizarem movimentos sociais. Cição também era proprietário de um bar na mesma quadra, o Boutiquim do Cição. 

No final de 2018, o aposentado descobriu um câncer na língua, como conta o filho de Cícero, Roberto Sarrosa, 41. “Ele vinha lutando e fazendo tratamento. Mas no começo desse ano, a doença começou a avançar e a se espalhar pelo corpo”, disse. 

Cícero deu entrada no Hospital Daher, no Lago Sul, há dois meses. Contudo, por conta do avanço do câncer, ele ficou em coma induzido em meados de maio. “Nós (filhos) descobrimos essa doença por acaso. Ele não comentou, até no dia em que sofreu uma hemorragia e, no hospital, o médico deu o diagnóstico positivo. Desde então, vínhamos disponibilizando o tratamento adequado. Tínhamos esperança, mas esse é um mal que pode ser vencido ou que pode nos vencer”, desabafou Roberto. 

Lembranças

Para a família e amigos, Cícero deixa o exemplo de um homem companheiro, empenhado e guerreiro. “Meu pai sempre foi muito correto, honesto, solidário e amigo. São valores que não ficam só para os filhos, mas para os conhecidos dele”, afirmou o filho. 

O autônomo Olavo da Silva, 64, também guardará boas lembranças do velho amigo. “Era um militante guerreiro, que sempre esteve presente nas discussões do partido. É uma grande perda.”

O PT divulgou uma nota de pesar sobre o falecimento de Cícero. “Perdemos um guerreiro que lutou sempre com muita garra e jamais abandonou as trincheiras do bom combate. O seu bar nunca foi só um bar, foi uma trincheira e um palco da resistência cultural e política! Desde os primeiros momentos do PT, fomos muito bem acolhidos por ali. Aquele local foi transformado num grande símbolo das lutas pelas transformações sociais no DF e no Brasil. Desde reuniões de núcleos de base, até atos das eleições majoritárias, o Bar do Cícero era uma referência para toda a militância petista. Do companheiro Cícero ficaremos com as boas lembranças, ao mesmo tempo que reafirmamos as suas lutas e suas convicções: só haverá paz quando houver justiça social! Vá em paz, que aqui continuamos no mesmo caminho que trilhamos juntos.”